Ricardo Stein1, Mauricio Milani2, Ana Abreu3,4. 1. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS - Brasil. 2. Fitcordis Medicina do Exercício, Brasília, DF - Brasil. 3. Hospital Santa Maria, CHULN, Lisboa - Portugal. 4. Faculdade Medicina Lisboa, Lisboa - Portugal.
Brasil e Portugal têm muito em comum e estão ligados por fortes laços de uma história que começou a ser escrita há mais de cinco séculos. A língua é a mesma, embora existam diferenças marcantes no sotaque, assim como no vocabulário. A ponte aérea entre os dois países é intensa (à parte, a pandemia de COVID-19) e cidadãos vindos dos dois lados do Oceano Atlântico habitam ou visitam cidades do além-mar. Enfim, o sangue português corre nas veias (e nas artérias) de muitos brasileiros e, nos últimos anos, uma verdadeira onda de brasileiros imigrou para Portugal, percorrendo o caminho inverso àquele feito por Pedro Álvares Cabral, quando este e suas embarcações chegaram a “Terra Brasilis”.Agora, talvez confuso, quem lê este texto possa se perguntar: Mas qual a relação das linhas acima com a reabilitação cardíaca (RC)? Qual é o verdadeiro motivo para este texto ser escrito por uma portuguesa e dois brasileiros, todos cardiologistas e adeptos da RC? Na verdade, o objetivo é traçar um breve perfil do que ocorre com a RC nos dois países, tentando informar o leitor a respeito de uma realidade absolutamente desconectada daquela que vemos em outras áreas da Cardiologia. Sem inveja, mas com preocupação enquanto reabilitadores, vemos a Cardiologia florescer em termos de medicamentos e dispositivos que mudam a qualidade e a quantidade de vida dos pacientes,[1] terapêuticas baseadas nas melhores evidências sendo descritas em Diretrizes, procedimentos invasivos que salvam vidas ou diminuem significativos danos, além de vermos a medicina personalizada “batendo na porta” e prometendo uma potencial revolução no manejo de doenças monogênicas e poligênicas. Enfim, onde há investimento, divulgação e marketing, a Cardiologia é um exemplo inequívoco de sucesso.É importante salientar que, apesar de ainda se encontrar nos bastidores da terapêutica cardiológica, a RC, em diferentes cenários clínicos,[2 , 3] é uma estratégia de saúde na qual tanto a classe de recomendação quanto o nível de evidência não deixam nada a desejar, quando comparada com situações auspiciosas como as descritas no parágrafo acima. Revisões sistemáticas e metanálises[4 , 5] têm mostrado que a sua implementação pode ter um impacto imenso na vida das pessoas, sendo uma ação útil para a sociedade como um todo. Agora, perguntamos: Se um paciente com cardiopatia isquêmica não é antiagregado (seja lá com que fármaco for), o que pensaríamos do cardiologista que cuida desse paciente? Ou se um paciente com dislipidemia com colesterol total de 267 mg/dL e LDL de 191 mg/dL não recebesse uma prescrição de estatina? Ou ainda e “indo mais fundo”, se um paciente com infarto agudo do miocárdio (IAM) com supradesnivelamento de ST não fosse reperfundido, estando disponível um hemodinamista e uma sala de hemodinâmica? Imaginamos que o caso iria para o conselho de ética médica... e com toda razão! No entanto, são poucos aqueles no meio médico que conseguem vislumbrar o enorme vazio que fica, enquanto conduta baseada nas melhores evidências, que é NÃO encaminhar um paciente isquêmico após um IAM ou um paciente com insuficiência cardíaca (IC) de qualquer etiologia para um serviço de RC. Embora, em teoria seja absolutamente entendida a indicação, na prática ela é extremamente subutilizada, seja em Portugal seja no Brasil, como veremos nos parágrafos abaixo.
Qual é o cenário atual da reabilitação cardíaca no Brasil?
