Literature DB >> 34932759

COVID-19 and race/color disparity: a brief analysis of the indigenous population in a state in the Brazilian Amazon.

Arthur Arantes da Cunha1, Rodolfo Antonio Corona1, Emerson Augusto Castilho-Martins1.   

Abstract

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Year:  2021        PMID: 34932759      PMCID: PMC8664283          DOI: 10.31744/einstein_journal/2021CE6734

Source DB:  PubMed          Journal:  Einstein (Sao Paulo)        ISSN: 1679-4508


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Dear Editor, After more than one year of the first case of the coronavirus disease 2019 (COVID-19) caused by severe acute respiratory syndrome coronavirus 2 (SARS-CoV-2), in Brazil,( race/color disparity among affected individuals has great epidemiological relevance in the country.( In this context, indigenous individuals have shown significant vulnerability to SARS-CoV-2.( A seroprevalence survey for SARS-CoV-2 showed prevalence among natives of 6.4%, which is much higher than among whites (1.4%).( In the United States, an expressive unequal relation has also been described among American Indians and Alaska Natives, when compared with the non-Hispanic white population.( Although there are studies on the vulnerability of minority groups,( few studies on COVID-19 have been conducted exclusively among Brazilian indigenous. Therefore, we used data from the State Department of Health of Amapá( and from the Brazilian Institute of Geography and Statistics Automatic Retrieval System,( to perform an ecological analysis of the occurrence of COVID-19 in the indigenous and non-indigenous population of Amapá (1°16’50.1”N 51°52’58.6”W). Amapá, a Brazilian state with a population of approximately 860 thousand inhabitants, marked by a history of low socioeconomic development, and located on the left bank of the Amazon River, is one of the regions most affected by SARS-CoV-2 in Brazil.( Excluding the cases in which race/skin color of the individual was ignored, between March 20, 2020 and April 29, 2021, a total of 72,913 cases of COVID-19 were recorded in Amapá. Of this total, 4,511 (6.19%) were indigenous and 68,402 (93.81%) were non-indigenous.( Considering the distribution according to race/color of the population,( the number of cases reported among indigenous people was higher than among non-indigenous people, given the expected frequencies (χ2=1,7120.4; df=1; p value=0.0001). Furthermore, the cumulative incidence of COVID-19 in indigenous people was approximately 5.6-fold higher than among non-indigenous people (Table 1).
Table 1

Number of cases and cumulative incidences of COVID-19 among indigenous and non-indigenous people. State of Amapá, Brazilian Amazon, March 20, 2020 to April 29, 2021

VariableObserved frequency* (expected)χ2 (p value)
Cases of COVID-19  
Indigenous4,511 (809)1,7120.4 (0.0001)
Non-indigenous68,402 (72,104)
Incidence accumulated during the periodPer 10,000 residentsDifference %
Indigenous4,481.9458.1
Non-indigenous803.1
Population of the state of AmapáDistribution %
Indigenous1.11
Non-indigenous98.89

* Quantity of registered COVID-19 cases that had ‘race/skin color’ record; † Expected frequency of compliance χ2 test, in reference to the proportion of the population of the state of Amapá; ‡ compliance χ2 test.

