Sergio Timerman1, Thatiane Facholi Polatri1. 1. Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, São Paulo, SP - Brasil.
Desde os primórdios grandes pesquisadores trabalhavam para estimar qual seria a melhor técnica para manutenção do fluxo sanguíneo corpóreo de uma vítima em PCR. Foram aplicadas várias técnicas, como por exemplo: Método do trotar e rolamento sobre barril.[1] A técnica de compressões torácicas externa foi concebida em 1960, a partir da observação feita por Kouwenhoven, Jude e Knickerbocker[2] de que a compressão sobre o terço inferior do esterno, feita adequadamente, fornecia uma circulação artificial suficiente para manter a vida em animais e seres humanos com parada cardíaca. Desde então, muitos estudos foram realizados a fim de aprimorar qual seria a profundidade e frequência de compressões apropriadas para manter a perfusão coronariana em nível adequado, colaborando para o retorno da circulação espontânea.De acordo com as publicações das diretrizes mundiais de 2020,[3] a realização de compressões de alta qualidade refere-se à realização de compressões a uma frequência de 100 -120 por minuto, profundidade de 5-6cm, retornar o tórax a posição normal entre as compressões minimizar interrupções nas compressões e evitar ventilação excessiva. Neste sentido, surge uma grande questão: entendemos quais são os parâmetros da realização de boas compressões, que colaboram significativamente no aumento da sobrevivência de vítimas de PCR. Porém, como garantir que profissionais da saúde e público em geral consiga aprender a técnica e reter este aprendizado, a ponto de reproduzi-lo em uma situação real de emergência?A tecnologia e a simulação para educar a ressuscitação ganharam importância crescente, promovendo mudanças na forma como os treinamentos são realizados, uma vez que o treinamento em simuladores possibilita ao aluno que a mesma técnica seja repetida diversas vezes, desenvolvendo assim a competência necessária.[4,5]Nesta edição dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, Moretti et al.,[6] apresentaram um estudo prospectivo caso controle, onde foi avaliado 50 estudantes de medicina em habilidades de suporte básico de vida. Eles foram avaliados no desempenho das habilidades imediatamente após o curso e 06 meses depois. O número de etapas cumpridas de forma correta após seis meses foi significativamente menor que logo após o curso (10,8 vc 12,5 p< 0,001).A principal questão para reflexão ao ler este artigo é: como manter a retenção do aprendizado das habilidades de RCP? Segundo as diretrizes de educação em ressuscitação da European Resuscitation Council,[4] as habilidades de SBV decaem dentro de 3 a 12 meses após a educação inicial em RCP, mas as competências de ressuscitação são mais bem mantidas se o treinamento e o retreinamento forem distribuídos ao longo do tempo, entre dois e doze meses.Neste sentido, a tendência atual nos treinamentos em emergências se baseia no novo conceito de “low-dose and high frequence” - baixa dosagem e alta frequência, que utiliza uma abordagem de desenvolvimento e promoção da máxima retenção do conhecimento clínico, habilidades e atitudes. O treinamento conta com as atividades de aprendizagem baseadas em simulações curtas e específicas, espaçadas ao longo do tempo e reforçadas com sessões práticas estruturadas e contínuas no local de trabalho.[7]Outra proposta é a utilização de dispositivos de feedback durante o treinamento de ressuscitação, Estes dispositivos são providos de recursos audiovisuais, que permitem o acompanhamento do desempenho na realização da RCP, em relação a diversos parâmetros, como: frequência e profundidade das compressões, fração de compressão, frequência e volume das ventilações, entre outros.