O artigo Menor Prevalência e Extensão da Aterosclerose Coronária na Doença de Chagas Crônica por Angiotomografia Cornária[1] revela um dado muito importante: a população chagásica tem muito menos aterosclerose em comparação com uma população não chagásica cuidadosamente pareada. Analisando-se prospectivamente 43 pacientes, 93% dos pacientes chagásicos apresentavam ausência de placas de DAC, 7% de obstrução leve a moderada e nenhum caso de obstrução grave. O estudo endossa nossos dados patológicos anteriores[2] em poucos corações autopsiados, confirmando que pacientes chagásicos não têm aterosclerose. Por que eles não apresentam aterosclerose?A principal enzima produzida pelo
Trypanosoma cruzi
(T. cruzi) é a transialidase, que remove o ácido sálico do tecido para a circulação. A microbiota tem sido associada ao desenvolvimento da aterosclerose.[3] O micoplasma é conhecido por se proliferar em meios ricos em colesterol e, em nosso estudo anterior, observamos grande quantidade de micoplasmas em placas de ateroma.[4] Muitos agentes infecciosos como o micoplasma e vírus como o SARS CoV-2 usam o ácido sálico para entrar na célula hospedeira. A transialidase do
T. cruzi
pode remover os micoplasmas das placas de ateroma, evitando o desenvolvimento do ateroma.[5] Criamos um nutricosmético associando a enzima transialidase a nanopartículas antioxidantes naturais e diminuição da aterosclerose experimental em coelhos.[6
,
7]O presente trabalho enfatiza a necessidade de outra explicação além da DAC para a patogênese do infarto do miocárdio presente em pacientes chagásicos. Microinfartos, miocitólise, degeneração hialina e fibrose são achados comuns na cardiopatia chagásica crônica e têm sido atribuídos, em graus diversos, à miocardite crônica, fenômenos imunoalérgicos e alterações microvasculares.[8] Observamos também que a artéria coronária direita distal era muito fina, associada ao adelgaçamento da parede ventricular, que pode ser interpretado como consequência da falta de pressão arterial intramiocárdica devido à microcirculação dilatada. Injetando-se 0,5% de nitrato de prata em solução aquosa de glicose a 5% para impregnar a superfície endotelial das artérias epicárdicas, arteríolas intramurais, foi possível observar que a microcirculação em autópsias de pacientes com doença de Chagas, a insuficiência cardíaca encontrava-se extremamente dilatada,[9] possivelmente devido à inflamação miocárdica (pela presença de antígenos e simbiontes do
T. cruzi)
[10
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11]Pode causar equilíbrio inadequado na distribuição do fluxo sanguíneo, pior perfusão tecidual em algumas áreas e múltiplos infartos. Por outro lado, as áreas fibróticas podem causar obstruções no trajeto dos vasos, favorecendo o desvio do fluxo sanguíneo (fenômeno de “roubo”) e aparecimento de lesões isquêmicas;[10] as lesões de adelgaçamento características da doença chagásica nas paredes apicais e basais posteriores do ventrículo esquerdo também podem ser decorrentes de isquemia nas lesões nas áreas de
watershed
entre os dois ramos principais da artéria coronária — as artérias descendente anterior e descendente posterior, causando lesões isquêmicas, focos de infarto do miocárdio, aneurismas e fibrose miocárdica. A baixa perfusão na região de
watershed
das artérias coronária direita e circunflexa pode resultar em frequente lesão fibrótica de adelgaçamento da parede basal lateral do ventrículo esquerdo, levantando a hipótese de que essa lesão poderia ser um melhor preditora de taquicardia ventricular e morte súbita.[11] Essa lesão miocárdica tem aspecto de cicatrização da infração miocárdica, contendo ilhas de miócitos viáveis em meio à fibrose, podendo induzir arritmia ventricular.[12]A cardiopatia chagásica é uma doença peculiar que ainda demanda muitas pesquisas.The paper Lower Prevalence and Severity of Coronary Atherosclerosis in Chronic Chagas’ Disease by Coronary Computed Tomography Angiography[1]reveals a very important data: patients with Chagas disease have much lower atherosclerosis compared with a carefully matched population of individuals without Chagas disease. Analyzing 43 patients prospectively, 93% of Chagas diseasepatients had absence of coronary artery disease (CAD) plaques, 7% mild to moderate obstruction and zero cases of severe obstruction. It endorses our previous pathological data[2]in few autopsy hearts, confirming that Chagas diseasepatients do not have atherosclerosis. Why they do not present atherosclerosis?The main enzyme produced by