* Quantity of registered COVID-19 cases that had ‘race/skin color’ record; † Expected frequency of compliance χ2 test, in reference to the proportion of the population of the state of Amapá; ‡ compliance χ2 test. This discrepancy in COVID-19 infection between indigenous and non-indigenous people in Amapá is possibly due to the susceptibility of indigenous people to SARS-CoV-2, which may be mediated by socioeconomic, sociodemographic, and/or genetic factors.( Thus, ethnic minorities in contexts of low social development, as is the situation of much of the population of Amapá, may have a greater chance of infection, as well as of developing more severe cases of COVID-19.( In Amapá, approximately 20% of indigenous people live in urban areas (https://indigenas.ibge.gov.br/estudos-especiais-3.html), and large parts of this indigenous population residing in cities, as well as an important part of the general population of the state, live in subnormal agglomerations, with low per capita income, and lack of sanitation and medical-hospital services.( Regarding indigenous villagers, it should be noted that in Brazil, even during the pandemic, illegal miners and loggers continued to operate on indigenous lands, which might have increased the possibility of exposure to SARS-CoV-2 and the occurrence of outbreaks of the disease.( Therefore, there is a great disparity in the occurrence of COVID-19 between indigenous and non-indigenous people in the state of Amapá. It is suggested that individual studies be conducted to investigate this relation of vulnerability. Furthermore, it is necessary that government authorities improve the support measures for the indigenous population of the state, with more extensive vaccination and social and health support for indigenous people, regardless of their place of residence. Caro Editor, Após mais de 1 ano do primeiro caso da doença pelo coronavírus 2019 (COVID-19), causada pelo coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2), no Brasil,( as disparidades segundo a raça/cor dos indivíduos acometidos apresentam grande relevância epidemiológica no país.( Nesse contexto, os indígenas apresentaram importante vulnerabilidade ao SARS-CoV-2.( Um inquérito de soroprevalência para SARS-CoV-2 demonstrou prevalência entre indígenas de 6,4%, ou seja, muito superior à prevalência entre brancos (1,4%).( Nos Estados Unidos, relação desigual expressiva também foi descrita entre indígenas americanos e nativos do Alasca, quando comparados à população branca não hispânica.( Embora existam estudos acerca da vulnerabilidade de grupos minoritários,( foram realizadas poucas pesquisas acerca da COVID-19 exclusivamente entre indígenas brasileiros. Nesse sentido, utilizamos dados da Secretaria de Estado da Saúde do Amapá( e do Sistema do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de Recuperação Automática,( para realizar uma análise ecológica do acometimento pela COVID-19 da população indígena e da população não indígena no Amapá (1°16’50.1”N 51°52’58.6”W). O Amapá é um estado brasileiro com população de aproximadamente 860 mil habitantes, marcado por um histórico de baixo desenvolvimento socioeconômico, e localizado à margem esquerda do rio Amazonas, sendo uma das regiões mais acometidas pelo SARS-CoV-2 no Brasil.( Dessa forma, excluindo-se os casos em que raça/cor do indivíduo foi ignorada, registraram-se 72.913 casos de COVID-19, entre 20 de março de 2020 e 29 de abril de 2021 no Amapá. Desse total, 4.511 (6,19%) eram indígenas e 68.402 (93,81%) não indígenas.( Considerando-se a distribuição segundo raça/cor da população,( o número de casos registrados entre indígenas foi maior que entre não indígenas, dadas as frequências esperadas (χ2=1.7120,4; df=1; valor de p=0,0001). Ademais, a incidência acumulada de COVID-19 em indígenas foi aproximadamente 5,6 vezes maior que entre não indígenas (Tabela 1).
Tabela 1

Quantitativo de casos e incidências acumuladas de COVID-19 entre indígenas e não indígenas. Estado do Amapá, Amazônia brasileira, 20 de março de 2020 a 29 de abril de 2021

VariávelFrequência observada* (esperada)χ2 (Valor de p)‡
Casos de COVID-19  
Indígenas4.511 (809)1.7120,4 (0,0001)
Não indígenas68.402 (72.104)
Incidência acumulada no períodoPor 10.000 residentesDiferença %
Indígenas4.481,9458,1
Não indígenas803,1
População do estado do AmapáDistribuição %
Indígenas1,11
Não indígenas98,89

* Quantitativo de casos de COVID-19 registrado que possuíam notificação de ‘raça/cor’; † frequência esperada do teste χ2 de aderência, com referência na proporção da população do estado do Amapá; ‡ teste χ2 de aderência.

