Literature DB >> 34495217

Statin Use Improves Cardiometabolic Protection Promoted By Physical Training in an Aquatic Environment: A Randomized Clinical Trial.

Rochelle Rocha Costa1, Alexandra Ferreira Vieira1, Leandro Coconcelli1, Alex de Oliveira Fagundes1, Adriana Cristine Koch Buttelli1, Laura Frances Pereira1, Ricardo Stein1,2, Luiz Fernando Martins Kruel1.   

Abstract

BACKGROUND: Statin use is highlighted as the most commonly utilized therapy for the treatment of dyslipidemias and can be considered as the most efficient pharmacological intervention for low-density lipoprotein (LDL) reduction. On the other hand, physical training can be considered an efficient and safe non-pharmacological strategy to promote improvements in lipid profile. However, the influence of statins on lipid adaptations arising from water-based training in populations with dyslipidemia is not known.
OBJECTIVES: To analyze the influence of simvastatin use on lipid adaptations arising from water-based aerobics and resistance training in elderly women with dyslipidemia.
METHODS: Sixty-nine elderly (66.13 ± 5.13 years), sedentary, and dyslipidemic women, both non-users and users of simvastatin (20 mg and 40 mg), were randomized into the following 3 groups: water-based aerobic training (WA), water-based resistance training (WR), and control group (CG). Total duration of interventions, for all experimental groups consisted of 10 weeks, with 2 weekly sessions. Biochemical analyses were performed before the beginning of the interventions and repeated after the end of the trial. Generalized estimating equations were used to compare these data, setting α = 0.05.
RESULTS: In intention-to-treat analysis, the medicated participants obtained a greater magnitude of decrease in total cholesterol (TC) (-3.41 to -25.89 mg.dl-1; p = 0.038), LDL (-5.58 to -25.18 mg.dl-1; p = 0.007) and TC/HDL ratio (-0.37 to -0.61; p = 0.022) when compared to the non-medicated participants, and this decrease was statistically significant only in the WR group.
CONCLUSIONS: Statin use enhances the adaptations promoted by water-based physical training in CT, LDL levels, and CT/HDL ratio, and it is more pronounced after WR.

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Year:  2021        PMID: 34495217      PMCID: PMC8395802          DOI: 10.36660/abc.20200197

Source DB:  PubMed          Journal:  Arq Bras Cardiol        ISSN: 0066-782X            Impact factor:   2.000


Introdução

As dislipidemias são distúrbios do metabolismo de lipídios, resultando em alterações nas lipoproteínas e lipídeos do sangue. Em mulheres idosas, os níveis reduzidos de estrogênio, que acompanham a pós-menopausa, podem favorecer o desenvolvimento da dislipidemia e contribuir para o aumento do risco cardiovascular. A terapia com estatinas é o tratamento mais comumente usado e é considerada a intervenção farmacológica mais eficiente para a redução da lipoproteína de baixa densidade (LDL)., No entanto, vários eventos adversos estão associados ao seu uso, incluindo miopatia, que surge como um efeito colateral preocupante. Porém, o treinamento físico é considerado uma estratégia não farmacológica eficiente e segura para o tratamento das dislipidemias. Vários estudos demonstram adaptações favoráveis em lipídios e lipoproteínas em resposta ao treinamento aeróbico– e de resistência.– Contudo, evidências sugerem que as estatinas possam atenuar as melhorias decorrentes do treinamento de exercício em alguns componentes da aptidão física, como o condicionamento cardiorrespiratório e a força muscular, embora estes resultados sejam conflitantes. Está bem documentado que o tratamento isolado com estatinas ou o treinamento físico pode promover melhora do perfil lipídico, mas existem poucos estudos avaliando os seus efeitos associados. Coen et al. demonstraram que 10 semanas de treinamento combinado (aeróbico e de resistência) combinado com o uso diário de rosuvastatina não alterou os lipídios, em comparação com o uso de estatina sozinho. É importante ressaltar que o estudo não incluiu um grupo com apenas treinamento físico; portanto, seus efeitos isolados não foram investigados. Em contraste, Wittke comparou os efeitos do treinamento aeróbico com ou sem o uso de fluvastatina nos parâmetros lipídicos de homens com dislipidemia. Ambas as estratégias melhoraram os desfechos lipídicos, mas o treinamento aeróbico combinado com o uso da estatina foi mais eficiente na redução das concentrações de colesterol total (CT) e LDL. Os exercícios aquáticos realizados na posição ortostática estão entre as modalidades de exercícios mais prescritas para idosos., Adaptações fisiológicas específicas que surgem da imersão levam a um menor impacto articular; menor pressão arterial; maior volume sistólico, débito cardíaco e consumo de oxigênio; supressão do sistema renina-angiotensina;, maior liberação de peptídeo natriurético; e aumento da capacidade oxidativa., Essas adaptações resultam em benefícios importantes para pacientes idosos e para pacientes com dislipidemias. É, portanto, relevante conhecer os efeitos do treinamento aeróbico e de resistência em pacientes idosos com dislipidemia. Até onde sabemos, não existem estudos que investiguem a influência da sinvastatina nas adaptações lipídicas promovidas pelo treinamento físico aquático nesta população. Assim, este estudo teve como objetivo analisar a influência do uso de sinvastatina nas adaptações lipídicas decorrentes do treinamento aeróbico em meio aquático e de resistência em mulheres idosas com dislipidemia. A nossa hipótese foi que as participantes que receberam estatinas apresentariam maior magnitude de melhora nas concentrações de CT, triglicerídeos (TG) e LDL do que aquelas que não receberam estatinas.

