Marcone Lima Sobreira1, Marcos Arêas Marques2,3. 1. Universidade Estadual Paulista - UNESP, Botucatu, São Paulo, SP, Brasil. 2. Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ, Unidade Docente Assistencial de Angiologia, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. 3. Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO, Serviço de Cirurgia Vascular, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
The association between viral infections, such as human immunodeficiency virus (HIV),
hepatitis C, and influenza, and venous thromboembolism (VTE) is well-established in the
medical literature and the scientific community demonstrated this link again during the
Chikungunya and Zika epidemics of 2017.1,2 The ongoing global
COVID-19 pandemic that started in Wuhan (China) and is caused by the SARS-CoV-2coronavirus
strain has already infected around 310,000 Brazilians and caused more than 20,000 deaths,
according to data from the Ministry of Health.3Although it has a wide clinical spectrum, ranging from an asymptomatic form to a severe
acute respiratory syndrome (SARS),4 what has
attracted the attention of angiologists and vascular surgeons are the symptoms related to
inflammation of the vascular system and the hypercoagulability, which cause manifestations
such as vasculitis of small vessels and micro and macrovascular thrombosis of arteries
and/or veins. Another observation that has attracted attention since the outset is the
relationship between elevation of D-dimer (DD) and poor disease prognosis,5 demonstrating a clear association between
exacerbation of the systemic inflammatory response and the resulting prothrombotic
state.6As the number of severe COVID-19 cases progressively increased, it was observed worldwide
that there were elevated rates of deep venous thrombosis and pulmonary embolism in this
subset of patients, even with pharmacoprophylaxis or full anticoagulation that would
theoretically be sufficient for hospitalized clinical patients.7 In view of the above context, it is to be expected that there will
be a progressive increase in publications relating VTE with infection by COVID-19 in the
medical literature, aiming to share the as-yet scant knowledge that has been accumulated on
this new infection.However, despite the growing research networks that have formed to investigate COVID-19, it
is noteworthy that the majority of studies present weak evidence, because, in general, what
has been published to date are guidelines from specialty societies, expert opinions, in
vitro studies, case reports, and some cases series (with small sample sizes). Moreover,
hand-in-hand with this explosion of publications, we are confronted with a range of
theories and normative statements on prophylaxis and treatment for VTE, serial measurement
of DD, and administration of anticoagulants at the most varied posologies to these
patients, without adequate scientific evidence, albeit because there has not been
sufficient time to produce it.What can be stated with confidence, so far, is that SARS-CoV-2 infection appears to have an
elevated thrombogenic potential, with repercussions for pulmonary microcirculation, and so
there may be some benefit, which remains to be proved, from systemic anticoagulation.8 It is important to remember that, when dealing with
anticoagulants, it is always necessary to consider the risk/benefit balance, weighing the
potential efficacy: prevention of thrombosis pulmonary microcirculation and also at the
arteriole-capillary level,9 against the risk of
complications, such as bleeding.Some reports by Chinese authors suggest that clinical improvement of patientsinfected by
SARS-CoV-2 was associated with parenteral anticoagulation, notably low molecular weight
heparin (LMWH); however, it is worth mentioning that the lack of criteria for indicating
anticoagulant treatment and consequent indiscriminate use of anticoagulation may not be of
benefit to patients,10 and it is too early to
recommend this as the routine conduct in general. The beneficial effects of heparin in
these patients (unfractionated heparin [UFH] or LMWH) appear to be multifaceted. In
addition to their known anticoagulant and anti-inflammatory effects, heparins appear to
play a protective role in endothelium, by antagonizing histones that cause endothelial
injury and, as a result, microcirculation damage, and also appear to have an antiviral
activity by competing with the virus for the binding site on the cell surface.11We must be very careful not to fall into the panacea of using anticoagulants unchecked, for
prophylaxis and treatment of the obvious hypercoagulability and its clinical manifestations