* Quantitativo de casos de COVID-19 registrado que possuíam notificação de ‘raça/cor’; † frequência esperada do teste χ2 de aderência, com referência na proporção da população do estado do Amapá; ‡ teste χ2 de aderência. Essa discrepância no acometimento pela COVID-19 entre indígenas e não indígenas no Amapá é, possivelmente, devida a uma suscetibilidade dos indígenas ao SARS-CoV-2, que pode ser mediada por fatores socioeconômicos, sociodemográficos e/ou genéticos.( Dessa forma, destaca-se que minorias étnicas, em contextos de baixo desenvolvimento social, como é a situação de grande parte da população do Amapá, podem apresentar maior chance de infecção, assim como de desenvolver quadros mais graves da COVID-19.( No Amapá, aproximadamente 20% dos indígenas residem em zonas urbanas (https://indigenas.ibge.gov.br/estudos-especiais-3.html), sendo que grande parte dessa população indígena residente nas cidades, assim como importante parcela da população geral do estado vive em aglomerados subnormais de habitação, com baixa renda per capita e carência de serviços sanitários e médico-hospitalares.( Quanto aos indígenas aldeados, ressalta-se que, no Brasil, mesmo durante a pandemia, garimpos e madeireiros ilegais continuaram a atuar em terras indígenas, o que pode ter aumentado a possibilidade de exposição ao SARS-CoV-2 e a ocorrência de surtos da doença.( Portanto, é grande a disparidade no acometimento pela COVID-19 entre indígenas e não indígenas no estado do Amapá. Sugere-se a elaboração de estudos individuados que investiguem essa relação de vulnerabilidade. Ademais, é necessário que as autoridades governamentais aprimorem as medidas de suporte à população indígena do estado, com maior amplitude da vacinação e apoio social e em saúde aos indígenas, independentemente do local de residência.
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1.  COVID-19 among American Indians and Alaska Natives.

Authors:  Talha Burki
Journal:  Lancet Infect Dis       Date:  2021-03       Impact factor: 25.071

2.  Association of Race and Ethnicity with COVID-19 Test Positivity and Hospitalization Is Mediated by Socioeconomic Factors.

Authors:  Hayley B Gershengorn; Samira Patel; Bhavarth Shukla; Prem R Warde; Monisha Bhatia; Dipen Parekh; Tanira Ferreira
Journal:  Ann Am Thorac Soc       Date:  2021-08

3.  Epidemiologic and clinical features of patients with COVID-19 in Brazil.

Authors:  Vanessa Damazio Teich; Sidney Klajner; Felipe Augusto Santiago de Almeida; Anna Carolina Batista Dantas; Claudia Regina Laselva; Mariana Galvani Torritesi; Tatiane Ramos Canero; Otávio Berwanger; Luiz Vicente Rizzo; Eduardo Pontes Reis; Miguel Cendoroglo Neto
Journal:  Einstein (Sao Paulo)       Date:  2020-08-14

4.  SARS-CoV-2 antibody prevalence in Brazil: results from two successive nationwide serological household surveys.

Authors:  Pedro C Hallal; Fernando P Hartwig; Bernardo L Horta; Mariângela F Silveira; Claudio J Struchiner; Luís P Vidaletti; Nelson A Neumann; Lucia C Pellanda; Odir A Dellagostin; Marcelo N Burattini; Gabriel D Victora; Ana M B Menezes; Fernando C Barros; Aluísio J D Barros; Cesar G Victora
Journal:  Lancet Glob Health       Date:  2020-09-23       Impact factor: 26.763

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1.  The Genomic Profile Associated with Risk of Severe Forms of COVID-19 in Amazonian Native American Populations.

Authors:  Lucas Favacho Pastana; Thays Amâncio Silva; Laura Patrícia Albarello Gellen; Giovana Miranda Vieira; Letícia Almeida de Assunção; Luciana Pereira Colares Leitão; Natasha Monte da Silva; Rita de Cássia Calderaro Coelho; Angélica Leite de Alcântara; Lui Wallacy Morikawa Souza Vinagre; Juliana Carla Gomes Rodrigues; Diana Feio da Veiga Borges Leal; Marianne Rodrigues Fernandes; Sandro José de Souza; José Eduardo Kroll; André Mauricio Ribeiro-Dos-Santos; Rommel Mario Rodríguez Burbano; João Farias Guerreiro; Paulo Pimentel de Assumpção; Ândrea Campos Ribeiro-Dos-Santos; Sidney Emanuel Batista Dos Santos; Ney Pereira Carneiro Dos Santos
Journal:  J Pers Med       Date:  2022-04-01

2.  Characterization of demographic data, clinical signs, comorbidities, and outcomes according to the race in hospitalized individuals with COVID-19 in Brazil: An observational study.

Authors:  Nathália Ms Sansone; Matheus N Boschiero; Felipe E Valencise; Camila Vc Palamim; Fernando Al Marson
Journal:  J Glob Health       Date:  2022-07-25       Impact factor: 7.664

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