Métodos

Amostra

A amostra foi composta por 69 mulheres idosas (66,13 ± 5,13 anos), sedentárias (sem atividades físicas regulares há pelo menos 3 meses), dislipidêmicas (CT > 200 mg.dl−1, LDL ≥ 130 mg.dl−1, TG ≥ 150 mg.dl−1 ou lipoproteína de alta densidade [HDL] < 40 mg.dl−1, isolados ou combinados) e não tabagistas. Para avaliar a influência do uso de estatinas nas adaptações lipídicas ao treinamento físico, mulheres que não estavam recebendo medicamentos para tratamento de dislipidemias e mulheres que estavam recebendo sinvastatina nas doses de 20 mg e 40 mg foram aceitas para compor o grupo não medicado (NMED) e o grupo medicado (MED), respectivamente. As participantes foram recrutadas em dezembro de 2015 e distribuídas aleatoriamente nos 3 grupos da maneira seguinte: treinamento aeróbico em meio aquático (WA; n = 23; 10 MED e 13 NMED), treinamento de força em meio aquático (WR; n = 23; 9 MED e 14 NMED) e controle (CG; n = 23; 9 MED e 14 NMED). Todas as participantes foram instruídas a não mudar seus hábitos alimentares e a não incluir exercícios adicionais além do prescrito nas intervenções aquáticas. As participantes foram alocadas nos 3 grupos de estudo por randomização estratificada usando uma lista aleatória gerada por computador. O valor do CT da linha de base foi usado como fator para o processo de randomização. A ocultação da alocação foi realizada por envelopes sequenciais, numerados, opacos e lacrados. Esse procedimento foi realizado por um pesquisador cego, a fim de manter o sigilo da alocação. O processo de randomização e alocação foi realizado após a conclusão das avaliações iniciais. Este estudo foi realizado de acordo com a Declaração de Helsinque e recebeu aprovação do Comitê de Ética do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (protocolo 140547). Todas as participantes leram e assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido antes de iniciar a sua participação no estudo. Todas as avaliações e treinamentos foram realizados de dezembro de 2015 a abril de 2016, na Escola de Educação Física, Fisioterapia e Dança da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Este ensaio foi registrado na Clinical Trials (protocolo NCT02900612).

Desenho do Estudo

O presente estudo foi desenhado como um ensaio clínico controlado randomizado de 3 braços em paralelo, com proporção de alocação de 1:1:1. Não foram realizadas mudanças nos métodos após o início do ensaio. Análises bioquímicas foram usadas para medir CT, LDL (desfechos primários), TG, níveis de HDL e a relação CT/HDL (desfechos secundários). Para identificar os hábitos alimentares das participantes, foi adotado um registro alimentar de 3 dias. Essas medidas foram realizadas antes do início das intervenções e repetidas 72 horas após o término do período de 10 semanas. Previamente ao início dos protocolos experimentais, foram realizadas medidas antropométricas para caracterizar a amostra.

Registro Alimentar

Para garantir que as participantes não alterassem seus hábitos alimentares, foi realizado um registro alimentar de 3 dias diferentes para monitorar os hábitos alimentares. Esse instrumento foi preenchido pelas próprias participantes, e os dados foram calculados por meio do software de nutrição Diet Win Professional (Brubins CAS, Brasil). Os teores de carboidratos (CHO), proteínas (PTN) e lipídios (LIP) foram expressos como porcentagem do valor energético total (VET) diário.

Avaliações Bioquímicas

Após jejum de 12 horas, 4 ml de sangue foram coletados da veia antecubital. As amostras foram centrifugadas a 1.500 rpm durante 20 minutos e o plasma extraído foi armazenado a −80 °C (ultra freezer NUAIRE, Plymouth, EUA). Um pesquisador cego às condições experimentais realizou a análise do perfil lipídico. Foram analisados CT, TG e HDL pelo método enzimático usando kits da Siemens (Caernarfon, EUA) e analisador químico automático Siemens Advia 1800 (Erlangen, Alemanha). Com base nesses valores, foram estimados os níveis de LDL de acordo com Friedewald et al. e foi calculada a relação CT/HDL.

Teste Incremental Aquático

Foi realizado o teste incremental para determinar a frequência cardíaca correspondente ao limiar anaeróbico (FCLA), que foi utilizada como indicador da intensidade do treinamento aeróbico, adotando-se o exercício de corrida estacionária. O teste foi realizado antes das sessões de treinamento e repetido na quinta semana de treinamento para a readequação desse parâmetro. O teste incremental já foi descrito em detalhe no estudo de Alberton et al. A determinação do FCLA foi realizada por 3 fisiologistas do exercício independentes, cegos e experientes. As discordâncias foram resolvidas por consenso.

Intervenções aquáticas

Antes do início dos treinamentos, os indivíduos que participaram dos grupos WA e WR realizaram 2 sessões de familiarização com os exercícios aquáticos utilizados no programa de treinamento, a fim de garantir a execução adequada dos movimentos. A duração total das intervenções para todos os grupos experimentais foi de 10 semanas, com 2 sessões semanais, resultando em um total de 20 sessões. O treinamento dos grupos WA e WR foi alterado após 5 semanas com a finalidade de aumentar a intensidade. As sessões de treinamento desses grupos tiveram a mesma estrutura geral, com duração total de 45 minutos, cada uma dividida da forma seguinte: aquecimento (8 minutos), parte principal (aproximadamente 30 minutos) e desaquecimento (7 minutos). Foi adotado o treinamento intervalado para o grupo WA, com intensidades variando de 90% a 100% da FCLA para o que denominamos o “período de estímulo” e 80% a 90% da FCLA para a recuperação. Foram realizados 6 blocos de 5 minutos, sendo 4 minutos destinados ao estímulo de treinamento e o outro 1 minuto para a recuperação. Durante as primeiras 5 semanas, adotamos 4 minutos em uma intensidade correspondente à FC variando entre 90% e 95% da FCLA, intercalados por 1 minuto entre 80% e 85% da FCLA; durante as últimas 5 semanas os sujeitos treinaram por 4 minutos entre 95% e 100% do FCLA e por 1 minuto entre 85% e 90% do FCLA durante a recuperação. O controle da intensidade do treinamento do grupo WA foi realizado por meio de monitores de FC (POLAR, FT1, Finlândia). Durante todo o período de treinamento, o grupo WR realizou os exercícios adotando a velocidade máxima de execução dos movimentos. Também mantiveram um tempo fixo de 1 minuto e 20 segundos para cada exercício. Os intervalos entre as séries foram ativos e realizados em uma intensidade autosselecionada muito leve. Durante as primeiras 5 semanas, foram realizadas 4 séries de 20 segundos, com intervalos de recuperação de 2 minutos e 45 segundos entre as séries. Durante as 5 semanas seguintes, 8 séries de 10 segundos foram realizadas com intervalos de 1 minuto e 40 segundos entre as séries. Os exercícios realizados pelos participantes dos grupos WA e WR já foram descritos detalhadamente por Costa et al. As participantes do GC realizaram um programa não periodizado de exercícios de relaxamento em imersão, a fim de manter a mesma quantidade de imersão semanal das participantes dos grupos WA e WR, com o objetivo de parear os efeitos fisiológicos da imersão nos desfechos lipídicos dos três grupos experimentais.

