Alexandre Pereira1,2, Leandro Franzoni1. 1. Universidade Federal do Rio Grande do Sul - Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde: Cardiologia e Ciências Cardiovasculares, Porto Alegre, RS - Brasil. 2. Hospital de Clínicas de Porto Alegre - Ambulatório de Cirurgia Vascular, Porto Alegre, RS - Brasil.
A atividade física desempenha um papel fundamental na melhora da capacidade funcional e da função cardiovascular na doença arterial periférica (DAP).[1] Existe relação direta entre a melhora do consumo de oxigênio de pico (VO2pico) e a redução do risco de mortalidade; além disso, a melhora dos sintomas relacionados à claudicação intermitente proporciona melhor qualidade de vida (QV).[2,3] No entanto, a avaliação do nível de atividade física é frequentemente realizada em estudos transversais, mostrando que um maior nível de atividade física está correlacionado com maior capacidade funcional, por exemplo. No entanto, os estudos não consideram a exposição em um determinado período, deixando em aberto se há alterações nos parâmetros de risco cardiovascular e níveis de atividade física nesses indivíduos após um acompanhamento. É o que Cucato et al.,[4] analisaram nesta edição dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia.Inicialmente, traremos as questões metodológicas do estudo, que teve início em 2015 e incluiu, na primeira fase, 268 pacientes. Após 2 anos de seguimento, 72 pacientes foram reavaliados na segunda fase. Diferentes parâmetros de risco cardiovascular e níveis de atividade física foram avaliados usando um acelerômetro triaxial GT3X+ (Actigraph, Pensacola, FL, EUA). Aqui é importante destacar o primeiro ponto positivo, que foi o uso de um acelerômetro para controlar os níveis de atividade física, pois muitos estudos utilizam um questionário para controlar o nível de atividade física.[5] Todos os pacientes foram orientados a usar o acelerômetro por 7 dias consecutivos, removendo-o apenas para dormir ou tomar banho. O aparelho foi fixado no lado direito do quadril e, para análise, foi necessário um mínimo de 10 horas de registro diário de atividade física. Foram considerados válidos aqueles que tiveram pelo menos 4 dias de atividade, 3 dias de semana e 1 dia de final de semana. Valorizamos muito essa parte, pois é um método simples que nos fornece informações de altíssima qualidade. Entre os diferentes parâmetros de risco cardiovascular, podemos destacar a pressão arterial, a modulação autonômica cardíaca e a rigidez arterial. Enquanto a capacidade funcional foi avaliada através do teste de caminhada de 6 minutos. Apesar de ser um teste extremamente seguro, eficaz e reprodutível, apresenta limitações, e aqui fica uma sugestão para estudos futuros que avaliem o VO2pico e suas variáveis por meio de um teste específico utilizando o protocolo de Gardner.[6-8]Em relação aos resultados, podemos destacar que os pacientes reduziram seus níveis de atividade física total durante esses 2 anos (2,257 ± 774,5 min/semana pré versus 2,041 ± 676,2 min/semana pós, p = 0,001). Algo importante e preocupante é que o índice tornozelo-braquial (ITB) também foi significativamente reduzido após o seguimento de dois anos (0,62 ± 0,20 pré versus 0,54 ± 0,20, p = 0,003). Por que esse resultado é preocupante? Alguns estudos mostram que o ITB é um marcador prognóstico em indivíduos com DAP; combinando isso com a redução dos níveis de atividade física, teremos um cenário alarmante para essa população. No presente estudo, a QV não foi avaliada; entretanto, em um cenário de piora de diferentes parâmetros, podemos especular que esses indivíduos provavelmente pioraram sua QV. Do ponto de vista dos parâmetros cardiovasculares, destacamos a piora da variabilidade da frequência cardíaca medida pelo desvio padrão dos intervalos RR (p < 0,001).Um dos pontos que chama muito a atenção é que não foi mencionado se os indivíduos da linha de base participaram de algum programa de treinamento físico, pois o grupo de pesquisa do Dr. Cucato é referência no Brasil e uma das referências no mundo em reabilitação de DAP.[9] Muitas vezes, quando os indivíduos participam de um programa de reabilitação, aumentam seus níveis de atividade física diária. No entanto, ao final do programa, a tendência é reduzir seus níveis de atividade física.[10] A mensagem do artigo é muito clara e nos faz pensar na importância do acompanhamento desses indivíduos ao longo do tempo. A DAP acaba sendo uma doença subdiagnosticada; ou seja, os indivíduos apresentam sintomas, mas muitas vezes não se importam, chegando a um nível crítico que gera diversas consequências negativas, como redução da capacidade funcional, piora da QV e piora dos parâmetros cardiovasculares. Novos estudos devem ser desenhados a priori para um longo acompanhamento desses indivíduos para que tenhamos mais informações sobre a evolução da doença e quais benefícios um maior nível de atividade física pode proporcionar.Physical activity plays a key role in improving functional capacity and cardiovascular function in peripheral arterial disease (PAD).