Marcia Koike1,2, Luciana Aikawa2,3. 1. LIM-51 - Laboratório de Investigação médica da Disciplina de Emergências Clínicas - Departamento de Clínica Médica, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), São Paulo, SP - Brasil. 2. Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Instituto de Assistência Médica do Servidor Público Estadual (IAMSPE), São Paulo, SP - Brasil. 3. Ambulatório de Acupuntura, Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM), São Paulo, SP - Brasil.
O impacto da pandemia de SARS-Cov2 atingiu o mundo de forma rápida e avassaladora, e colocou em evidência os heróis de capa branca: os profissionais da saúde. Foram mais de dois anos de trabalhos ininterruptos, enfrentando diversos desafios e conflitos externos e internos para preservar a vida do paciente, dos seus colegas, de seus familiares e a própria. Um cenário complicado, não somente pela sobrecarga de demanda profissional, mas também pelo desconhecimento cientifico do que estávamos enfrentando. Cientistas de todo mundo somaram suas forças para divulgação das evidências cientificas e, em paralelo, as sociedades médicas se mobilizaram para otimizar procedimentos de atendimentos com proteção ao profissional atuante.[1]O estresse e a síndrome de Burnout fazem parte das doenças ocupacionais em profissionais de saúde.[2] No entanto, o cenário peculiar da Covid-19 mostrou que apesar de não ser fácil estar na linha de frente no combate ao SARS-CoV2, pelo grau elevado de estresse e exaustão em enfermeiros e médicos demonstrado em estudos, as estratégias comportamentais individuais e sociais/coletivas podem ajudar.[3-6] Este minieditorial é dedicado às médicas.Elas que, além dos desafios nos papéis de mulher, mãe, filha, amiga, companheira, dona de casa, e tantos outros, também se esforçaram em jornadas exaustivas para cuidado do paciente. No estudo de Oliveira et al.,[7]
as mulheres, que têm historicamente dupla jornada de trabalho, viram-se em Burnout durante a Pandemia de SARS-Cov2 no Brasil. Foram muitas demandas acumuladas, como jornadas de trabalho em dois ou três locais diferentes, afazeres domésticos, pouco tempo de lazer e perda salarial, mas se empenharam também em se manter criativas e manter sua boa qualidade de vida. Mais que médicas, verdadeiras Mulheres Maravilha, buscaram na espiritualidade, o conforto, a segurança e a redução do estresse.A pandemia trouxe à tona desafios que requerem reflexão sobre nosso estilo de vida e como eles impactam na qualidade de vida. As médicas demonstram bravura, coragem e determinação, mas carecem ainda de mais cuidados com o bem-estar. As estratégias de enfrentamento de situações difíceis e cultivo de bem-estar devem ser implementadas nos centros médicos para que seus colaboradores possam praticá-las e vivenciá-las. Além dos exercícios físicos e dieta equilibrada, as ferramentas comportamentais como cultivo de pensamentos positivos e o sentimento de gratidão, praticar as diversas formas de meditação, Yoga, Tai Chi ou outras práticas similares pela natureza podem também aquietar a mente e reduzir o estresse.[8-10]The impact of the SARS-Cov2 pandemic hit the world quickly and overwhelmingly and highlighted the heroes of the white cover: healthcare professionals. It took more than two years of uninterrupted work, facing various challenges and external and internal conflicts to preserve the patient’s life, colleagues, their families and themselves. A complicated scenario, not only due to the overload of professional demand but also the scientific lack of knowledge of what we were facing. Scientists worldwide have joined forces to disseminate scientific evidence, and, at the same time, medical societies have mobilized to optimize care procedures with protection for active professionals.[1]Stress and Burnout syndrome are part of occupational diseases in health professionals.[2] However, the particular scenario of Covid-19 has shown that although it is not easy to be on the front lines in the fight against SARS-CoV2, nurses and doctors demonstrated high stress and exhaustion in studies, so behavioral/collective strategies can help.[3-6] This mini-editorial is dedicated to female doctors.In addition to the challenges in the roles of woman, mother, daughter, friend, companion, housewife and many others, they also struggled in exhausting journeys to take care of the patient. In the study by Oliveira et al.,[7] women, who historically have a double shift, found themselves in Burnout during the SARS-cov2 Pandemic in Brazil. There were many accumulated demands, such as working hours in two or three different places, household chores, little leisure time and loss of salary, but they also struggled to maintain creativity and maintain a good quality of life. More than doctors, true Wonder Women sought spirituality, comfort, safety and stress reduction.The pandemic has brought to light challenges that require reflection on our lifestyle and how they impact our quality of life. Doctors demonstrate bravery, courage and determination but still need more care for their well-being. Strategies to deal with difficult situations and cultivate well-being must be implemented in medical centers so their employees can experience and practice them. In addition to physical exercise and a balanced diet, behavioral tools such as cultivating positive thoughts and feelings of gratitude, practicing different forms of meditation, Yoga, Tai Chi or other practices similar can also calm the mind and reduce stress.[8-10]
Authors: Ronald Fischer; Paulo Mattos; Cassiano Teixeira; Daniel S Ganzerla; Regis Goulart Rosa; Fernando A Bozza Journal: JAMA Netw Open Date: 2020-12-01