Análise Estatística

O tamanho da amostra foi determinado usando o software GPower (versão 3.1, Universität Düsseldorf, Alemanha) para um poder de cerca 0,80 (nível de significância de 0,05 e coeficiente de correlação de 0,8), com base nos dados da pesquisa de Volaklis, Spassis e Tokmakidis e Takeshima et al. Este cálculo mostrou que seriam necessárias 19 mulheres para cada grupo. Foram adotados os testes de Shapiro-Wilk e de Levene para análise da normalidade e da homogeneidade dos dados, respectivamente. Foram realizados a análise de variância unilateral (para variáveis escalares) e o teste do qui-quadrado (para variáveis categóricas) para comparar os dados dos três grupos (WA, WR e GC) na linha de base (caracterização da amostra). Estes dados foram apresentados como médias e intervalos de confiança de 95%. Foram usadas equações de estimativa generalizada (GEE) e testes post hoc de Bonferroni para comparar os dados de todas as variáveis dependentes (desfechos primários e secundários) e dos registros alimentares. Assim, os fatores adotados nesta análise foram “grupo” (WA, WR e GC) e “status de medicação” (medicado e não medicado). Estes dados foram apresentados como diferença média (valores pós-intervenção menos pré-intervenção) e intervalos de confiança de 95%, na análise por intenção de tratar. Além disso, foi calculado o tamanho do efeito (d de Cohen) a partir dos valores das diferenças médias entre WA e WR versus GC e classificado como pequeno (entre 0,2 e 0,5), moderado (entre 0,5 e 0,8) ou grande (0,8 ou mais). Esses resultados foram apresentados em médias e intervalos de confiança de 95%. Para todas as análises, o nível de significância foi estabelecido em α = 0,05 e foi utilizado o software estatístico SPSS (Statistical Package for Social Sciences for Mac, versão 22.0, IBM, EUA).

Resultados

Embora o experimento tenha começado com 69 mulheres aleatoriamente designadas para WA (n = 23), WR (n = 23) e GC (n = 23), 7 participantes retiraram-se do estudo durante o período de intervenção (3 do WA e 4 do GC), representando uma perda de 10%. Assim, 62 participantes concluíram as intervenções do estudo e completaram todas as avaliações (Figura 1). As participantes que completaram a intervenção tiveram frequência de atendimento acima de 95%, demonstrando adesão ao treinamento. As características de linha de base da amostra são apresentadas na Tabela 1.
Figura 1

Diagrama de fluxo mostrando o processo de inscrição das participantes, alocação, acompanhamento e análise.

Tabela 1

Características de linha de base dos grupos de treinamento aeróbico em meio aquático (WA), treinamento de força em meio aquático (WR) e de controle (GC)

WA (n=23) Média ± DP (IC 95%)WR (n=23) Média ± DP (IC 95%)GC (n=23) Média ± DP (IC 95%)valor p
Idade (anos)66,80 ± 5,51 (64,55 a 69,05)66,78 ± 5,80 (64,41 a 69,15)64,63 ± 5,87 (62,23 a 67,03)0,316
Peso corporal (kg)71,18 ± 11,40 (66,52 a 75,84)71,51 ± 15,72 (65,09 a 77,94)76,91 ± 17,79 (69,64 a 84,18)0,168
Altura (m)1,57 ± 0,06 (1,55 a 1,60)1,55 ± 0,06 (1,52 a 1,57)1,58 ± 0,07 (1,55 a 1,61)0,825
IMC (kg.m−2)28,83 ± 4,20 (27,12 a 30,55)29,88 ± 6,04 (27,41 a 32,35)30,91 ± 6,95 (28,07 a 33,75)0,207
Uso de estatina (n/%)10/439/399/390,639
Uso de estatina 20 mg (n/%)5/224/174/170,961
Uso de estatina 40 mg (n/%)5/225/225/220,961

IC: intervalo de confiança; IMC: índice de massa corporal. Foram obtidos os valores de p a partir de análise de variância unilateral (variáveis escalares) e do teste qui-quadrado (variáveis categóricas).

IC: intervalo de confiança; IMC: índice de massa corporal. Foram obtidos os valores de p a partir de análise de variância unilateral (variáveis escalares) e do teste qui-quadrado (variáveis categóricas). Considerando o registro alimentar, não houve efeitos significativos de grupo (VET p = 0,938; CHO p = 0,872; PTN p = 0,911; LIP p = 0,899) ou tempo (VET p = 0,708; CHO p = 0,790; PTN p = 0,799; LIP p = 0,819) e nenhuma interação significativa entre esses fatores (VET p = 0,803; CHO p = 0,801; PTN p = 0,873; LIP p = 0,858). Foram encontrados efeitos significativos para o fator de grupo para todos os desfechos analisados no presente estudo (CT: p < 0,001; TG: p < 0,001; LDL: p < 0,001; HDL: p < 0,001; relação CT/HDL: p < 0,001), indicando que WA, WR e GC apresentaram alterações distintas decorrentes dos treinamentos para cada desfecho. O teste de Bonferroni evidenciou comportamento estatisticamente diferente entre os grupos GC e WA e WR, sem diferença entre os grupos com treinamento físico (WA e WR). Para os desfechos de CT, TG, LDL, HDL e relação CT/HDL, o GC apresentou diferenças médias com comportamento oposto ao observado nos outros dois grupos; ou seja, quando os grupos WA e WR mostraram reduções nos resultados, o GC apresentou um aumento (TC, TG, LDL e relação CT/HDL), e quando os grupos WA e WR mostraram aumentos nos resultados, o GC apresentou uma diminuição (HDL) (Figura 2).
Figura 2

Diferença média (alteração da linha de base) e intervalo de confiança de 95% das concentrações sanguíneas do colesterol total (CT) (A), triglicerídeos (TG) (B), lipoproteína de baixa densidade (LDL) (C), lipoproteína de alta densidade (HDL) (D) e relação CT/HDL (E) de participantes dos grupos de treinamento aeróbico em meio aquático (WA), treinamento de força em meio aquático (WR) e grupo controle (GC), medicadas e não medicados com estatina. * Indica diferença estatisticamente significativa do grupo WR com o mesmo status de medicação. ** Indica diferença estatisticamente significativa dos outros dois grupos com o mesmo status de medicação. # Indica diferença estatisticamente significativa entre o status da medicação dentro do mesmo grupo. As diferenças estatísticas foram obtidas a partir de equações de estimativa generalizadas e testes post hoc de Bonferroni.