No Brasil o cenário é alarmante, sendo o número de programas de RC documentados extremamente insuficiente para a necessidade clínica, o que certamente é prejudicial para a saúde da população brasileira com doenças cardíacas crônicas. Vamos às evidências: em um estudo publicado em 2020, Britto et al.[6] estimaram que no Brasil haja apenas uma vaga em um serviço de RC para cada 99 pacientes com cardiopatia isquêmica, sendo esta disponibilidade quase três vezes menor do que a observada em outros 32 países avaliados (uma vaga para cada 32,7 pacientes). Em outro estudo que avaliou a disponibilidade e a densidade mundial da RC,[7] este tipo de serviço foi identificado em 111/203 países e a relação global de vagas para cada paciente com cardiopatia isquêmica foi de 1:11, o que demonstra uma triste realidade.Dados não publicados sobre a disponibilidade de serviços de RC[8] identificaram o funcionamento de apenas 59 programas de RC no Brasil, sendo a maioria destes (71%) concentrados nas regiões Sul (20%) e Sudeste (51%) do país, o que demonstra não só a escassez, como também a heterogeneidade na distribuição nacional. Em relação às vagas disponíveis, a situação fica ainda mais concentrada, visto que 69% delas estão na região Sudeste, o que expõe a grande lacuna de vagas e serviços nas demais regiões brasileiras. A partir dos dados supracitados, os autores também calcularam a disponibilidade nacional de vagas de RC para atendimentos após a alta hospitalar: o número de vagas para atender estes pacientes após o evento cardiovascular representou menos de 2% da necessidade.[8]Para complicar ainda mais a já crítica situação brasileira, no que diz respeito à pouca disponibilidade de serviços de RC, o início da pandemia COVID-19 impactou seriamente na funcionalidade destes serviços, sendo que 81% dos programas de RC relataram interrupção ou encerramento de suas atividades assistenciais, acrescido de mais 14% de serviços que reduziram o número de vagas até então disponibilizadas.[8] Não há informações científicas sobre o retorno do funcionamento destes serviços até o presente momento, porém, informalmente, estima-se que a capacidade de atendimento ainda não tenha retornado ao nível pré-pandemia. Além disso, os serviços de RC que reiniciaram suas atividades passaram a receber um novo fluxo de pacientes pós-COVID-19, o que pode ter reduzido ainda mais a disponibilidade de vagas para os pacientes portadores de cardiopatias crônicas ou agudas após alta hospitalar, piorando ainda mais o cenário “catastrófico” da RC no Brasil.
Qual é o cenário atual da reabilitação cardíaca em Portugal?
Nos últimos anos a RC tem apresentado progressiva melhora, tanto em número quanto em qualidade. No entanto, é sabido que ainda está longe do ideal. Neste cenário, o Grupo de Estudos de Fisiologia de Esforço e Reabilitação Cardíaca da Sociedade Portuguesa de Cardiologia tem realizado questionários recorrentes aos Centros de RC para avaliar a evolução da RC em Portugal.[9 - 13] No último inquérito, datado de 2019,[13] foram registrados 25 centros (33% de aumento do número em relação a 2014)[12] com programas de RC, assim considerados de acordo com padrões nacionais e europeus.[14 , 15] Destes, 11 centros localizam-se na região norte, 1 na região central, 12 na região da grande Lisboa e 1 no sul do país. Verifica-se que esta concentração de centros diz respeito às grandes cidades e região litorânea do país, o que reflete a grande heterogeneidade com manifesta carência de centros de reabilitação em regiões rurais, nas pequenas cidades e vilas, assim como no interior, o que vai contra às recomendações da Organização Mundial de Saúde para a igualdade no acesso à Saúde.[16] Se considerarmos que anualmente cerca de 10.000 portugueses têm alta hospitalar por infarto do miocárdio e se estes fossem distribuídos uniformemente no território nacional (o que não é o caso), teoricamente cada centro de reabilitação teria que reabilitar 400 pacientes, só em relação a esta patologia (excluindo-se outras causas de doença cardiovascular). Partindo do princípio que os programas de fase 2 teriam 3 meses de duração, quantos e quais os centros seriam capazes de reabilitar 100 pacientes de cada vez, adicionando aí os números de pacientes com outras patologias? E como conseguir uma fase 3 a longo prazo?Não é só na distribuição geográfica dos centros em território Português que se verifica essa grande heterogeneidade, mas também nos tipos de programas instituídos, com desenho e duração variável. Em sua maioria, programas de fase 2 apresentam uma frequência semanal de duas a três sessões de exercício (podendo variar de 12 até 36 semanas). Por sua vez, os programas de fase 3 têm uma frequência de uma a três sessões semanais, com opção de prazo de longa duração em alguns casos. Todos os centros têm equipes multidisciplinares, incluindo sempre cardiologista, frequentemente na coordenação dos programas. Além do exercício, os programas incluíram sempre aconselhamento nutricional, a maioria com controle de