Literature DB >> 35508059

Position Statement on Cardiovascular Safety of Vaccines Against COVID-19 - 2022.

Humberto Graner Moreira1,2, Múcio Tavares de Oliveira Júnior3,4,5,6, Bruno Pereira Valdigem2,7,8, Cristiane Nunes Martins9, Carisi Anne Polanczyk10,11,12,13.   

Abstract

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Year:  2022        PMID: 35508059      PMCID: PMC9007012          DOI: 10.36660/abc.20220179

Source DB:  PubMed          Journal:  Arq Bras Cardiol        ISSN: 0066-782X            Impact factor:   2.000


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Nada a ser declarado Declaração financeira A - Pagamento de qualquer espécie e desde que economicamente apreciáveis, feitos a (i) você, (ii) ao seu cônjuge/ companheiro ou a qualquer outro membro que resida com você, (iii) a qualquer pessoa jurídica em que qualquer destes seja controlador, sócio, acionista ou participante, de forma direta ou indireta, recebimento por palestras, aulas, atuação como proctor de treinamentos, remunerações, honorários pagos por participações em conselhos consultivos, de investigadores, ou outros comitês, etc. Provenientes da indústria farmacêutica, de órteses, próteses, equipamentos e implantes, brasileiras ou estrangeiras: - Bayer, Pfizer, Novartis, Roche, Amgen, Bristol. Outros relacionamentos Financiamento de atividades de educação médica continuada, incluindo viagens, hospedagens e inscrições para congressos e cursos, provenientes da indústria farmacêutica, de órteses, próteses, equipamentos e implantes, brasileiras ou estrangeiras: - Bayer, Roche. Nada a ser declarado Declaração financeira A - Pagamento de qualquer espécie e desde que economicamente apreciáveis, feitos a (i) você, (ii) ao seu cônjuge/ companheiro ou a qualquer outro membro que resida com você, (iii) a qualquer pessoa jurídica em que qualquer destes seja controlador, sócio, acionista ou participante, de forma direta ou indireta, recebimento por palestras, aulas, atuação como proctor de treinamentos, remunerações, honorários pagos por participações em conselhos consultivos, de investigadores, ou outros comitês, etc. Provenientes da indústria farmacêutica, de órteses, próteses, equipamentos e implantes, brasileiras ou estrangeiras: - Novartis: Entresto; Bayer: Xarelto; Pfizer: Eliquis; Libbs: Plenance Eze. Declaração financeira B - Financiamento de pesquisas sob sua responsabilidade direta/pessoal (direcionado ao departamento ou instituição) provenientes da indústria farmacêutica, de órteses, próteses, equipamentos e implantes, brasileiras ou estrangeiras: - Sanofi Pasteur: FLUZONE Senior; Torrent: droga experiental. Outros relacionamentos Financiamento de atividades de educação médica continuada, incluindo viagens, hospedagens e inscrições para congressos e cursos, provenientes da indústria farmacêutica, de órteses, próteses, equipamentos e implantes, brasileiras ou estrangeiras: - Astra Zeneca, Boehringer, Novartis, Torrent Pharma, Sanofi Pasteur, Merck, Biolab.

Introdução

O Comitê Científico da Sociedade Brasileira de Cardiologia, por determinação do seu Conselho Administrativo, convocou em grupo de trabalho para monitorar e organizar, de forma continuada e sistemática, evidências científicas da segurança cardiovascular das vacinas contra COVID-19. O objetivo desse grupo de trabalho é reproduzir dados cientificamente sólidos, sintetizar a evidência no momento disponível, e oferecer recomendações para o cardiologista brasileiro na forma de posicionamentos da SBC. As vacinas para prevenir a infecção por SARS-CoV-2 são consideradas a abordagem mais efetiva para controlar a pandemia pelo vírus. Apesar dos tempos exíguos do desenvolvimento das vacinas contra COVID-19, cada vacina aprovada passou por todas as fases pré-clínicas e clínicas (fases I a III) de pesquisa científica. Os mesmos critérios rigorosos de segurança aos quais esses estudos foram submetidos permanecem ativos e vigilantes na chamada “fase IV”, ou monitoramento pós-comercialização. Esta fase é fundamental para avaliar a ocorrência de eventos adversos raros que tenham relação causal com as vacinas, pois eles só ficam evidentes com a aplicação em grande número de indivíduos. Como em outras vacinas, eventos adversos foram observados durante esta fase de monitoramento dos programas de imunização populacional contra COVID-19, alguns relacionados ao envolvimento do aparelho circulatório. A seguir, são revisadas as evidências de dois desses efeitos adversos de interesse quanto à saúde cardiovascular: trombose com trombocitopenia e miocardite induzida pela vacina.