Por outro lado, efeitos significativos para o fator de medicação foram encontrados apenas para os desfechos de CT (p = 0,038), LDL (p = 0,007) e relação CT/HDL (p = 0,022). O teste de Bonferroni demonstrou que apenas as participantes do grupo WR apresentaram melhorias de magnitudes diferentes, dependendo do seu status de medicação. As participantes medicadas obtiveram diminuição de maior magnitude em CT, LDL e relação CT/HDL, quando comparadas às não medicadas. Não foram observadas interações significativas entre o grupo e o status de medicação para CT (p = 0,100), TG (p = 0,153), LDL (p = 0,171), HDL (p = 0,083) e relação CT/HDL (p = 0,815) (Figura 2). A análise do tamanho do efeito, a comparação das participantes de WA e GC, mostrou uma grande magnitude de efeito para todos os desfechos. Da mesma forma, uma grande magnitude de efeito foi observada na comparação das participantes de WR e GC, independentemente do status de medicação (Tabela 2).
Tabela 2

Tamanho de efeito do treinamento aeróbico em meio aquático (WA) versus grupo controle (GC) e treinamento de força em meio aquático (WR) versus grupo controle, em participantes medicadas e não medicadas

Participantes medicadasParticipantes não medicadas
DesfechoWA versus GC Tamanho de efeito (IC 95%)WR versus GC Tamanho de efeito (IC 95%)WA versus GC amanho de efeito (IC 95%)WR versus GC Tamanho de efeito (IC 95%)
TC1,52 (0,87 a 2,18)1,41 (0,77 a 2,06)0,83 (0,23 a 1,44)0,78 (0,18 a 1,38)
TG0,82 (0,22 a 1,42)1,20 (0,57 a 1,83)0,87 (0,27 a 1,47)1,01 (0,39 a 1,62)
HDL0,87 (0,27 a 1,47)0,94 (0,33 a 1,55)0,89 (0,28 a 1,49)1,09 (0,47 a 1,71)
LDL1,22 (0,59 a 1,84)1,40 (0,76 a 2,04)0,88 (0,28 a 1,49)0,94 (0,33 a 1,55)
TC/HDL1,12 (0,50 a 1,74)1,53 (0,87 a 2,18)1,25 (0,62 a 1,88)1,52 (0,86 a 2,17)

CT: colesterol total; HDL: lipoproteína de alta densidade; LDL: lipoproteína de baixa densidade; TG: triglicerídeos

CT: colesterol total; HDL: lipoproteína de alta densidade; LDL: lipoproteína de baixa densidade; TG: triglicerídeos

Discussão

O achado principal do presente estudo refere-se à influência positiva do uso de estatinas nas adaptações decorrentes da WR, maximizando seus efeitos benéficos nos níveis de CT, LDL e relação CT/HDL. Portanto, foi parcialmente confirmada a hipótese de que as participantes medicadas apresentariam melhorias de magnitudes maiores nos desfechos de CT e LDL, independentemente do modelo de treinamento. Os efeitos aditivos sobre os benefícios do treinamento físico no CT, na LDL e na relação CT/HDL induzidos pelas estatinas podem ser explicados pelo seu mecanismo de ação. Estes medicamentos são compostos por inibidores da hidroximetilglutaril-coenzima A (HMG CoA) redutase. Esta inibição resulta em redução do colesterol intracelular e, portanto, maior estímulo ao aumento da síntese e da expressão dos receptores de LDL, resultando em aumento da captura do colesterol circulante. Os efeitos do treinamento físico associado ao uso de estatinas no perfil lipídico foram investigados previamente em populações com dislipidemia. Coen et al. avaliaram a adição de um programa de treinamento físico combinado ao uso diário de rosuvastatina (10 mg), durante 10 semanas, em indivíduos sedentários de ambos os sexos. O estudo mostrou uma tendência decrescente nos níveis de CT e LDL e um aumento nos níveis de HDL naqueles incluídos no grupo com exercícios mais rosuvastatina. Porém, não é possível comparar os resultados de Coen et al. com os encontrados no presente estudo, uma vez que não avaliaram um grupo que realizava apenas exercícios. No entanto, Wittke demonstrou que um programa de exercícios aeróbicos de intensidade moderada, 2 vezes por semana durante 3 meses, foi capaz de promover adaptações positivas nos desfechos do perfil lipídico, principalmente TG (−68,00 mg.dl−1) e HDL (+7,70 mg.dl−1). Quando esse modelo de treinamento físico foi associado ao uso prévio de fluvastatina (20 mg/dia), efeitos semelhantes foram encontrados no grupo que realizava apenas treinamento físico e no grupo que já usava o medicamento antes do início do protocolo. Por outro lado, foram encontradas alterações com magnitudes pronunciadas em todos os desfechos do perfil lipídico no grupo que iniciou o tratamento farmacológico simultaneamente ao treinamento aeróbico. No entanto, houve diferenças significativas apenas no CT e no LDL em relação ao grupo que realizou o treinamento isolado. Esses resultados corroboram os achados do presente estudo, onde as participantes medicadas iniciaram os protocolos de treinamento já recebendo tratamento com sinvastatina e as que realizaram treinamento aeróbico em meio aquático não apresentaram alterações com magnitudes significativas nas variáveis estudadas, quando comparadas às participantes do grupo que não fazia uso da medicação. É importante mencionar que nossos achados também demonstram que ambos os modelos de treinamento aquático (WA e WR) promovem melhorias no perfil lipídico de mulheres idosas com dislipidemia, confirmando a nossa hipótese inicial. As melhorias ocorreram de forma semelhante entre as participantes que realizaram o treinamento aeróbico e as que realizaram o treinamento de resistência, demonstrando, assim, a eficácia da prescrição e a periodização dos protocolos propostos. Os resultados do perfil lipídico dos treinamentos propostos corroboram a literatura que demonstra que os exercícios aquáticos aeróbicos e de resistências são eficientes em promover melhorias nesses parâmetros.,,,– Estudos sugerem que os principais mecanismos explicativos para estes achados estão relacionados à otimização de lipoproteína lipase, proteína de transferência de colesterol éster, lecitina-colesterol aciltransferase, lipase hepática e fosfolipase A2 com treinamento.– Mais especificamente em relação ao meio aquático, a literatura aponta que a simples imersão em posição ortostática promove (ou provoca) a supressão do sistema renina-angiotensina,, o que leva ao aumento do volume sanguíneo e consequente aumento da distensibilidade das câmaras cardíacas. Isto é um estímulo para a redução dos níveis circulantes de hormônios vasoconstritores, tais como norepinefrina e vasopressina, além da diminuição da atividade da renina plasmática. Com isso, é sinalizada a necessidade de aumento da secreção e liberação do peptídeo natriurético atrial (ANP), que, de fato, apresenta altas concentrações tanto nas situações de imersão em repouso quanto na realização de exercícios em ambientes aquáticos.,, Engeli et al. afirmam que a ativação da sinalização do ANP contribui para o aumento da capacidade de oxidação de lipídios, influenciando a escolha de substratos para produção de energia durante o exercício. Segundo Moro e Smith, o ANP é um poderoso regulador do metabolismo lipídico, principalmente na realização de exercícios em imersão. A sua ativação está envolvida em uma cascata de reações enzimáticas da lipase sensível ao hormônio e da lipoproteína lipase, que atuam diretamente na modulação das concentrações de lipídios no sangue. Postula-se que isto possa representar uma via explicativa para os achados benéficos em relação aos protocolos de exercícios aquáticos no perfil lipídico de pacientes com dislipidemia. Porém, embora seu efeito tenha sido relatado na literatura, parece que a imersão isolada (em repouso, sem efeito adicional do exercício) não foi eficiente para promover melhora nos lipídios dos participantes do GC do presente estudo. O presente estudo tem algumas limitações. Primeiramente, a amostra foi composta exclusivamente por mulheres idosas; portanto, os resultados não podem ser extrapolados para homens ou mulheres mais jovens. Em segundo lugar, não se sabia por quanto tempo a sinvastatina foi usada por toda a amostra antes do início do experimento e não foram testadas outras doses de sinvastatina (10 ou 80 mg). Uma vez que a dosagem do medicamento experimental foi intermediária e sua eficácia demonstrou ser menor em comparação com as estatinas “mais novas”, o efeito de 80 mg de sinvastatina ou a prescrição de outra estatina (atorvastatina, rosuvastatina ou pitavastatina) poderia fornecer um efeito mais positivo sobre o perfil lipídico da amostra. Finalmente, por motivos financeiros, não foram testadas as concentrações de ANP e a atividade das enzimas de metabolismo lipídico. Estas análises podem fornecer uma visão abrangente dos mecanismos reais pelos quais o perfil lipídico é alterado como resultado dos diferentes modelos de treinamento aquático. Contudo, nosso objetivo não foi o de desenvolver um estudo mecanístico, mas sim o de avaliar a influência da sinvastatina nas adaptações lipídicas decorrentes do treinamento aquático em uma amostra específica com dislipidemia.