fatores de risco, alguns com cessação tabágica e com intervenção psicológica. Em outras palavras, isto demanda na preparação de equipes com capacidade para intervir através dos vários componentes da RC, o que já é uma realidade em alguns hospitais e universidades, como acontece com o Mestrado em Reabilitação Cardiovascular da Faculdade de Medicina de Universidade de Lisboa,[17] curso de formação avançada destinado a diferentes especialistas. Aliás, a oferta de profissionais habilitados pode inclusive ser fator primordial no aparecimento de novos programas de RC.Outro dado interessante é que em 2019,[13] verificou-se um aumento de 13% nos pacientes que foram encaminhados para RC, comparativamente ao questionário prévio de 2014,[12] sobretudo no sistema público de saúde. Entretanto, apesar do aumento numérico de pacientes reabilitados, apenas 9,3% daqueles com alguma síndrome coronariana aguda (SCA – causa mais frequente de indicação de reabilitação), foram de fato reabilitados. Sendo assim, se pensarmos que 100% destes pacientes deveriam participar de programas de RC para melhorar a qualidade de vida e reduzir o reinfarto e a mortalidade,[4 , 18] estaremos diante de um cenário deveras subótimo. Por sua vez, a IC de diferentes etiologias foi a segunda indicação mais frequente para a fase 2 e 3 (com aumento de 1,8% em relação ao questionário prévio de 2014),[12] incluindo-se aí a reabilitação após implantação de dispositivos cardíacos (aumento de 3,1%). Seguramente, o encaminhamento para programas de RC em pacientes após SCA ou com diagnóstico de IC necessita ser melhorado, assim como a oferta e a capacitação dos centros.Causas para não adesão dos pacientes aos programas de RC em Portugal, como em outros países, são a dificuldade de transporte, distância ao centro de reabilitação, problemas financeiros, falta de suporte familiar, falta de motivação, desconhecimento dos benefícios e riscos do exercício, assim como problemas laborais. E para dificultar um pouco mais, nos últimos dois anos, a pandemia COVID-19 veio juntar-se às causas de não adesão, fazendo com que alguns centros desenvolvessem programas à distância para tentar minimizar o obstáculo de isolamento social.Por fim, apesar de melhorias significativas, a RC em Portugal ainda está longe do que seria o desejável, tanto no encaminhamento, quanto no que diz respeito a uma melhor distribuição de programas pelo país.
Conclusão
O panorama da RC no Brasil e em Portugal ainda é deficiente e necessita grande investimento, em especial se considerarmos que esta intervenção de prevenção secundária é essencial e pode salvar vidas. Neste contexto e para uma implementação efetiva necessitamos:Promover a divulgação adequada da RC através dos meios de comunicação, assim como estimular políticas de saúde por meio das sociedades científicas e dos próprios profissionais de saúde, tanto a nível individual, quanto institucional;Aumentar o encaminhamento por meio da educação para a prevenção de profissionais de saúde e da criação de um sistema de referenciamento dos pacientes, com indicação tão cedo quanto na alta hospitalar;Combater as causas para não adesão dos pacientes aos programas de RC, tais como: a) dificuldade de transporte e a distância ao centro de reabilitação; b) problemas financeiros e falta de suporte familiar; c) falta de motivação e desconhecimento dos benefícios e riscos do exercício; d) problemas de horário laboral.Finalmente, é claro para nós que se todos os agentes potencialmente envolvidos no processo de implementação de programas de reabilitação nos dois países (governo, agentes de saúde, sociedade civil, entre outros), investirem “um quinhão”, o resultado irá muito além “do milhão”. Ou seja, ao se fazer uma medicina embasada nas melhores evidências e com um custo relativamente baixo, o resultado pode ser um ganho substancial de vidas, redução de sofrimento e até diminuição significativa em gastos com a saúde da população.Brazil and Portugal have a great deal in common, and they are bound by strong ties, with a history that began to be written over five centuries ago. They share a language, although there are pronounced differences in accent, as well as vocabulary. Air traffic between both countries is intense (much lower during the Covid-19 pandemic), and citizens from both sides of the Atlantic Ocean inhabit or visit cities on the other side. Finally, Portuguese blood runs in the veins (and arteries) of many Brazilians, and, in recent years, a wave of Brazilians have immigrated to Portugal, retracing the path taken by Pedro Álvares Cabral, when he and his 13 vessels first arrived in the land that would receive the name “ Terra Brasilis ”.Confused readers may now be asking themselves, “What is the relationship between the last paragraph and cardiac rehabilitation (CR)? What is the real reason that this text was written by one Portuguese and two Brazilian authors, who are all cardiologists and advocates of CR?” In truth, the objective is to sketch a brief profile of what is taking place