Denise da Silva Pinheiro1, Paulo Cesar B Veiga Jardim2. 1. Universidade Federal de Goiás - Instituto de Ciências Biológicas, Goiânia, GO - Brasil. 2. Universidade Federal de Goiás - Cardiologia, Goiânia, GO - Brasil.
As doenças cardiovasculares (DCV) emergiram como um problema global de saúde, responsáveis por mais de 17 milhões de mortes anualmente, configurando a principal causa de óbitos desde a década de 60. Em especial, as doenças isquêmicas do coração (DIC) constituem a DCV mais prevalente, ocupando a primeira posição como causa de morte em todo o mundo, considerando dados até 2019. Foram causadoras de 8,9 milhões de óbitos em 2019 (16% de todas as causas), sendo associadas a um incremento de mais de 2 milhões de desfechos fatais nas duas últimas décadas.[1]No Brasil, tem sido empreendido um esforço no sentido de disponibilizar estatísticas mais abrangentes do panorama nacional das DCV com a produção de um relatório anual[2] que inclui estatísticas oficiais do Ministério da Saúde e dados de estudos epidemiológicos, inclusive do Estudo Global Burden of Disease (GBD), entre outras fontes. Foi verificada uma taxa de 83 mortes por DIC por 100 mil habitantes em 2017, sendo a DIC a principal causa de morte em todas as unidade federativas brasileiras, diferentemente de 1990, quando o acidente vascular encefálico ainda liderava em alguns estados da região nordeste.[3]Sendo um país de dimensões continentais e marcado pelas desigualdades sociais, no Brasil, ressalta-se a importância da realização de investigações populacionais que contemplem as grandes disparidades regionais, principalmente com enfoque em regiões menos desenvolvidas (norte, nordeste e centro-oeste), de forma a estabelecer prioridades para intervenções em saúde pública.[4,5] Nesse sentido, o artigo de Santana et al.[6] avaliou o perfil sociodemográfico e o comportamento temporal da mortalidade por DIC na região nordeste do Brasil no período de 1996 a 2016.Com relação a evolução temporal da taxa de mortalidade, o referido estudo verificou um crescimento significativo da mortalidade por DIC em todos os nove estados do nordeste brasileiro, embora com diferenças entre os estados, destacando-se Maranhão e Piauí, onde foram observados os maiores percentuais de mortalidade. Este resultado salienta claramente a disparidade em relação ao que é observado em regiões mais desenvolvidas no Brasil, como o sul e o sudeste, onde se verifica uma tendência de diminuição desse índice, enquanto nas regiões norte e centro-oeste observa-se uma propensão de estabilização.[7]Essa diferença na inclinação da mortalidade por DIC entre as regiões brasileiras, com maior desfavorecimento da região nordeste, já era observada em estudo envolvendo dados de mais de duas décadas atrás - 1981 a 2001[8]. A heterogeneidade persistiu em análises subsequentes, embora tenha sido observada uma convergência das tendências nas regiões[7,9], refletindo o peso do desenvolvimento socioeconômico e o acesso aos serviços de saúde no controle da mortalidade por DIC e outras DCV. Grave e preocupante é o fato de que o problema ainda permanece e impacta fortemente a região nordeste, conforme verificado por Santana et al.[6]O referido autor discutiu a importância de políticas públicas, em especial na Atenção Primária à Saúde, com destaque para a relevância do Programa de Saúde da Família e, nesse contexto, concluiu que as maiores mortalidades verificadas, particularmente nos estados do Maranhão e Piauí, poderiam refletir particularidades locais e condições de vida da população, marcada pela baixa escolaridade e menor PIB per capita.[6]Deve-se destacar também, como um achado importante do estudo[6], e que merece atenção, a maior taxa de incremento anual da mortalidade por DIC na faixa etária de adolescentes. Este ponto ainda carece maior elucidação científica, devendo-se, no entanto, ponderar o provável efeito do crescimento do sobrepeso, da obesidade e da dislipidemia nessa faixa etária, que já se fazem presentes de modo significativo na região nordeste.[10-13]Dada a diferença de desenvolvimento entre as regiões e entes da federação brasileira, que se refletem em disparidades também na saúde, reforça-se a necessidade de intensificação de políticas públicas de prevenção no nordeste. Estas passam por medidas educativas para controle dos principais fatores de risco às DIC: hipertensão, dislipidemia, diabetes, tabagismo, um forte estímulo à alimentação saudável para manutenção do peso adequado, além da melhoria do acesso e qualidade dos serviços de saúde, para se conseguir reverter a tendência da mortalidade por DIC e outras DCV nessa região.Cardiovascular Diseases (CVD) have emerged as a global health concern responsible for more than 17 million deaths annually, representing the main cause of death since the 1960s. In particular, Ischemic Heart Diseases (IHD) constitute the most prevalent CVD, occupying the position of leading cause of death worldwide considering data until 2019, having been responsible for 8.9 million deaths in 2019 (16% of all causes of death) associated with an increase of more than 2 million deaths in the past two decades.