Conclusões

Mulheres idosas dislipidêmicas não medicadas ou intolerantes à sinvastatina podem adotar o treinamento físico aquático como uma ferramenta de tratamento para melhorar o perfil lipídico. Por outro lado, pacientes idosas do sexo feminino com dislipidemia que estão em uso de sinvastatina, mas persistem com níveis não controlados de CT e LDL, também podem se beneficiar dos efeitos do treinamento aeróbico em meio aquático e de resistência, aumentando o efeito hipolipemiante do medicamento.

Introduction

Dyslipidemias are lipid metabolism disorders resulting in altered blood lipoproteins and lipids. In elderly women, reduced estrogen levels, which accompany post-menopause, can favor the development of dyslipidemia and contribute to increased cardiovascular risk. Statin therapy is the most commonly used treatment, and it is considered the most efficient pharmacological intervention for low-density lipoprotein (LDL) reduction., However, several adverse events are associated with its use, including myopathy, which arises as a concerning side-effect. However, physical training is considered an efficient and safe non-pharmacological strategy for the treatment of dyslipidemias. Several studies demonstrate favorable adaptations in lipids and lipoproteins in response to aerobic– and resistance training.– Nevertheless, evidence suggests that statins can attenuate the improvements resulting from exercise training in some physical fitness components, such as cardiorespiratory conditioning and muscle strength, although these results are conflicting. It is well documented that isolated treatment with statins or physical training can promote lipid profile improvements, but there are few studies assessing their associated effects. Coen et al. demonstrated that 10 weeks of combined training (aerobic and resistance) combined with daily use of rosuvastatin did not alter lipids, compared to statin use alone. It is important to emphasize that this study did not include a group with only physical training; therefore, its isolated effects were not investigated. In contrast, Wittke compared the effects of aerobic training with or without fluvastatin use on lipid parameters of men with dyslipidemia. Both strategies improved lipid outcomes, but combined aerobic training and statin use was more efficient in reducing total cholesterol (TC) and LDL concentrations. Water-based exercises performed in the orthostatic position are among the most prescribed exercise modalities for the elderly., Specific physiological adaptations which arise from immersion lead to lower joint impact; lower blood pressure; greater systolic volume, cardiac output, and oxygen consumption; suppression of the renin-angiotensin system;, greater release of natriuretic peptide; and increased oxidative capacity., These adaptations result in important benefits for elderly patients and patients with dyslipidemias. It is, therefore, relevant to know the effects of aerobic and resistance training in elderly patients with dyslipidemia. To the best of our knowledge, there are no studies investigating the influence of simvastatin on lipid adaptations promoted by water-based physical training in this population. Thus, this study aimed to analyze the influence of simvastatin use on lipid adaptations arising from water-based aerobic and resistance training in elderly women with dyslipidemia. We hypothesized that participants receiving statin would show greater magnitude of improvement in TC, triglycerides (TG), and LDL concentrations than those who did not receive statins.