[1] There is a direct relationship between the improvement in peak oxygen consumption (VO2peak) and the reduction in the risk of mortality; in addition, improving symptoms related to intermittent claudication provides a better quality of life (QoL).[2,3] However, the assessment of the level of physical activity is often carried out in transversal studies, showing that a higher level of physical activity is correlated with a greater functional capacity, for example. However, the studies do not consider exposure over a given period, leaving open whether there are changes in cardiovascular risk parameters and physical activity levels in these individuals after a follow-up. This is what Cucato et al.,[4] analyzed in this edition of the Arquivos Brasileiros de Cardiologia.Initially, we will bring the methodological study issues, which began in 2015 and included, in the first phase, 268 patients. After 2 years of follow-up, 72 patients were reassessed in the second phase. Different cardiovascular risk parameters and physical activity levels were evaluated using a GT3X+ triaxial accelerometer (Actigraph, Pensacola, FL, USA). Here it is important to highlight the first positive point, which was to use an accelerometer to control physical activity levels, since many studies use a questionnaire to control the level of physical activity.[5] All patients were instructed to use the accelerometer for 7 consecutive days, removing it only to sleep or shower. The device was fixed to the right side of the hip, and for analysis, a minimum of 10 hours of daily physical activity recording was required. Those who had at least 4 days of activity, 3 weekdays and 1 weekend day were considered valid. We highly value this part, as it is a simple method that provides us with extremely high-quality information.Among the different parameters of cardiovascular risk, we can highlight blood pressure, cardiac autonomic modulation and arterial stiffness. While the functional capacity was evaluated through the 6-minute walk test. Despite being an extremely safe, effective and reproducible test, it has limitations, and here is a suggestion for future studies to evaluate VO2peak and its variables through a specific test using the Gardner protocol.[6-8]Regarding the results, we can highlight that the patients reduced their total physical activity levels during these 2 years (2.257 ± 774.5 min/week pre versus 2.041 ± 676.2 min/week post, p = 0.001). Something important and worrying is that the ankle-brachial index (ABI) was also significantly reduced after the two-year follow-up (0.62 ± 0.20 pre versus 0.54 ± 0.20, p = 0.003). Why is this result worrying? Some studies show that the ABI is a prognostic marker in individuals with PAD; combining this with a reduction in physical activity levels, we will have an alarming scenario for this population. In the present study, QoL was not evaluated; however, in a worsening scenario of different parameters, we can speculate that these individuals probably worsened their QoL. From the perspective of cardiovascular parameters, we will highlight the worsening of heart rate variability measured by the standard deviation of RR intervals (p < 0.001).One of the points that draws much attention is that it was not mentioned whether the individuals in the baseline participated in any physical training program since Dr. Cucato's research group is the reference in Brazil and one of the references in the world on PAD rehabilitation.[9] Often, when individuals participate in a rehabilitation program, they increase their daily physical activity levels. However, at the end of the program, the tendency is to reduce their physical activity levels.[10] The article's message is very clear, and it makes us think about the importance of monitoring these individuals over time. PAD ends up being an underdiagnosed disease; that is, individuals have symptoms but often do not care, reaching a critical level that generates several negative consequences, such as reduced functional capacity, worsening of QOL and worsening of cardiovascular parameters. New studies must be designed a priori for a long follow-up of these individuals so that we will have more information about the evolution of the disease and what benefits a higher level of physical activity can provide.
Authors: Marcel Chehuen; Gabriel G Cucato; Celso Ricardo F Carvalho; Raphael M Ritti-Dias; Nelson Wolosker; Anthony S Leicht; Cláudia Lúcia M Forjaz Journal: J Sci Med Sport Date: 2017-03-21 Impact factor: 4.319
Authors: Terence Kavanagh; Donald J Mertens; Larry F Hamm; Joseph Beyene; Johanna Kennedy; Paul Corey; Roy J Shephard Journal: J Am Coll Cardiol Date: 2003-12-17 Impact factor: 24.094
Authors: Terence Kavanagh; Donald J Mertens; Larry F Hamm; Joseph Beyene; Johanna Kennedy; Paul Corey; Roy J Shephard Journal: Circulation Date: 2002-08-06 Impact factor: 29.690
Authors: Louisa G Sylvia; Emily E Bernstein; Jane L Hubbard; Leigh Keating; Ellen J Anderson Journal: J Acad Nutr Diet Date: 2013-11-28 Impact factor: 4.910