Trombose com trombocitopenia imune induzida por vacina (VITT)

Em fevereiro de 2021, uma síndrome pró-trombótica foi descrita em um pequeno número de indivíduos após serem vacinados. Esta síndrome recebeu o nome de Trombocitopenia trombótica induzida por vacina (VITT – vaccine-induced immune thrombotic thrombocytopenia). Duas vacinas que utilizam vetores de adenovírus foram implicadas em causar VITT: ChAdOx1 nCoV-19 (AstraZeneca, Universidade de Oxford e Serum Institute of India); Ad26.COV2.S (Janssen; Johnson & Johnson). Embora seja reconhecida como uma reação adversa a essas vacinas, a incidência real de VITT é ainda desconhecida, e evidências apontam para uma complicação rara. A maioria dos relatos descreve um pequeno número de casos entre dezenas de milhões de indivíduos vacinados.[1-4] Em janeiro de 2022, um relatório do sistema de notificação norte-americano de eventos adversos da vacina (VAERS, Vaccine Adverse Event Reporting System) identificou 54 casos de trombose entre mais de 14 milhões de receptores de Ad26.COV2.S, uma incidência de 3,8 por milhão (aproximadamente 1 em 263.000).[2,3] A farmacovigilância para esses desfechos tem sido minuciosa, sugerindo que a apuração de casos tem alta confiabilidade. Os fatores de risco para VITT são desconhecidos. Sexo feminino, presença de obesidade e idade entre 30 e 50 anos foram propostos como fatores de risco com base nos relatórios iniciais, mas podem refletir apenas a demografia das populações vacinadas precocemente.[1,3-5] Nos EUA, o risco de VIITT após administração de Ad26.COV2.S foi estimada em 3,8 casos por milhão de doses na população em geral, e 9 a 10,6 casos e por milhão de doses para mulheres de 30 a 49 anos.[2,3,6] Embora a trombose seja a apresentação clínica na maioria dos casos relatados,[1,4,7]plaquetopenia isolada também pode ocorrer.[7,8] A trombose da veia cerebral é uma das formas mais comuns de acometimento descritas. O prognóstico da VITT depende do território acometido, extensão da trombose e complicações decorrentes, e tempo para o diagnóstico. Em uma série de 220 indivíduos com VITT definitiva ou provável, a taxa de mortalidade foi de 22%.[5] Os fatores identificados que conferem maior risco de morte incluem trombose venosa cerebral, trombocitopenia mais acentuada e complicações hemorrágicas concomitantes. Nos EUA, a mortalidade relacionada à VITT foi de 0,57 mortes por milhão de doses de Ad26.COV2.S no geral, e de 1,8 a 1,9 mortes por milhão de doses em mulheres de 30 a 49 anos.[2,3] Comparativamente, a taxa de mortalidade global por COVID-19 é de 1 a 2%. A incidência de trombose chega a 8% de todos os pacientes hospitalizados com COVID-19, e até 23% em indivíduos em unidades de terapia intensiva.[9] Ainda, há evidências de que a incidência de trombose da veia cerebral em pacientes hospitalizados com COVID-19 foi de 207 por milhão de casos, muito superior à incidência de casos induzidos por vacina (0,9 a 3,8 por milhão).[10] Assim, existe um consenso de que os benefícios da vacinação superam os riscos potenciais de efeitos colaterais raros da vacina, como VITT.[11] Recomendações específicas: Uma história prévia de tromboembolismo venoso (TEV) ou uma predisposição para TEV não são uma contraindicação à vacinação com qualquer tipo de vacina. Nenhum estudo demonstrou um risco aumentado de VITT ou outras complicações trombóticas após vacinação nestes indivíduos; Para indivíduos que receberam uma primeira dose da vacina ChAdOx1 nCoV-19 e não desenvolveram VITT, a recomendação é completar o esquema vacinal com duas doses. Não há evidências de que a segunda dose, ou mesmo o reforço (booster), aumente o risco de complicações trombóticas. Uma revisão do banco de dados de segurança da AstraZeneca na Europa e no Reino Unido identificou uma incidência de 8,1 casos de VITT por um milhão de primeiras doses, e apenas 2,3 casos por milhão de segundas doses;12 Para indivíduos que tiveram VITT com uma vacina de vetor de adenovírus, outra dose não deve ser administrada. Recomenda-se fazer a transição do esquema vacinal para uma vacina de RNAm; As evidências disponíveis não apoiam nenhuma avaliação clínica, laboratorial ou de imagem em indivíduos assintomáticos antes ou após a vacinação.[13]

Miocardite induzida por vacina

A associação entre miocardite e vacinas é descrita como um evento adverso raro, cuja incidência é observada mais frequentemente após vacinação contra varíola, influenza e hepatite B. Entre 1990 e 2018, apenas 0,1% das mais de 620 mil notificações de reações adversas pós-vacinas foram atribuíveis à miopericardite nos EUA.[14] Em julho de 2021, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) relatou uma possível associação entre as vacinas de RNAm para SARS-CoV-2 e casos de miocardite e pericardite. As duas vacinas que utilizam a tecnologia de RNAm e foram associadas a miocardite são: BNT162b2 (Pfizer); mRNA-1273 (Moderna). Inicialmente, foi estimada uma taxa de 32,4 casos por milhão de doses aplicadas, chegando até a 66,7 por milhão após a segunda dose entre homens de 12 e 17 anos. A incidência diminuía significativamente com o aumento da idade e era marcadamente mais baixa entre mulheres de todas as idades.[15] Após relatos iniciais de miopericardite nesse grupo etário (de 12 a 17 anos), houve uma maior atenção nas políticas de segurança e vigilância para este efeito adverso. Nos últimos meses, estudos de base populacional foram publicados sobre a ocorrência desse evento pós-vacinação para SARS-CoV-2, descritos a seguir e resumidos na Tabela 1.
Tabela 1