Methods

Sample

The sample comprised 69 elderly (66.13 ± 5.13 years), sedentary (without regular physical activities for at least 3 months), dyslipidemic (TC > 200 mg.dl−1, LDL ≥ 130 mg.dl−1, TG ≥ 150 mg.dl−1, or high-density lipoprotein [HDL] < 40 mg.dl−1, isolated or combined), non-smoking women. In order to assess the influence of statin use on lipid adaptations to physical training, women who were not receiving medication to treat dyslipidemias and women who were receiving simvastatin in dosages of 20 mg and 40 mg were accepted to compose the non-medicated group (NMED) and the medicated group (MED), respectively. Participants were recruited in December 2015, and they were randomly assigned into the following 3 groups: water-based aerobic training (WA; n = 23; 10 MED and 13 NMED), water-based resistance training (WR; n = 23; 9 MED and 14 NMED), and control (CG; n = 23; 9 MED and 14 NMED). All participants were instructed not to change their dietary habits and not to include additional exercise beyond that prescribed in the water-based interventions. Participants were allocated into the 3 study groups by stratified randomization using a computer-generated random list. The baseline TC value was used as factor for the randomization process. Allocation concealment was performed by sequential, numbered, opaque and sealed envelopes. This procedure was performed by a blinded researcher, in order to maintain the confidentiality of allocation. The process of randomization and allocation were carried out after the completion of initial assessments. This study was conducted according to the Declaration of Helsinki, and it received approval from the Ethics Committee of the Hospital de Clínicas de Porto Alegre (protocol 140547). All participants read and signed an informed consent form before starting their participation in the study. All the evaluations and the training sessions were performed from December 2015 to April 2016, at the Escola de Educação Física, Fisioterapia e Dança of Universidade Federal do Rio Grande do Sul and at Hospital de Clínicas de Porto Alegre. This trial has been registered at Clinical Trials (protocol NCT02900612.).

Study Design

This study was designed as a 3-arm randomized controlled clinical trial in parallel, with allocation ratio of 1:1:1. No changes were made to the methods after trial commencement. Biochemical analyses were used to measure TC, LDL (primary outcomes), TG, HDL levels, and the TC/HDL ratio (secondary outcomes). In order to identify the dietary habits of the participants, a 3-day dietary record was adopted. These measurements were performed before the beginning of the interventions and repeated 72 hours after the conclusion of the 10-week period. Prior to the beginning of the experimental protocols, anthropometric measurements were carried out to characterize the sample.

Dietary Record

To ensure that the participants did not alter their dietary habits, a dietary record of 3 different days was conducted to monitor eating habits. This instrument was completed by the participants themselves, and data were calculated adopting the nutrition software Diet Win Professional (Brubins CAS, Brazil). Carbohydrate (CHO), protein (PTN) and lipid (LIP) content were expressed as percentages of the daily total energy value (TEV).

Biochemical Assessments

After a 12-hour fasting period, 4 ml of blood were taken from the antecubital vein. Samples were centrifuged at 1,500 rpm for 20 minutes and the extracted plasma was stored at −80 °C (ultra freezer NUAIRE, Plymouth, USA). A researcher who was blinded to the experimental conditions conducted the lipid profile analysis. TC, TG, and HDL were analyzed by enzymatic method using kits from Siemens (Caernarfon, USA) and a Siemens Advia 1800 automated chemistry analyzer (Erlangen, Germany). Based on these values, LDL levels were estimated according to Friedewald et al., and the TC/HDL ratio was calculated.

Aquatic Incremental Test

The incremental test was performed to determine the heart rate corresponding to the anaerobic threshold (HRAT), which was used as an indicator of the intensity of aerobic training, adopting the stationary running exercise. The test was performed prior to the training sessions, and it was repeated in the fifth training week in order to readjust this parameter. The incremental test has been described in detail in the study by Alberton et al. HRAT determination was carried out by 3 independent, blinded, experienced exercise physiologists. Disagreements were decided by consensus.

Aquatic Interventions

Before training sessions begins, individuals who participated in the WA and WR groups held 2 familiarization sessions with the aquatic exercises utilized in the training program, in order to ensure proper execution of the movements. Total duration of interventions for all experimental groups consisted of 10 weeks, with 2 weekly sessions, resulting in a total of 20 sessions. Training of WA and WR groups was changed after 5 weeks in order to increase the intensity. The training sessions of these groups comprised the same general structure, with a total duration of 45 minutes, each divided as follows: warm-up (8 minutes), main part (approximately 30 minutes) and cool-down (7 minutes). Interval training was adopted for WA group, with intensities ranging from 90% to 100% of the HRAT for what we called “stimulus period” and 80% to 90% of the HRAT for recovery. Six blocks of 5 minutes were performed, in which 4 minutes were intended for training stimulus, and the other 1 minute to recovery. In the first 5 weeks, we adopted 4 minutes at an intensity corresponding to HR ranging between 90% and 95% of the HRAT, interspersed by 1 minute between 80% and 85% HRAT; for the last 5 weeks the subjects trained for 4 minutes between 95% and 100% of the HRAT and for 1 minute between 85% and 90% of the HRAT during recovery. The training intensity control of WA group was conducted using HR monitors (POLAR, FT1, Finland). During the whole training period, the WR group performed the exercises adopting the maximum execution speed of the movements. They also kept a fixed time of 1 minute and 20 seconds for each exercise. The intervals between the sets were active and performed at a very light self-selected intensity. During the first 5 weeks, 4 sets of 20 seconds were performed, with recovery intervals of 2 minutes and 45 seconds between sets. During the following 5 weeks, 8 sets of 10 seconds were accomplished with intervals of 1 minute and 40 seconds between the sets. The exercises performed by the participants of the WA and WR groups were described in detailed by Costa et al.. CG participants performed a non-periodized program comprising relaxation exercises in immersion, in order to maintain the same weekly immersion amount of the WA and WR participants, with the aim of matching the physiological effects of immersion on lipid outcomes for the 3 experimental groups.

Statistical Analysis

The sample size was determined using GPower software (version 3.1, Universität Düsseldorf, Germany) for a power of about 0.80 (significance level of 0.05 and correlation coefficient of 0.8), based on data from research by Volaklis, Spassis, and Tokmakidis and Takeshima et al. This calculation showed that 19 women would be needed in each group. Shapiro-Wilk and Levene tests were adopted for analysis of the normality and homogeneity of the data, respectively. One-way analysis of variance (for scalar variables) and chi-square test (for categorical variables) were performed to compare data from the 3 groups (WA, WR, and CG) at baseline (sample characterization). These data were shown as means and 95% confidence intervals. Generalized estimating equations (GEE) and Bonferroni post hoc tests were used to compare the data of all dependent variables (primary and secondary outcomes) and of the dietary recalls. Thus, the factors adopted in this analysis were “group” (WA, WR, and CG) and “medication status” (medicated and non-medicated). These data were presented as mean difference (post-intervention minus pre-intervention values) and 95% confidence intervals, in intention-to-treat analysis. Furthermore, the effect size (Cohen's d) was calculated from mean differences values between WA and WR versus CG, and classified as small (between 0.2 and 0.5), moderate (between 0.5 and 0.8), or large (0.8 or more). These results were shown as means and 95% confidence interval. For all analyses, significance level was set at α = 0.05, and the statistical software SPSS (Statistical Package for Social Sciences for Mac, version 22.0, IBM, USA) was used.