that occur in these patients, especially based on serial DD assays, without a foundation in
randomized, double-blind, controlled, multicenter clinical trials that can reliably
demonstrate the scientific evidence necessary to guide management of this disease and,
primarily, of patients. In the absence of such studies, we can and should rely on the
existing guidelines for VTE treatment and prophylaxis in clinical patients, since they are
evidence-based and valid.More recently, a panel of experts published a document in which they discuss
rationalization of use of anticoagulants in COVID-19 positive patients. They suggest that
hospitalized patients should be categorized for risk of VTE in order to then be given the
best prophylaxis for each specific case. With regard to continuing prophylaxis (especially
chemical prophylaxis) for patients after discharge, there is no evidence on which to base
systematic prescription; so it is suggested that patients are once more categorized at
discharge for thrombotic and hemorrhagic risk and that the best treatment be chosen on this
basis, in addition to instructing all to remain active when confined at home. There are
still controversies and arguments with regard to use of intermediate or therapeutic heparin
doses in these patients: the majority recommend use of prophylactic doses, whereas a
minority consider that it is reasonable to use full or intermediate doses in this subset of
patients.12Knowledge with respect to this disease’s response to any type of suggested treatment is
extremely fluid and concepts are constantly being renewed constantly, so great judgment and
care are needed to manage it, attempting to always keep in mind a palpable and solid
scientific basis, to avoid harming the patient.A associação entre infecções virais, como a do vírus da imunodeficiência humana (HIV),
hepatite C e influenza, e o tromboembolismo venoso (TEV) já está bem estabelecida na
literatura médica e já havia voltado a ser evidência na comunidade científica na
epidemia de Chicungunha e Zika ocorrida em 20171,2. A atual pandemia
mundial de COVID-19, iniciada em Wuhan (China), causada pela cepa SARS-CoV-2 do
coronavírus já infectou cerca de 310.000 brasileiros, com mais de 20.000 mortes
aproximadamente, segundo dados do Ministério da Saúde3.Apesar de seu amplo espectro clínico, que varia desde a forma assintomática até uma
síndrome respiratória aguda grave (SARS)4, tem
chamado atenção dos angiologistas e dos cirurgiões vasculares os sintomas relacionados à
inflamação do sistema vascular e à hipercoagulabilidade que levam a manifestações como
vasculite de pequenos vasos e trombose micro e macrovascular de artérias e/ou veias.
Outro dado que chamou atenção desde o início foi a relação entre a elevação do dímero-D
(DD) e o mau prognóstico da doença5,
demonstrando uma clara associação entre o agravamento do quadro inflamatório sistêmico e
o estado pró-trombótico resultante6.Com o aumento progressivo dos números de casos graves da COVID-19, houve uma constatação
mundial da alta incidência de trombose venosa profunda e embolia pulmonar nesse perfil
de pacientes, mesmo com a farmacoprofilaxia ou anticoagulação plena teoricamente
adequada para pacientes clínicos internados7.
Nesse contexto descrito anteriormente, é de se esperar que haja um aumento progressivo
de publicações relacionando o TEV à infecção por COVID-19 na literatura médica, visando
compartilhar o ainda pequeno conhecimento sobre essa nova infecção.Entretanto, apesar da crescente rede de pesquisas que se criou em torno da COVID-19,
nota-se que a maioria desses estudos tem evidência fraca, pois o que se tem até o
momento são, de uma forma geral, diretrizes de sociedades de especialidades, opiniões de
especialistas, estudos in vitro, relatos de casos e
algumas séries de casos (com tamanho amostral reduzido). Além disso, junto a essa
explosão de publicações, nos deparamos com diversas teorias e normatizações a respeito
da profilaxia e tratamento do TEV, mensurações seriadas do DD e o uso de anticoagulantes
nas mais variadas posologias nesses pacientes, sem evidências científicas adequadas, até
pela falta de tempo hábil para produzi-las.O que se pode elucubrar de fato, até o momento, é que a infecção pelo SARS-CoV-2 parece
carregar potencial trombogênico aumentado, com repercussões em microcirculação pulmonar,
podendo haver algum benefício, ainda a ser comprovado, de anticoagulação sistêmica8. É importante ressaltar que, em se tratando de
anticoagulantes, é necessário sempre contrabalançar o binômio risco/benefício, pesando a
sua potencial eficácia: prevenção de trombose em microcirculação pulmonar e, também, em