– Características dos estudos populacionais avaliando miocardite ou miopericardite associada às vacinas contra COVID-19 que utilizam RNAm

AutoresPaísPopulação do EstudoIndivíduos vacinados com vacina RNAmCasos de miocardite confirmadaEvento/ 100.000 vacinados (taxa bruta)ÓbitosVacina BTN162b2 (Pfizer)Vacina mRNA1273 (Moderna)
Witberg et al.16IsraelBanco de dados de serviço de saúde de Israel, usuários com idade ≥ 16 anos2.558.421542,11100% 
Mevorach et al.17IsraelBanco de dados do Ministério da Saúde de Israel, população com idade ≥ 16 anos5.125.6351362,41100% 
Husby et al.19DinamarcaCoorte populacional, idade ≥ 12 anos3.981.109691,7087%13%
Chua et al.20Hong KongDados populacionais que incluiu chineses de 12 a 17 anos178.1633318,50100% 
Patone et al.21Grã-BretanhaDados do English National Immunisation (NIMS) Database, população ≥ 16 anos17.999.5801690,925*94%6%
Oster et al.23EUARegistro de vigilância Vaccine Adverse Event Reporting System (VAERS), idade ≥ 12 anos192.405.44816260,85070%30%
Simone et al.24EUADados do Kaiser Permanente Southern California – idade ≥ 18 anos2.392.924150,58050%50%
Montgomery et al.26EUADados do US Military Health Service, idade entre 20 e 51 anos2.810.000230,80Não disponível

* Qualquer morte registrada tendo "miocardite" entre as causas, nos primeiros 28 dias após a primeira ou segunda dose da vacina.