[1]In Brazil, it has been undertaken an effort to provide more comprehensive statistics of the national panorama of CVD, with the production of an annual report 2 which includes the Ministry of Health official statistics and data from epidemiological studies, including the Global Burden of Disease Study (GBD), among other sources. It was verified a rate of 83 deaths due to IHD per 100 thousand inhabitants in 2017,3 with IHD being the main cause of death in all Brazilian states that year, differently from 1990, when stroke was still leading in some states in the northeast region.[3]Being a country of continental dimensions and marked by social inequalities, in Brazil, the importance of conducting population investigations that address the great regional disparities is emphasized, mainly focusing on less developed regions (north, northeast and center-west), in order to establish priorities for public health interventions.[4,5] In this sense, the article by Santana et al.[6] evaluated the the socio-demographic profile and the temporal behavior of IHD mortality in northeastern Brazil from 1996 to 2016.Regarding the temporal evolution of the mortality rate, the study found a significant increase in IHD mortality in all nine states in the northeast, although with inequalities in rates among the states, especially Maranhão and Piauí, where the highest mortality percentages were observed. This result clearly highlights the disparity in relation to what is observed in more developed regions in Brazil, such as the south and southeast, where there is a decreasing trend in that index, while in the north and midwest regions there is a tendency towards stabilization.[7]This difference in the mortality slope due to IHD among Brazilian regions, with greater disadvantage in the northeast region, was already observed in a study involving data from more than two decades ago - 1981 to 2001.[8] This heterogeneity persisted in subsequent analyzes, although there has been a convergence of trends among regions,[7,9] reflecting the weight of socioeconomic development and access to health services in controlling mortality from IHD, and other CVDs. Serious and worrying is the fact that the problem still remains and strongly impacts the northeast region, as verified by Santana et al.[6]The author discussed the importance of public policies, especially in Primary Health Care, with emphasis on the relevance of the Family Health Program and, in this context, concluded that the higher mortalities verified, particularly in the states of Maranhão and Piauí, could reflect local particularities and the living conditions of the population, which is marked by low education and lower GDP per capita.It should also be noted, as an important finding in the study[6], and that deserves attention, the highest annual increase of IHD mortality in the age group of adolescents. This point still needs further scientific elucidation, however, it should be considered the likely effect of the growth of overweight, obesity and dyslipidemia in this age group, which is already present in a significant way in the northeast region.[10-13]Given the difference of development among Brazilian regions and states, which reflects on health disparities, the need to intensify public prevention policies in the northeast is reinforced. These undergo educational measures to control the main risk factors for IHD: hypertension, dyslipidemia, diabetes, smoking, a strong stimulus to healthy eating to maintain adequate weight, in addition to improving access and quality of health services, to reverse the trend in IHD mortality and other CVDs in this region.
Authors: Antonio Luiz P Ribeiro; Bruce B Duncan; Luisa C C Brant; Paulo A Lotufo; José Geraldo Mill; Sandhi M Barreto Journal: Circulation Date: 2016-01-26 Impact factor: 29.690
Authors: Cristina P Baena; Rajiv Chowdhury; Nicolle Amboni Schio; Ary Elias Sabbag; Luiz Cesar Guarita-Souza; Marcia Olandoski; Oscar H Franco; José Rocha Faria-Neto Journal: Heart Date: 2013-07-25 Impact factor: 5.994
Authors: Maria de Fátima Marinho de Souza; Airlane Pereira Alencar; Deborah Carvalho Malta; Lenildo Moura; Antonio de Padua Mansur Journal: Arq Bras Cardiol Date: 2006-12 Impact factor: 2.000
Authors: Gláucia Maria Moraes de Oliveira; Luisa Campos Caldeira Brant; Carisi Anne Polanczyk; Andreia Biolo; Bruno Ramos Nascimento; Deborah Carvalho Malta; Maria de Fatima Marinho de Souza; Gabriel Porto Soares; Gesner Francisco Xavier Junior; M Julia Machline-Carrion; Marcio Sommer Bittencourt; Octavio M Pontes Neto; Odilson Marcos Silvestre; Renato Azeredo Teixeira; Roney Orismar Sampaio; Thomaz A Gaziano; Gregory A Roth; Antonio Luiz Pinho Ribeiro Journal: Arq Bras Cardiol Date: 2020-09 Impact factor: 2.667
Authors: Gabriela Dos Santos de Jesus; Priscila Ribas de Farias Costa; Lucivalda Pereira Magalhães de Oliveira; Valterlinda Alves de Oliveira Queiroz; Carla de Magalhães Cunha; Emile Miranda Pereira; Ana Marlúcia de Oliveira Journal: Arq Bras Cardiol Date: 2020-07-15 Impact factor: 2.000