Results

Although the experiment started with 69 women randomly assigned to WA (n = 23), WR (n = 23), and CG (n = 23), 7 participants withdrew from the study during the intervention period (3 from WA and 4 from CG), representing a dropout of 10%. Thus, 62 participants finished the study interventions and completed all assessments (Figure 1). The participants who completed the intervention had an attendance frequency above 95%, demonstrating adherence to training. Sample baseline characteristics are presented in Table 1.
Figure 1

Flow diagram showing the participants enrollment process, allocation, follow-up and analysis.

Table 1

Baseline characteristics of the water-based aerobic trainings (WA), water-based resistance traininge (WR) and control (CG) groups

WA (n=23) Mean ± SD (95% CI)WR (n=23) Mean ± SD (95% CI)CG (n=23) Mean ± SD (95% CI)p value
Age (years)66.80 ± 5.51 (64.55 to 69.05)66.78 ± 5.80 (64.41 to 69.15)64.63 ± 5.87 (62.23 to 67.03)0.316
Body weight (kg)71.18 ± 11.40 (66.52 to 75.84)71.51 ± 15.72 (65.09 to 77.94)76.91 ± 17.79 (69.64 to 84.18)0.168
Height (m)1.57 ± 0.06 (1.55 to 1.60)1.55 ± 0.06 (1.52 to 1.57)1.58 ± 0.07 (1.55 to 1.61)0.825
BMI (kg.m−2)28.83 ± 4.20 (27.12 to 30.55)29.88 ± 6.04 (27.41 to 32.35)30.91 ± 6.95 (28.07 to 33.75)0.207
Statin use (n/%)10/439/399/390.639
Statin 20 mg use (n/%)5/224/174/170.961
Statin 40 mg use (n/%)5/225/225/220.961

BMI: body mass index; CI: Confidence interval. P values were obtained from one-way analysis of variance (scalar variables) and chi-square test (categorical variables).

BMI: body mass index; CI: Confidence interval. P values were obtained from one-way analysis of variance (scalar variables) and chi-square test (categorical variables). Considering the dietary record, there were no significant effects of group (TEV p = 0.938; CHO p = 0.872; PTN p = 0.911; LIP p = 0.899) or time (TEV p = 0.708; CHO p = 0.790; PTN p = 0.799; LIP p = 0.819) and no significant interactions between these factors (TEV p = 0.803; CHO p = 0.801; PTN p = 0.873; LIP p = 0.858). Significant effects were found in factor of group for all outcomes analyzed in the present study (TC: p < 0.001; TG: p < 0.001; LDL: p < 0.001; HDL: p < 0.001; TC/HDL ratio: p < 0.001), indicating that WA, WR, and CG showed distinct alterations resulting from trainings for each outcome. Bonferroni test evidenced a statistically different behavior between the CG and the WA and WR groups, without difference between the groups with physical training (WA and WR). For the outcomes of TC, TG, LDL, HDL, and TC/HDL ratio, the CG presented mean differences with the opposite behavior of those observed in the 2 other groups; that is, when WA and WR groups showed decreases in the outcomes, CG showed an increase (TC, TG, LDL, and TC/HDL ratio), and when WA and WR groups showed increases in the outcomes, CG showed a decrease (HDL) (Figure 2).
Figure 2

Mean difference (change from baseline) and 95% confidence interval of blood concentrations of total cholesterol (TC) (A), triglycerides (TG) (B), low-density lipoprotein (LDL) (C), high-density lipoprotein (HDL) (D) and TC/HDL ratio (E) of water-based aerobic training (WA), water-based resistance training (WR) and control group (CG) participants medicated and non-medicated with statin. * Indicates statistically significant difference from the WR group with the same medication status. ** Indicates statistically significant difference from the other 2 groups with same medication status. # Indicates statistically significant difference between medication status within the same group. Statistical differences were obtained from generalized estimating equations and Bonferroni post hoc tests.

On the other hand, significant effects for the factor of medication were only found for the outcomes of TC (p = 0.038), LDL (p = 0.007), and TC/HDL ratio (p = 0.022). The Bonferroni test demonstrated that only WR group participants showed improvements of different magnitudes, depending on their medication status. The medicated participants obtained a decrease of greater magnitude in TC, LDL, and TC/HDL ratio when compared to the non-medicated ones. Significant interactions between group and medication status were not observed for TC (p = 0.100), TG (p = 0.153), LDL (p = 0.171), HDL (p = 0.083) and TC/HDL ratio (p = 0.815) (Figure 2). The analysis of the effect size, comparison of the participants of WA and CG showed a large magnitude of effect for all the outcomes. Similarly, a large magnitude of effect was observed in the comparison of participants of WR and CG, regardless of medication status (Table 2).
Table 2

Effect size of the water-based aerobic training (WA) versus control group (CG) and water-based resistance training (WR) versus control group, in medicated and non-medicated participants

Medicated participantsNon-medicated participants
OutcomeWA versus CG Effect size (95% CI)WR versus CG Effect size (95% CI)WA versus CG Effect size (95% CI)WR versus CG Effect size (95% CI)
TC1.52 (0.87 a 2.18)1.41 (0.77 a 2.06)0.83 (0.23 a 1.44)0.78 (0.18 a 1.38)
TG0.82 (0.22 a 1.42)1.20 (0.57 a 1.83)0.87 (0.27 a 1.47)1.01 (0.39 a 1.62)
HDL0.87 (0.27 a 1.47)0.94 (0.33 a 1.55)0.89 (0.28 a 1.49)1.09 (0.47 a 1.71)
LDL1.22 (0.59 a 1.84)1.40 (0.76 a 2.04)0.88 (0.28 a 1.49)0.94 (0.33 a 1.55)
TC/HDL1.12 (0.50 a 1.74)1.53 (0.87 a 2.18)1.25 (0.62 a 1.88)1.52 (0.86 a 2.17)

HDL: high-density lipoprotein; LDL: low-density lipoprotein; TC: total cholesterol; TG: triglycerides.

HDL: high-density lipoprotein; LDL: low-density lipoprotein; TC: total cholesterol; TG: triglycerides.