* Qualquer morte registrada tendo "miocardite" entre as causas, nos primeiros 28 dias após a primeira ou segunda dose da vacina. Witberg et al.[16] identificaram 54 casos confirmados de miocardite, de acordo com os critérios do CDC, entre mais de 2,5 milhões de indivíduos vacinados e monitorados por uma organização de saúde de Israel. Entre os pacientes com miocardite, 37 (69%) foram diagnosticados entre três e cinco dias após a segunda dose da vacina. A incidência geral estimada de miocardite (aferida até 42 dias após a primeira dose de vacina) foi de 2,13 casos por 100.000 pessoas. Essas taxas foram maiores entre homens de 16 e 29 anos, 10,7 casos por 100.000 pessoas. A maioria dos casos de miocardite foi classificada como leve (76%) ou moderada (22%), e houve um caso associado a choque cardiogênico. Aqueles que apresentavam disfunção ventricular esquerda na admissão (29%) apresentaram recuperação da função ventricular no seguimento (mediana de 83 dias); Mevorach et al.[17] relataram 136 casos de miocardite, definidos segundo critérios da Brighton Collaboration e do CDC, entre 5,1 milhões de indivíduos vacinados com duas doses de BNT162b2 mRNA (Pfizer) em Israel. Desses, 117 (86%) ocorreram após a segunda dose, e 81% deles foram internados nos primeiros sete dias após a vacinação. A incidência geral foi de 0,35 casos por 100 000 pessoas nos primeiros 21 dias após a primeira dose, e 2,10 casos por 100.000 pessoas após a segunda dose. A incidência entre homens foi maior, chegando a 0,6 casos por 100 000 pessoas após a primeira dose, e 3,8 casos por 100 000 pessoas após segunda dose. A incidência aumentou para 1,3 e 15,1 por 100.000 pessoas após a primeira e a segunda dose, respectivamente, entre adolescentes do sexo masculino de 16 a 19 anos. A razão da comparação da incidência de miocardite entre vacinados e não vacinados após a segunda dose foi de 2,4 (IC 95% 1,1 a 5,0). Entre esses casos identificados, 95% tiveram um curso benigno e autolimitado, e um óbito ocorreu. Recentemente, os mesmos autores investigaram os casos de hospitalizações por miocardite entre adolescentes de 12 a 15 anos e encontraram 13 casos que poderiam ser relacionados à vacina pelo critério temporal.[18] O risco de miocardite entre adolescentes do sexo masculino foi de 0,56 casos por 100 000 após a primeira dose e 8,09 casos por 100 000 após a segunda dose, e entre as mulheres da mesma idade, 0 casos por 100 000 após a primeira dose e 0,69 casos por 100.000 após a segunda dose; Utilizando dados do sistema nacional de monitoramento de saúde da Dinamarca, Husby et al.[19] acompanharam 4,9 milhões de indivíduos acima de 12 anos, entre outubro de 2020 e outubro de 2021, e observaram 269 novos casos de miocardite no período. Entre os 3 482 295 indivíduos vacinados com BNT162b2 (Pfizer), 48 desenvolveram miocardite ou miopericardite nos primeiros 28 dias após a vacina. A incidência absoluta foi de 1,4 por 100,000 vacinados. O risco de miocardite não foi significativamente diferente entre vacinados e não vacinados na análise primária de 28 dias após a vacinação [hazard ratio (HR) ajustada 1,34, intervalo de confiança de 95% (IC95%) 0,90 a 2,00], mas foi significativamente maior quando essa foi feita dentro de um período mais curto, 14 dias pós-exposição (HR 1,89, IC95% 1,23 a 2,90). Diferentemente de outras coortes, o risco de miocardite foi maior entre mulheres do que homens. Entre os 498.814 indivíduos que receberam mRNA-1273 (Moderna), 21 desenvolveram miocardite ou miopericardite nos primeiros 28 dias (incidência 4,2 por 100.000 indivíduos vacinados; HR 3,92, IC95% 2,30 a 6,68). A taxa de risco ajustada na população entre 12 e 39 anos foi de 1,48 (IC95% 0,74 a 2,98) com BNT162b2, e 5,24 (IC95% 2,47 a 11,12) com mRNA-1273. Houve apenas uma morte, e a apresentação clínica, em geral, foi similar aos casos de miocardite ou miopericardite entre não vacinados; Em Hong Kong, Chua et al.[20] reportaram 33 casos de miocardite e/ou pericardite entre 178.163 adolescentes de 12 a 17 anos vacinados com BNT162b2 (Pfizer). Destes casos, 29 (87,9%) eram do sexo masculino, e a maioria (81,8%) desenvolveu miocardite/pericardite aguda após a segunda dose. A incidência geral foi de 18,5 por 100 000 adolescentes vacinados. Entre os jovens do sexo masculino, a incidência após a primeira e a segunda dose foi 5,57 e 37,32 por 100 000 pessoas vacinadas, respectivamente. Todos os casos foram leves e se recuperaram espontaneamente; Patone et al.[21] avaliaram os riscos de miocardite, pericardite e arritmias cardíacas associadas à vacinação contra COVID-19 versus infecção por SARS-Cov2. Eles avaliaram mais de 38,6 milhões de adultos ingleses, e observaram que 0,001% dos indivíduos tiveram miocardite nos primeiros 28 dias após qualquer dose de vacina. Neste período, houve um caso excedente de miocardite para vacina BNT162b2 (Pfizer), e seis casos excedentes com mRNA-1273 (Moderna) para cada um milhão de indivíduos vacinados. Mesmo este risco aumentado em 10 casos para cada um milhão de vacinados após uma segunda dose de mRNA-1273, essa taxa ainda foi menor do que os 40 casos de miocardite para cada 1 milhão de indivíduos com teste positivo para SARS-Cov2. Os mesmos autores ampliaram a análise para 42 milhões de britânicos vacinados [dados em pré-publicação (preprint)[22]], mostrando resultados semelhantes com a dose de reforço das vacinas. Em homens com idade <40 anos, os riscos de miocardite relacionada à infecção por SARS-CoV-2 e à vacinação foram semelhantes, exceto com a vacina mRNA-1273, que ofereceu maior risco de miocardite do que aquele relacionado à infecção pelo SARS-CoV-2; Mais recentemente, em uma análise detalhada de casos de miocardite nos EUA, Oster et al.[23] concluíram que o risco de miocardite após vacinas de RNAm foi maior após a segunda dose entre adolescentes e jovens do sexo masculino. Entre 192 405 448 americanos que receberam um total de 354 100 845 doses de vacina contra COVID-19 com base em RNAm, foram identificados 1 626 casos de miocardite. A maioria dos casos (82%) foi em indivíduos do sexo masculino. Com relação à BNT162b2 (Pfizer), a incidência foi de 70,6 por cada milhão de doses aplicadas entre homens de 12 a 15 anos; 105,9 por milhão em homens de 16 a 17 anos, e 52,4 por milhão de doses aplicadas em homens de 18 a 24 anos. A maioria dos casos foi considerada leve a moderada, com boa evolução. Até a publicação, havia duas notificações de óbitos potencialmente devido à miocardite que ainda estavam sob investigação. Outros estudos, também nos EUA, já haviam relatado uma incidência de 0,58 para cada 100.000 casos num período de observação de 10 dias após a segunda dose de ambas as vacinas de RNAm;[24] e uma estimativa de 6,3 casos excedentes de miocardite para cada um milhão de doses aplicadas, nas primeiras 3 semanas após vacinação com RNAm, em indivíduos entre 12 e 39 anos.