[8]Uma revisão sistemática publicada em 2021,[9] sobre a melhoria da qualidade da RCP, utilizando dispositivos de feedback, concluiu que estes dispositivos melhoram a aquisição de habilidades e o desempenho de RCP durante o treinamento de profissionais de saúde.Assim, a leitura deste estudo nos traz uma reflexão sobre o presente e futuro dos treinamentos em ressuscitação. Mais ainda, como os serviços e universidades de saúde podem implementar melhores práticas educacionais, que levam a melhores resultados para o paciente após a parada cardíaca. Isto é a nossa prioridade máxima: salvar vidas!Since the beginning, great researchers have been working on estimating the best technique for maintaining the body blood flow of a victim undergoing CPA. Several techniques were applied, such as the Trotting method and rolling over a barrel.[1] The technique of external chest compressions was conceived in 1960, based on the observation made by Kouwenhoven, Jude, and Knickerbocker[2] that adequate compression on the lower third of the sternum provided sufficient artificial circulation to sustain life in animals and humans with cardiac arrest. Since then, many studies have been carried out to improve the depth and frequency of appropriate compressions to maintain coronary perfusion at an adequate level, contributing to the return of spontaneous circulation.According to the 2020[3] worldwide guidelines publications, performing high-quality compressions refers to performing compressions at a frequency of 100 -120 per minute, depth of 5-6cm, returning the chest to the normal position between compression minimize interruptions in compressions avoiding excessive ventilation. In this sense, a big question arises: do we understand the parameters for performing good compressions, which significantly increase the survival of CPA victims? However, how to ensure that health professionals and the general public can learn the technique and retain this learning to the point of reproducing it in an actual emergency?The technology and simulation to educate resuscitation have gained increasing importance, promoting changes in the way training is conducted, as training in simulators enables the student that the same technique be repeated several times, thus developing the necessary competence.[4,5]In this issue of the Brazilian Archives of Cardiology, Moretti et al.[6] presented a prospective case-control study, where 50 medical students were evaluated in basic life support skills. They were assessed on skill performance immediately after the course and 06 months later. The number of steps correctly completed after six months was significantly lower than right after the course (10.8 vc 12.5 p<0.001).When reading this article, the main question for reflection is: how to maintain the retention of learning CPR skills? According to the resuscitation education guidelines of the European Resuscitation Council,[4] BLS skills decay within 3 to 12 months after initial CPR education. Still, resuscitation skills are better maintained if training and retraining are distributed throughout the period between two and twelve months.In this sense, the current trend in emergency training is based on the new concept of “low-dose and high frequency” – low dose and high frequency, which uses an approach of developing and promoting maximum retention of clinical knowledge, skills and attitudes. The training relies on learning activities based on short, specific simulations over time and is reinforced with structured and continuous practical sessions in the workplace.[7]Another proposal is the use of feedback devices during resuscitation training. These devices are provided with audiovisual resources, which allow the monitoring of performance in performing CPR, in relation to several parameters, such as: frequency and depth of compressions, compression fraction, frequency and volume of ventilations, among others.[8]A systematic review published in 2021,[9] on improving the quality of CPR using feedback devices concluded that these devices improve CPR skill acquisition and performance during the training of healthcare professionals.Thus, reading this study brings us a reflection on the present and future of resuscitation training. Furthermore, health services and universities can implement better educational practices that lead to better patient outcomes after cardiac arrest. This is our top priority: saving lives!