with CR in both countries, attempting to inform readers about a reality that is absolutely disconnected from what we see in other areas of cardiology. Speaking not out of envy, but rather out of concern as rehabilitators, we see cardiology flourish in terms of medications and devices that change the quality and quantity of patients’ lives,[1] therapies based on the best evidence described in the guidelines, and invasive procedures that save lives or significantly reduce damage, in addition to observing that personalized medicine is “knocking on the door” and promising a potential revolution in the management of monogenic and polygenic diseases. In short, wherever there is investment, dissemination, and marketing, cardiology is an unmistakable example of success.It is important to underscore that, even though it is still behind the scenes in cardiological therapy, CR, in different clinical scenarios,[2 , 3] is a health strategy for which both the class of recommendation and the level of evidence have left no doubt, when compared to auspicious situations such as those described in the preceding paragraph. Systematic reviews and meta-analyses[4 , 5] have shown that the implementation of CR can have an immense impact on people’s lives, and it is a useful action for society as a whole. Now, we ask: If a patient with ischemic heart disease does not receive antiplatelet therapy (with any medication whatsoever), what would people think of the cardiologist taking care of this patient? Or what if a patient with dyslipidemia, with total cholesterol of 267 mg/dL and LDL of 191 mg/dL, did not receive a statin prescription? Or, to push things even further, if a patient with an acute myocardial infarction (AMI) with ST elevation did not receive reperfusion therapy, while a hemodynamist and a hemodynamics room were available? The case would imaginably end up before the medical ethics board, and rightfully so! However, few people in the medical field are able to envision the enormous void that remains regarding a conduct based on the best evidence, namely, not referring patients who are ischemic after an AMI or patients with heart failure (HF) of any etiology to a CR service. In this case, although the indication is fully understood in theory, it is extremely under-applied in practice, both in Portugal and in Brazil, as we will see in the following paragraphs.
What is the current scenario of cardiac rehabilitation in Brazil?
The scenario in Brazil is alarming. The number of documented CR programs is extremely insufficient in relation to the clinical need, and this is certainly harmful to the health of the Brazilian population with chronic heart diseases. Let’s look at the evidence: In a study published in 2020, Britto et al.[6] estimated that, in Brazil, there is only 1 spot in a CR service for every 99 patients with ischemic heart disease, meaning that the availability is almost 3 times lower than that observed in another 32 countries evaluated (1 spot for every 32.7 patients). In another study that evaluated the worldwide availability and density of CR,[7] this type of service was identified in 111 out of 203 countries, and the global ratio of spots for each patient with ischemic heart disease was 1 to 11, which demonstrates a sad reality.Unpublished data on the availability of CR[8] identified the operation of only 59 CR programs in Brazil; most of them (71%) were concentrated in the South (20%) and Southeast (51%) Regions of the country, which demonstrates not only the scarcity, but also the heterogeneity in the national distribution. In relation to available spots, the situation is even more concentrated, since 69% of them are in the Southeast Region, which exposes the large gap in spots and services in other Brazilian regions. Based on these data, the authors also calculated the national availability of CR spots for care after hospital discharge. The number of spots to provide care for these patients after a cardiovascular event represented less than 2% of the need.[8]To further complicate the already critical situation in Brazil, with regard to the limited availability of CR services, the beginning of the COVID-19 pandemic has had a serious impact on the functionality of these services, with 81% of CR programs reporting interruption or termination of their care activities, in addition to another 14% of services that reduced the number of spots that were available up to that time.[8] There is no scientific information regarding the return of these services to date; however, informally, it is estimated that the service capacity has not yet returned to the pre-pandemic level. Furthermore, the CR services that resumed their activities began to receive a new flow of post-COVID-19 patients, which may have further reduced the availability of spots for patients with chronic or acute heart diseases after hospital discharge, making the “catastrophic” scenario of CR in Brazil even worse.
What is the current scenario of cardiac rehabilitation in Portugal?