[25] Em militares norte-americanos, a taxa foi de 0,8 para cada 100.000 doses aplicadas, todas em homens.[26] A comparação direta dos estudos acima apresenta limitação, pois cada um traz uma peculiaridade, quer seja nos critérios diagnósticos, período considerado, diferentes faixas etárias incluídas, além de diferenças metodológicas no cálculo do risco (absoluto ou em excesso). Ainda, em muitas análises, há uma variável que não foi estudada, que é a preexistência de miocardite, quer seja por COVID-19 ou por outras causas. Ainda assim, o conjunto de evidências sugere que o risco de miocardite aguda associada à vacinação para COVID-19 é real e tem incidência muito baixa, e é mais comumente relatada em jovens do sexo masculino. Os mecanismos fisiopatológicos da inflamação e injúria miocárdicas observadas com vacinas de RNAm contra COVID-19 não estão bem estabelecidos, mas podem estar relacionados à sequência genética que codifica a proteína spike do vírus SARS-CoV-2 ou à resposta imune (reações de hipersensibilidade, por exemplo) a essas vacinas. O fato de as maiores taxas serem observadas em jovens do sexo masculino, e principalmente após a segunda dose, apoiam a hipótese de uma resposta imune mal adaptada, que pode ter influência dos hormônios sexuais. A apresentação clínica é similar a um quadro clássico de miocardite aguda, e inclui dor torácica, acompanhado de dispneia ou falta de ar. Além disso, a troponina está elevada em quase a totalidade dos casos, e aproximadamente 70% possuem alguma alteração ao eletrocardiograma. Disfunção sistólica aguda, com queda na fração de ejeção do ventrículo esquerdo, foi reportada em 6 a 12% dos casos.[20,23,27,28] O prognóstico da miocardite relacionada à vacina é muito favorável: na maioria dos casos, é autolimitada, com resolução dos sintomas e normalização dos exames laboratoriais e eletrocardiograma/ecocardiograma ao longo do seguimento. Na maior revisão de casos publicada, Kohli et al.[27] relataram que as complicações graves com risco de vida devido permanecem extremamente raros. Por outro lado, é preciso colocar sempre em perspectiva a magnitude dos benefícios da vacinação para toda população, quando se avalia os potenciais eventos adversos relacionados. No estudo britânico já citado, a taxa de miocardite associada à infeção pelo SARS-Cov2 com 28 dias de exposição foi de 30 casos por milhão para a população em geral, e este número chegava a 73 casos por milhão em homens acima de 40 anos.[22] Ou seja, a taxa de miocardite associada à COVID-19 excede a taxa observada com as vacinas na maioria dos levantamentos populacionais. A exceção ainda são homens mais jovens, particularmente adolescentes, nos quais o risco de miocardite associada às vacinas excede a taxa de miocardite por COVID-19 na mesma faixa etária.[21,22] Ainda assim, quando comparadas às taxas de mortalidade da infecção pelo vírus SARS-Cov2 (0,1 a 1,0 por 100.000 indivíduos entre 12 e 29 anos), bem como o risco de hospitalização, o benefício geral da vacina supera o risco de miocardite por ela induzida. Importante ressaltar que os indivíduos infectados pelo Sars-Cov2 têm risco aumentado para outras condições cardiovasculares que não só aquelas descritas como eventos adversos da vacinação (trombose e miocardite ou miopericardite). Abbasi et al.[29] estimaram a ocorrência extra de eventos atribuídos a COVID-19 em um período de 12 meses comparado a grupo de controle (que não tiveram COVID-19). Para cada 1 000 pessoas, COVID-19 foi associada a um extra de: 45 casos de qualquer evento cardiovascular, 23 casos de eventos cardiovasculares maiores (infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e mortalidade por todas as causas), 20 casos de arritmias e 11 casos de fibrilação atrial, 12 casos de insuficiência cardíaca, 10 casos de evento tromboembólicos (5,5 embolias pulmonares e 4 tromboses venosas profundas), 7 casos de doença cardíaca isquêmica (5,3 síndromes coronarianas agudas, 3 infartos do miocárdio e 2,5 anginas), 4 casos de acidente vascular cerebral, 1,23 casos de doença inflamatória cardíaca ou pericárdica.[29] Analisando dados epidemiológicos, Gargano et al.[30] concluíram que os benefícios proporcionados pela vacinação (prevenir a doença provocada pelo SARS-Cov2, ou hospitalizações, internações em UTI e óbitos associados) superaram os riscos de miocardite decorrente da vacina em todas as populações para as quais a vacinação foi recomendada. O equilíbrio risco versus benefício variou com a idade e sexo. Para cada um milhão de homens entre 12 e 29 anos que receberam uma segunda dose de vacina de RNAm, poderiam ser evitados 11 000 casos de COVID-19, 560 hospitalizações, 138 internações em UTI, e seis mortes, em comparação com 39 a 47 casos esperados de miocardite nessa mesma população.[31] Ainda, evidências mostram que a vacinação com a BNT162b2 (Pfizer) tem eficácia de 91% contra Síndrome Inflamatória Multissistêmica em Crianças (MIS-C) em adolescentes com idades entre 12 e 18 anos, e protege contra os cursos clínicos mais graves da síndrome.[32] MIS-C é observada a uma taxa de 316 por 1 milhão de casos de SARS-CoV-2,[33] com predomínio do sexo masculino,[34] e frequentemente resulta em internações prolongadas e necessidade de cuidados intensivos, ao contrário da maioria dos casos leves de miocardite associada à vacina. Por fim, mesmo numa fase de escalada da variante Ômicron, quando novos questionamentos podem surgir sobre os riscos versus benefícios da vacinação em crianças e adolescentes jovens, uma série de estudos publicados mais recentemente concluíram que a vacinação com RNAm (particularmente BNT162b2/Pfizer), especialmente quando reforçada com uma terceira dose, permanece altamente eficaz contra formas graves da COVID-19, incluindo morte.[35] Ainda, a terceira dose da vacina confere eficácia de 82% em evitar atendimentos de urgência e emergência, e 90% em prevenir hospitalizações.[36] Ou seja, as doses de reforço ainda oferecem proteção adicional contra formas graves tanto das variantes Ômicron quando Delta,[30] que, não podemos negligenciar, ainda circula em nosso meio. A Tabela 1 descreve as características dos estudos populacionais avaliando miocardite ou miopericardite associada às vacinas contra COVID-19 que utilizam RNAm.