Authors: Robert Greif; Andrew Lockey; Jan Breckwoldt; Francesc Carmona; Patricia Conaghan; Artem Kuzovlev; Lucas Pflanzl-Knizacek; Ferenc Sari; Salma Shammet; Andrea Scapigliati; Nigel Turner; Joyce Yeung; Koenraad G Monsieurs Journal: Resuscitation Date: 2021-03-24 Impact factor: 5.262
Authors: Claudia Bernoche; Sergio Timerman; Thatiane Facholi Polastri; Natali Schiavo Giannetti; Adailson Wagner da Silva Siqueira; Agnaldo Piscopo; Alexandre de Matos Soeiro; Amélia Gorete Afonso da Costa Reis; Ana Cristina Sayuri Tanaka; Ana Maria Thomaz; Ana Paula Quilici; Andrei Hilário Catarino; Anna Christina de Lima Ribeiro; Antonio Carlos Pereira Barreto; Antonio Fernando Barros de Azevedo Filho; Antonio Pazin Filho; Ari Timerman; Bruna Romanelli Scarpa; Bruno Timerman; Caio de Assis Moura Tavares; Cantidio Soares Lemos Martins; Carlos Vicente Serrano Junior; Ceila Maria Sant'Ana Malaque; Cristiano Faria Pisani; Daniel Valente Batista; Daniela Luana Fernandes Leandro; David Szpilman; Diego Manoel Gonçalves; Edison Ferreira de Paiva; Eduardo Atsushi Osawa; Eduardo Gomes Lima; Eduardo Leal Adam; Elaine Peixoto; Eli Faria Evaristo; Estela Azeka; Fabio Bruno da Silva; Fan Hui Wen; Fatima Gil Ferreira; Felipe Gallego Lima; Felipe Lourenço Fernandes; Fernando Ganem; Filomena Regina Barbosa Gomes Galas; Flavio Tarasoutchi; Germano Emilio Conceição Souza; Gilson Soares Feitosa Filho; Gustavo Foronda; Helio Penna Guimarães; Isabela Cristina Kirnew Abud; Ivanhoé Stuart Lima Leite; Jaime Paula Pessoa Linhares Filho; João Batista de Moura Xavier Moraes Junior; João Luiz Alencar de Araripe Falcão; Jose Antônio Franchini Ramires; José Fernando Cavalini; José Francisco Kerr Saraiva; Karen Cristine Abrão; Lecio Figueira Pinto; Leonardo Luís Torres Bianchi; Leonardo Nícolau Geisler Daud Lopes; Leopoldo Soares Piegas; Liliane Kopel; Lucas Colombo Godoy; Lucia Tobase; Ludhmila Abrahão Hajjar; Luís Augusto Palma Dallan; Luiz Fernando Caneo; Luiz Francisco Cardoso; Manoel Fernandes Canesin; Marcelo Park; Marcia Maria Noya Rabelo; Marcus Vinícius Bolívar Malachias; Maria Aparecida Batistão Gonçalves; Maria Fernanda Branco de Almeida; Maria Francilene Silva Souza; Maria Helena Sampaio Favarato; Maria Julia Machline Carrion; Maria Margarita Gonzalez; Maria Rita de Figueiredo Lemos Bortolotto; Milena Frota Macatrão-Costa; Mônica Satsuki Shimoda; Mucio Tavares de Oliveira-Junior; Nana Miura Ikari; Oscar Pereira Dutra; Otávio Berwanger; Patricia Ana Paiva Corrêa Pinheiro; Patrícia Feitosa Frota Dos Reis; Pedro Henrique Moraes Cellia; Raul Dias Dos Santos Filho; Renan Gianotto-Oliveira; Roberto Kalil Filho; Ruth Guinsburg; Sandrigo Managini; Silvia Helena Gelas Lage; So Pei Yeu; Sonia Meiken Franchi; Tania Shimoda-Sakano; Tarso Duenhas Accorsi; Tatiana de Carvalho Andreucci Leal; Vanessa Guimarães; Vanessa Santos Sallai; Walkiria Samuel Ávila; Yara Kimiko Sako Journal: Arq Bras Cardiol Date: 2019-10-10 Impact factor: 2.000
Authors: Ashish R Panchal; Jason A Bartos; José G Cabañas; Michael W Donnino; Ian R Drennan; Karen G Hirsch; Peter J Kudenchuk; Michael C Kurz; Eric J Lavonas; Peter T Morley; Brian J O'Neil; Mary Ann Peberdy; Jon C Rittenberger; Amber J Rodriguez; Kelly N Sawyer; Katherine M Berg Journal: Circulation Date: 2020-10-21 Impact factor: 29.690