Trypanosoma cruzi
(
T. cruzi
) is trans-sialidase. It removes syalic acid from the tissue to the circulation. Microbiota has been associated with the development of atherosclerosis.[3]Mycoplasma is known to grow in cholesterol-rich media and in our previous study we observed large amounts of mycoplasmas in fat atheroma.[4]Many infectious agents such as mycoplasma and viruses such as SARS CoV-2 uses the syalic acid to enter the host cell, the transialidase from
T. cruzi
may remove mycoplasmas from the atheroma plaques, preventing development of atheroma.[5]We created a nutricosmetic associating the enzyme transialidase and natural antioxidant nanoparticles and decreased experimental atherosclerosis in rabbits.[6
,
7]The present study emphasizes the need of other explanation than CAD for myocardial infarction pathogenesis present in Chagas diseasepatients. Microinfarcts, myocytolysis, hyaline degeneration and fibrosis are common findings in chronic Chagas disease cardiopathy and have been attributed, in varying degrees, to chronic myocarditis, immunoallergic phenomena and microvascular alterations.[8]We also observed that distal right coronary artery was very thin, associated with ventricular wall thinning, which may be interpreted as a consequence of lack of intramyocardial blood pressure due to dilated microcirculation. Injecting 0.5% silver nitrate in 5% aqueous glucose solution to impregnate the endothelial surface of the epicardial arteries and intramural arterioles, it was possible to see that microcirculation in autopsies of patients with Chagas diseaseheart failure was extremely dilated,[9]possibly due to myocardial inflammation (due to the presence of
T. cruzi
antigens and symbionts).[10
,
11]It may cause inadequate balance in the blood flow distribution, worst tissue perfusion in some areas and multiple infarctions. On the other hand, the fibrotic areas may cause obstructions in the vessel trajectory, favoring deviation of blood flow (a “steal” phenomenon), and appearance of ischemic lesions;[10]the characteristic thinning lesions in Chagas disease at the apical and basal posterior left ventricle walls may also be the result of ischemia in the “watershed” lesions between the two main coronary artery branches — the anterior descending and posterior descending arteries causing ischemic lesions, foci of myocardial infarction, aneurysms and myocardial fibrosis. Low perfusion in the watershed region of right coronary and circumflex arteries may result in frequent thinning fibrotic lesion of lateral basal left ventricular wall, raising the hypothesis that this lesion could be a better predictor for ventricular tachycardia and sudden death.[11]This myocardial lesion has an aspect of myocardial infarction healing, containing islands of viable myocytes in the midst of fibrosis, which may induce ventricular arrhythmia.[12]Chagas disease cardiopathy is a particular disorder that still deserves many research studies.
Authors: Tiago Senra; Barbara M Ianni; Ana C P Costa; Charles Mady; Martino Martinelli-Filho; Roberto Kalil-Filho; Carlos E Rochitte Journal: J Am Coll Cardiol Date: 2018-11-27 Impact factor: 24.094
Authors: Shérrira M Garavelo; Maria de Lourdes Higuchi; Jaqueline J Pereira; Marcia M Reis; Joyce T Kawakami; Renata N Ikegami; Suely A P Palomino; Nilsa S Y Wadt; Abdelali Agouni Journal: Biomed Res Int Date: 2017-02-27 Impact factor: 3.411
Authors: Savio Cardoso; Clerio Francisco de Azevedo Filho; Fábio Fernandes; Barbara Ianni; Jorge Andion Torreão; Mateus Diniz Marques; Luiz Francisco Rodrigues de Ávila; Raul Santos Filho; Charles Mady; Roberto Kalil-Filho; José Antônio Franchine Ramires; Marcio Sommer Bittencourt; Carlos E Rochitte Journal: Arq Bras Cardiol Date: 2020-12 Impact factor: 2.000