Manejo da suspeita de miocardite ou miopericardite associada à vacina

A suspeita de miocardite ou miopericardite deve ser considerada em pacientes vacinados com a BNT162b2 (Pfizer) ou a mRNA-1273 (Moderna) que apresentem sintomas de dor ou desconforto torácico (sintoma predominante), dispneia ou taquipneia, fadiga, palpitações, síncope, inapetência, letargia e tenham sido submetidos a eletrocardiograma, ecocardiograma, dosagem de troponina e ressonância magnética nuclear, excluindo-se a suspeita de outra causa.[37]Em nenhum dos estudos, foram feitas análises ou revisões comparando os tipos de tratamento administrado, e em quase todos o tratamento foi conservador. Além dos cuidados gerais, a maioria dos pacientes recebeu ibuprofeno, alguns receberam corticosteroides, e uma minoria corticoide e imunoglobulina. Para pacientes com disfunção sistólica induzida pela miocardite, podemos inferir que foi empregada terapia usual com betabloqueadores, inibidores da enzima de conversão de angiotensina ou um bloqueador de angiotensina II ou o sacubitril/valsartan, mais um antagonista de receptor de mineralocorticoide, e talvez um inibidor de SGLT2.[23,24,29,38]

Conclusões

As vacinas contra COVID-19 são seguras e seus benefícios superam em larga escala os riscos de efeitos adversos relacionados. Os principais efeitos adversos cardiovasculares associados a essas vacinas são a VITT e a miocardite. Ao passo em que o primeiro está associado às vacinas que utilizam vetor de adenovírus, o segundo é observado entre as vacinas com tecnologia de RNAm. Miocardite associada à vacina permanece um evento adverso raro, embora a incidência entre adolescentes do sexo masculino possa chegar até 107 casos por milhão de doses, e excede a incidência de miocardite associada à COVID-19 na mesma parcela da população. No entanto, como o curso clínico da miocardite associada à vacina é geralmente leve e autolimitada, mesmo entre os adolescentes do sexo masculino, a totalidade do efeito protetor da vacinação contra COVID-19, particularmente na prevenção de COVID-19 grave, hospitalização, MIS-C e morte, continua a exceder claramente o risco de miocardite induzida. Na faixa etária pediátrica, os benefícios vão além daqueles diretamente relacionados à saúde do próprio paciente, também diminuindo a transmissão da COVID-19 nessa faixa etária e, de forma indireta, para indivíduos mais velhos. A vacinação reduz a necessidade de medidas de mitigação nas escolas, minimizando as interrupções na educação das crianças e a manutenção de seu bem-estar geral, saúde e segurança. Nothing to be declared Financial declaration A - Economically relevant payments of any kind made to (i) you, (ii) your spouse/partner or any other person living with you, (iii) any legal person in which any of these is either a direct or indirect controlling owner, business partner, shareholder or participant; any payments received for lectures, lessons, training instruction, compensation, fees paid for participation in advisory boards, investigative boards or other committees, etc. From the brazilian or international pharmaceutical, orthosis, prosthesis, equipment and implants industry: - Bayer, Pfizer, Novartis, Roche, Amgen, Bristol. Other relationships Funding of continuing medical education activities, including travel, accommodation and registration in conferences and courses, from the brazilian or international pharmaceutical, orthosis, prosthesis, equipment and implants industry: - Bayer, Roche. Nothing to be declared Financial declaration A - Economically relevant payments of any kind made to (i) you, (ii) your spouse/partner or any other person living with you, (iii) any legal person in which any of these is either a direct or indirect controlling owner, business partner, shareholder or participant; any payments received for lectures, lessons, training instruction, compensation, fees paid for participation in advisory boards, investigative boards or other committees, etc. From the brazilian or international pharmaceutical, orthosis, prosthesis, equipment and implants industry: - Novartis: Entresto; Bayer: Xarelto; Pfizer: Eliquis; Libbs: Plenance Eze. Financial declaration B - Research funding under your direct/personal responsibility (directed to the department or institution) from the brazilian or international pharmaceutical, orthosis, prosthesis, equipment and implants industry: - Sanofi Pasteur: FLUZONE Senior; Torrent: experimental drug. Other relationships Funding of continuing medical education activities, including travel, accommodation and registration in conferences and courses, from the brazilian or international pharmaceutical, orthosis, prosthesis, equipment and implants industry: - Astra Zeneca, Boehringer, Novartis, Torrent Pharma, Sanofi Pasteur, Merck, Biolab.

Introduction

The Scientific Committee of the Brazilian Society of Cardiology, by determination of its Administrative Council, has convened a work group to monitor and set up scientific evidence on cardiovascular safety of vaccines against COVID-19 in a continuous and systematic way. This group aims to reproduce scientifically solid data, summarize currently available evidence, and develop recommendations to Brazilian cardiologists in the form of positions of the Brazilian Society of Cardiology. Vaccines to prevent SARS-CoV-2 infection are considered the most effective strategy to control the pandemic. Despite the short time for vaccine development, each vaccine approved has gone through all preclinical and clinical stages (phase I and II) of clinical research. The strict standards of safety applied to these studies are maintained during the so-called “phase IV”, or post-marketing surveillance. This stage is crucial for evaluating the occurrence of rare adverse events whose causal relationship with vaccines can only be established after they were administered to a large number of people. Like other vaccines, adverse events, including those related to the circulatory system, have been observed during this surveillance phase of immunization programs against COVID-19. Here we review the evidence on two cadiovascular adverse effects – thrombosis with thrombocytopenia and vaccine-induced myocarditis.