Discussion

The main finding of the present study refers to the positive influence of statin use on the adaptations arising from WR, maximizing its beneficial effects on TC, LDL, and TC/HDL ratio levels. Therefore, the hypothesis that the medicated participants would show improvements of greater magnitudes in TC and LDL outcomes, regardless of the training model, was partially confirmed. The additive effects on the benefits of physical training in TC, LDL, and TC/HDL ratio induced by statins can be explained by its mechanism of action. These drugs are composed by hydroxymethylglutaryl-coenzyme A (HMG CoA) reductase inhibitors. This inhibition results in intracellular cholesterol reduction, and, thus, a greater stimulus to the increase of the synthesis and expression of LDL receptors, resulting in increased capture of circulating cholesterol. The effects of physical training associated to the use of statins on lipid profile were previously investigated in the dyslipidemic population. Coen et al. evaluated the addition of a combined physical training program to the daily use of rosuvastatin (10 mg), during 10 weeks in sedentary individuals of both sexes. The study showed a decreasing tendency in TC and LDL levels and an increase in HDL levels in those enrolled to exercise plus rosuvastatin. However, it is not possible to compare the results from Coen et al. with those found in the present study, since they did not evaluate a group that performed only exercise. Nevertheless, Wittke demonstrated that a moderate intensity aerobic exercise program, twice a week during 3 months, was able to promote positive adaptations in lipid profile outcomes, mainly TG (−68.00 mg.dl−1) and HDL (+7.70 mg.dl−1). When this model of physical training was associated with the previous use of fluvastatin (20 mg/day), similar effects were found in the group that performed only physical training and the group that already used the medicine prior to the beginning of the protocol. On the other hand, alterations with marked magnitudes in all lipid profile outcomes were found in the group that begun the drug treatment simultaneously to aerobic training. However, there were significant differences only in TC and LDL in relation to the group that performed isolated training. These results corroborate the findings of the present study, where the medicated participants started the training protocols while already receiving treatment with simvastatin, and those who performed water-based aerobic training did not show alterations with significant magnitudes in the studied variables, when compared with the participants from the group that did not use medication. It is important to mention that our findings also demonstrate that both water-based training models (WA and WR) promote improvements in the lipid profile of elderly women with dyslipidemia, confirming our initial hypothesis. The improvements occurred in a similar manner among the participants that underwent aerobic training and those who performed resistance training, thus showing efficacy of the prescription and periodization of the proposed protocols. Lipid profile results of the proposed trainings corroborate the literature that demonstrated that water aerobics and water resistance exercises are efficient in promoting improvements in these parameters.,,,– Studies suggest that the main explanatory mechanisms for these findings are related to lipoprotein lipase, cholesteryl ester transfer protein, lecithin cholesterol acyltransferase, hepatic lipase, and phospholipase A2 optimization with training.– More specifically regarding the aquatic environment, the literature points out that simple immersion in orthostatic position promotes (or causes) the suppression of the rennin-angiotensin system,, which leads to an increased blood volume, and consequent increase in the distensibility of cardiac chambers. This is a stimulus for the reduction in circulating levels of vasoconstrictor hormones, such as norepinephrine and vasopressin, in addition to the decrease of plasmatic renin activity. Consequently, the need for increased secretion and release of atrial natriuretic peptide (ANP) is signaled, which, in fact, presents high concentrations in both situations of immersion at rest and in the performance of exercises in aquatic environments.,, Interestingly, Engeli et al. claim that the activation of ANP signaling contributes to the increase of lipid oxidative capacity, influencing the choice of substrates for energy production during exercise. According to Moro and Smith, ANP is a powerful regulator of lipid metabolism, especially in the accomplishment of exercises in immersion. Its activation is involved in a cascade of enzymatic reactions of the hormone-sensitive lipase and lipoprotein lipase, which directly act on the modulation of blood lipid concentrations. It is postulated that this might represent an explanatory route for the beneficial findings in regard to water-based exercise protocols in the lipid profile of patients with dyslipidemia. However, although its effect has been reported in the literature, it seems that immersion alone (at rest, with no additional effect of exercise) was not efficient to promote improvements in the lipids of CG participants of the present study. This study has some limitations. First, the sample was composed exclusively of elderly women; therefore, the results cannot be extrapolated to men or younger women. Second, it was not known for how long simvastatin was used by the entire sample prior to the experiment entry, and other simvastatin doses (10 or 80 mg) were not tested. Since the dosage of the experimental drug was intermediate and its efficacy has been shown to be lower in comparison to “newer” statins, the effect of 80 mg of simvastatin or the prescription of another statin (atorvastatin, rosuvastatin, or pitavastatin) may provide a more positive effect on the lipid profile of the sample. Finally, for financial reasons, ANP concentrations and the activity of lipid metabolism enzymes were not tested. These analyses could provide a comprehensive overview of the real mechanisms by which lipid profile is altered, as a result of different water-based training models. However, our goal was not to develop a mechanistic study, but to evaluate the influence of simvastatin in lipid adaptations arising from water-based training in a specific sample with dyslipidemia.

Conclusions

Non-medicated dyslipidemic or simvastatin-intolerant elderly women can adopt water-based physical training as a treatment tool to improve lipid profile. On the other hand, elderly female patients with dyslipidemia who are on simvastatin, but persist with uncontrolled levels of TC and LDL can also benefit from the effects of water-based aerobic and resistive training, enhancing the drug's lipid-lowering effect.
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1.  Regular low-intensity aquatic exercise improves cardio-respiratory functional capacity and reduces proteinuria in chronic renal failure patients.

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2.  Aquatic exercise is as effective as dry land training to blood pressure reduction in postmenopausal hypertensive women.

Authors:  Eduardo Aguilar Arca; Bruno Martinelli; Luis Cuadrado Martin; César Becalel Waisberg; Roberto Jorge da Silva Franco
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3.  Training enhances ANP lipid-mobilizing action in adipose tissue of overweight men.

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4.  Estimation of the concentration of low-density lipoprotein cholesterol in plasma, without use of the preparative ultracentrifuge.

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5.  Endurance exercise training raises high-density lipoprotein cholesterol and lowers small low-density lipoprotein and very low-density lipoprotein independent of body fat phenotypes in older men and women.

Authors:  Amy Halverstadt; Dana A Phares; Kenneth R Wilund; Andrew P Goldberg; James M Hagberg
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Review 6.  Blood lipid and lipoprotein adaptations to exercise: a quantitative analysis.

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