território arteriolocapilar9 contra o risco de
complicações, como o sangramento.Alguns relatos de autores chineses sugerem a melhora clínica de pacientes infectados
pelo SARS-CoV-2 com o uso parenteral de anticoagulação, notadamente a heparina de baixo
peso molecular (HBPM); entretanto, vale a ressalva que a falta de critério na indicação
de terapia anticoagulante, com consequente uso indiscriminado de anticoagulação, pode
não trazer benefício aos pacientes10, sendo
muito temerário estabelecer como protocolo de conduta de uma forma generalizada. O
efeito benéfico da heparina nesses pacientes [HNF (heparina não fracionada) ou HBPM]
parece ser multifacetado. Além dos conhecidos efeitos anticoagulante e
anti-inflamatório, as heparinas parecem ter papel como protetor endotelial, por
antagonizar as histonas que causam injuria endotelial e, portanto, microcirculatória, e
um efeito antiviral por competir com o vírus pelo sítio de ligação da superfície
celular11.Temos que ter muito cuidado para não cair na panaceia do uso de anticoagulantes de forma
desenfreada, na profilaxia e no tratamento da evidente hipercoagulabilidade e suas
manifestações clínicas que ocorrem nesses pacientes, especialmente apoiado em dosagens
seriadas do DD, sem nos basearmos em ensaios clínicos multicêntricos, randomizados,
duplos-cegos e controlados que possam atestar com confiabilidade a evidência científica
necessária ao balizamento de condutas frente à doença e, principalmente, frente ao
doente. Na falta desses estudos, podemos e devemos nos apoiar nas diretrizes existentes
para tratamento e profilaxia do TEV em pacientes clínicos, pois elas são embasadas e
validadas.Mais recentemente, um painel de especialistas publicou um documento em que se discute,
também, a racionalização do uso de anticoagulantes em pacientes COVID-19 positivos. Os
autores sugerem que o paciente internado deva ser categorizado quanto ao risco de TEV
para, então, receber a melhor profilaxia para cada caso específico. Em relação à
extensão da profilaxia (especialmente a química), para pacientes no pós-alta, ainda não
há subsídios que suportem a prescrição sistemática; sugere-se que os pacientes também
sejam categorizados na alta quanto ao risco trombótico e hemorrágico, sendo, dessa
forma, direcionados à melhor terapêutica, devendo ser todos orientados a se manter
ativos enquanto confinados em ambiente doméstico. No que concerne à utilização de doses
intermediárias ou terapêuticas de heparina para esses pacientes, ainda há controvérsia e
polêmica: a maioria considera utilizar dose profilática, enquanto uma minoria acha
razoável a utilização de dose plena ou intermediária para esse nicho de pacientes12.O conhecimento a respeito da resposta dessa doença a qualquer tipo de tratamento
sugerido está extremamente volúvel com renovação de conceitos diuturnamente, sendo
necessários muito critério e parcimônia na tomada de conduta, procurando sempre ter em
mente base científica palpável e sólida para não acarretar danos ao paciente.
Authors: Eduardo Ramacciotti; Leandro B Agati; Valéria C R Aguiar; Nelson Wolosker; João C Guerra; Roque P de Almeida; Juliana Cardoso Alves; Renato D Lopes; Thomas W Wakefield; Anthony J Comerota; Jeanine Walenga; Jawed Fareed Journal: Clin Appl Thromb Hemost Date: 2019 Jan-Dec Impact factor: 2.389
Authors: Behnood Bikdeli; Mahesh V Madhavan; David Jimenez; Taylor Chuich; Isaac Dreyfus; Elissa Driggin; Caroline Der Nigoghossian; Walter Ageno; Mohammad Madjid; Yutao Guo; Liang V Tang; Yu Hu; Jay Giri; Mary Cushman; Isabelle Quéré; Evangelos P Dimakakos; C Michael Gibson; Giuseppe Lippi; Emmanuel J Favaloro; Jawed Fareed; Joseph A Caprini; Alfonso J Tafur; John R Burton; Dominic P Francese; Elizabeth Y Wang; Anna Falanga; Claire McLintock; Beverley J Hunt; Alex C Spyropoulos; Geoffrey D Barnes; John W Eikelboom; Ido Weinberg; Sam Schulman; Marc Carrier; Gregory Piazza; Joshua A Beckman; P Gabriel Steg; Gregg W Stone; Stephan Rosenkranz; Samuel Z Goldhaber; Sahil A Parikh; Manuel Monreal; Harlan M Krumholz; Stavros V Konstantinides; Jeffrey I Weitz; Gregory Y H Lip Journal: J Am Coll Cardiol Date: 2020-04-17 Impact factor: 24.094
Authors: F A Klok; M J H A Kruip; N J M van der Meer; M S Arbous; D A M P J Gommers; K M Kant; F H J Kaptein; J van Paassen; M A M Stals; M V Huisman; H Endeman Journal: Thromb Res Date: 2020-04-10 Impact factor: 3.944
Authors: Ronald Lg Flumignan; Vinicius T Civile; Jéssica Dantas de Sá Tinôco; Patricia If Pascoal; Libnah L Areias; Charbel F Matar; Britta Tendal; Virginia Fm Trevisani; Álvaro N Atallah; Luis Cu Nakano Journal: Cochrane Database Syst Rev Date: 2022-03-04