Vaccine-induced immune thrombotic thrombocytopenia (VITT)

In February 2021, a post-thrombotic syndrome was described in some vaccinated individualsand the syndrome was named vaccine-induced immune thrombotic thrombocytopenia (VITT). Two adenovirus-vectored vaccines have been implicated in the cause of VITT: ChAdOx1S nCoV-19 (Oxford/AstraZeneca and Serum Institute of India); Ad26.COV2.S (Janssen; Johnson & Johnson) Although recognized as a vaccine adverse event, the real incidence of VITT is still unknown, and evidence has suggested it as a rare complication. Most reports have described a small number of cases among tens of millions of vaccinated people.[1-4] In January 2022, a report of the Vaccine Adverse Event Reporting System (VAERS) identified 54 cases of thrombosis among more than 14 million Ad26.COV2.S recipients, an incidence of 3.83 per million (approximately 1 in 263,000).[2,3]Close surveillance of these outcomes has been made, and suggested high reliability of the reports. The risk factors for VITT are still unknown. Female sex, obesity, and age between 30 and 50 years have been proposed as risk factors based on initial reports, although they may merely reflect the demography of early-vaccinated populations.[1,3-5] In the United States, the risk of VITT after Ad26.COV2.S vaccination was estimated at 3.8 cases per million of doses in the general population, and between nine and 10.6 cases per million of doses for women aged between 30 and 49 years.[2,3,6] Although thrombosis is the most common clinical presentation,[1,4,7]thrombocytopenia alone may also occur.[7,8] Cerebral venous thrombosis is one of the most commonly described. The prognosis of VITT depends on the site, extension and complication of thrombosis, and time for diagnosis. In a series of 220 individuals with definite or probable VITT, a mortality rate of 22% was reported.[5] Factors associated with increased risk of death include cerebral venous thrombosis, severe thrombocytopenia and concomitant bleeding complications. In the US, VITT-related mortality was 0.57 deaths per million doses of Ad26.COV2.S in total population, and 1.8-1.9 deaths per million doses among women aged between 30 and 49 years.[2,3] Comparatively, the overall mortality rate of COVID-19 is 1-2%. The incidence of thrombosis reaches 8% of all patients hospitalized for COVID-19, and 23% of intensive care unit patients.[9] In addition, there is evidence that the incidence of cerebral venous thrombosis in patients hospitalized for COVID-19 was 207 per million cases, much higher than the incidence of vaccine-induced thrombosis (0.9-3.8 per million cases).[10] Therefore, there is a consensus that the benefits of vaccination surpass the potential risks of rare side effects of the vaccine, like VITT.[11] Previous history of venous thromboembolism (VTE) or predisposition for VTE are not contraindications for COVID-19 vaccination, regardless of the type of vaccine. No study has shown an increased risk of VITT or other thrombotic complications after vaccination in these individuals; Individuals who received the first dose of ChAdOx1 nCoV-19 and did not develop VITT should complete the vaccination schedule of two doses. There is no evidence that the second dose (or even the booster) increases the risk of thrombotic complications. A review of AstraZeneca safety database in Europe and United Kingdom identified an incidence of 8.1 cases of VITT per million for the first doses, and of only 2.3 cases per million for the second doses;[12] Individuals who received an adenovirus-vectored vaccine and developed VITT should not receive a second dose. A transition to a mRNA vaccine schedule is recommended; Available evidence does not support the performance of any clinical, laboratory or imaging tests in asymptomatic individuals before or after vaccination.[13]

Vaccine-induced myocarditis

The association between myocarditis and vaccines has been described as a rare adverse event. Its incidence has been more commonly reported in smallpox, influenza, and hepatitis B vaccines. From 1990 to 2018, only 0.1% of more than 620 thousand notifications of post-vaccine adverse events were attributed to myopericarditis in the United States.[14] In July 2021, the Centers for Disease Control and Prevention (CDC) reported a possible association between mRNA vaccines and SARS-CoV-2 in myocarditis and pericarditis. The two mRNA-based vaccines that have been associated with myocarditis are: BNT162b2 from Pfizer mRNA-1273 from Moderna First, it was estimated an incidence of 32.4 cases per million doses, 66.7 cases per million doses in males aged 12–17 years following the second dose. The incidence significantly decreased with age and was markedly lower among women of all ages.[15] After initial reports of myopericarditis in this age group (12-17 years old), greater attention has been paid to politics of safety and surveillance of this adverse event. In recent months, population-based studies on the occurrence of this event after vaccination against SARS-CoV-2 have been published. These studies will be described below and are summarized in Table 1.
Table 1

– Characteristics of population-based studies evaluating myocarditis or myopericarditis associated with mRNA vaccines against COVID-19