In recent years, CR has shown progressive improvement, both in number and in quality. However, it is known that it is still far from ideal. In this scenario, the Study Group on Exercise Physiology and Cardiac Rehabilitation of the Portuguese Society of Cardiology has applied recurring questionnaires at CR centers to assess the evolution of CR in Portugal.[9 - 13] In the latest survey, dated 2019,[13] 25 centers with CR programs were registered (a 33% increase in relation to 2014),[12] which is thus considered in accordance with national and European standards.[14 , 15] Concerning these centers, 11 are located in the North Region, 1 in the Central Region, 12 in the Greater Lisbon Region, and 1 in the South Region. This concentration of centers is related to larger cities and the coastal region of the country, which reflects the great heterogeneity, with a manifest lack of rehabilitation centers in rural regions, small towns, and villages, as well as in the interior, which goes against the recommendations of the World Health Organization for equal access to health.[16] If we consider that approximately 10,000 people in Portugal are discharged from the hospital annually due to myocardial infarction, and, if they were evenly distributed throughout the national territory (which is not the case), theoretically, each rehabilitation center would have to rehabilitate 400 patients, only in relation to this disease (excluding other causes of cardiovascular disease). Assuming that phase 2 programs last 3 months, how many and which centers would be able to rehabilitate 100 patients at a time, adding to that the numbers of patients with other diseases? And how to achieve phase 3 in the long term?It is not only in the geographical distribution of centers throughout the territory of Portugal that this great heterogeneity is observed, but also in the types of programs instituted, with varying design and duration. Most phase 2 programs have a weekly frequency of 2 to 3 exercise sessions (ranging from 12 to 36 weeks). In turn, phase 3 programs have a frequency of 1 to 3 sessions per week, with a very long-term option in some cases. All centers have multidisciplinary teams, always including a cardiologist, who often coordinates the programs. In addition to exercise, the programs always included nutritional counseling, most with risk factor control, some with smoking cessation and psychological intervention. In other words, this demands the preparation of teams capable of intervening through the various components of CR, which is already a reality in some hospitals and universities, as is the case with the Masters in Cardiovascular Rehabilitation at the Faculty of Medicine of the University of Lisbon,[17] a postgraduate program geared toward different specialists. In fact, the availability of qualified professionals may even be a key factor in the emergence of new CR programs.Another interesting piece of data is that, in 2019,[13] a 13% increase was found in the number of patients who were referred for CR, when compared to the previous questionnaire from 2014,[12] especially in the public health system. However, despite the increase in the number of rehabilitated patients, only 9.3% of patients with acute coronary syndrome (ACS), which is the most frequent cause of rehabilitation, were actually rehabilitated. Therefore, if we consider that 100% of these patients should participate in CR programs to improve their quality of life and reduce reinfarction and mortality,[4 , 18] we are facing a truly suboptimal scenario. In turn, HF of different etiologies was the second most frequent indication for phases 2 and 3 (with 1.8% increase in relation to the previous 2014 questionnaire),[12] including rehabilitation after implantation of cardiac devices (a 3.1% increase). Certainly, the referral to CR programs of patients after ACS or patients with diagnosis of HF needs to be improved, in addition to the availability and training of the centers.The causes for non-adherence of patients to CR programs in Portugal, as in other countries, are transportation difficulties, distance to the rehabilitation center, financial problems, lack of family support, lack of motivation, lack of knowledge regarding the benefits and risks of exercise, and labor problems. Further posing difficulties, in the past 2 years, the COVID-19 pandemic has been added to the causes of non-adherence, leading some centers to develop distance programs to attempt to minimize the obstacle of social isolation.Finally, in spite of significant improvements, CR in Portugal is still far from what would be desirable, both in terms of referral and in terms of better distribution of programs throughout the country.
Conclusion
The scenario of CR in Brazil and Portugal is still inadequate, and it requires great investment, especially if we consider that this secondary prevention intervention is essential and can save lives. In this context, for effective implementation we need the following:To promote adequate dissemination of CR through the media and to encourage health policies through scientific societies and health professionals, both individually and institutionally;To increase referral by means of prevention education for health professionals and the creation of a patient referral system, with indication as early as hospital discharge;To combat the causes of non-adherence of patients to CR programs, such as: a) transportation difficulties and distances to rehabilitation centers; b) financial problems and lack of family support; c) lack of motivation and lack of knowledge regarding the benefits and risks of exercise; d) work problems.Finally, it is clear to us that if all the agents potentially involved in the process of implementing rehabilitation programs in both countries (governments, health agents, civil society, and others) invest a fair share, the returns will far exceed the principal. In other words, by practicing medicine based on the best evidence, with a relatively low cost, the result can be a substantial gain in lives, reduced suffering, and even a significant decrease in population health expenditures.
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