AuthorsCountryStudy populationIndividuals vaccinated with mRNA vaccineNumber of cases of confirmed myocarditisEvent/ 100,000 vaccinated (absolute rate)DeathsBTN162b2 vaccine (Pfizer)mRNA1273 vaccine (Moderna)
Witberg et al.16IsraelDatabase of the health care organization in Israel, of members ≥ 16 years old2,558,421542.11100% 
Mevorach et al.17IsraelDatabase of the Israeli Ministry of Health, people ≥ 16 years old5,125,6351362.41100% 
Husby et al.19DenmarkPopulation cohort of people ≥ 12 years old3,981,109691.7087%13%
Chua et al.20Hong KongPopulation cohort including adolescents aged between 12 and 17 years178,1633318.50100% 
Patone et al.21Great-BritainData from the English National Immunisation (NIMS) Database, people aged ≥ 16 years17,999,5801690.925*94%6%
Oster et al.23USAVaccine Adverse Event Reporting System (VAERS), people ≥ 12 years old192,405,44816260.85070%30%
Simone et al.24USAData from the Kaiser Permanente Southern California – members ≥ 18 years old2,392,924150.58050%50%
Montgomery et al.26USAData from the US Military Health Service, member aged between 20 and 51 years2,810,000230.80Not available

* Any death caused by myocarditis (among other causes) registered within 28 days after the first or the second dose of the vaccine.

* Any death caused by myocarditis (among other causes) registered within 28 days after the first or the second dose of the vaccine. Witberg et al.[16] identified 54 cases that met the CDC criteria for myocarditis among more than 2.5 million vaccinated individuals, who were monitored by a health organization in Israel. Among the patients with myocarditis, 37 (69%) received the diagnosis between three and five days after the second vaccine dose. The estimated incidence of myocarditis (measured within 42 days after the first dose of the vaccine) was 2.13 cases per 100,000 persons. The highest incidence of myocarditis was reported in male patients aged between 16 and 29 years (10.7 cases per 100,000 persons). Most cases of myocarditis were described as mild (76%) or intermediate (22%) as intermediate; one case was associated with cardiogenic shock. Patients who had left ventricular dysfunction on echocardiography during admission (29%) had normal ventricular function after a median follow-up of 83 days. Mevorach et al.[17] reported 136 cases of myocarditis, defined according to the Brighton Collaboration and the CDC criteria among 5.1 million individuals vaccinated with two doses of BNT162b2 mRNA (Pfizer) in Israel. Of these, 117 (85%) presented myocarditis after the second dose, and 81% were hospitalized within seven days after vaccination. The incidence ratio was 0.35 cases per 100,000 within 21 days after the first dose, and 2.10 cases per 100,000 individuals after the second dose. The incidence increased from 1.3 to 15.1 per 100,000 individuals after the first and second dose, respectively, among male teenagers aged between 16 and 19 years. The ratio for the comparison of the incidence of myocarditis between vaccinated and unvaccinated persons after the second dose was 2.35 (95% CI, 1.1 to 5.0). Most (95%) of these cases were self-restricted and had a benign course, and one death has occurred. Recently, the same authors investigated the cases of hospitalization for myocarditis in adolescents aged between 12 and 15 years and found 13 cases possibly related to the vaccine based on a temporal criterion.[18] The risk of myocarditis among male adolescents was 0.56 cases per 100,000 after the first dose, and among female adolescents with the same age, the risk was 0 cases per 100,000 after the first dose and 0.69 cases per 100,000 after the second dose. Using information on vaccinations from the Danish Vaccination Register, Husby et al.[19] followed 4.9 million residents aged over 12 years between October 2020 and October 2021, and identified 269 new cases of myocarditis in the period. Of 3,482,295 individuals vaccinated with BNT162b2 (Pfizer), 48 developed myocarditis or myopericarditis within 28 days of vaccination. The absolute incidence was 1.4 per 100,000 vaccinated individuals. The risk of myocarditis was not significantly different between vaccinated and non-vaccinated individuals within 28 days after vaccination (adjusted hazard ratio [HR] 1.34 (95% confidence interval [95%CI] 0.90 to 2.00), but was significantly higher when using a shorter analysis time (14 days post exposure) (HR 1.89; 95%CI 1.23-2.90). Unlike other cohorts, the risk of myocarditis was higher among women than men. Among 498,814 individuals vaccinated with mRNA-1273 (Moderna), 21 developed myocarditis or myopericarditis within 28 days from vaccination date (incidence of 4.2 per 100,000 vaccinated individuals; HR 3.92, 95%CI 2.30-6.68). The adjusted hazard ratio among 12-39-year-old individuals was 1.48 (95%CI0.74-2.98) with BNT162b2, and 5.24 (95%CI 2.47-11.12) with mRNA-1273. .24 (2.47 to 11.12). Only one death occurred, and clinical outcomes were generally similar between vaccinated and unvaccinated individuals; In Hong Kong, Chua et al.[20] reported 33 cases of myocarditis and/or pericarditis among 178,163 adolescents from 12 to 17 years of age vaccinated with BNT162b2 (Pfizer). Twenty-nine were males and most cases (81.8%) developed acute myocarditis/pericarditis after the second dose. The overall incidence was 18.5 per 100,000 persons vaccinated. The incidence after the first and second doses were 5.57 and 37.32 per 100,000 persons vaccinated, respectively. All patients had mild diseases and recovered spontaneously; Patone et al.[21] evaluated the risks of myocarditis, pericarditis and arrhythmias associated with COVID-19 vaccination versus SARS-CoV2 infection. The authors evaluated more than 38.6 million adults in England and observed that 0.001% of individuals had myocarditis in the 28 days following the first or the second dose of the vaccine. In this period, there was one extra myocarditis event per million people vaccinated with BNT162b2 (Pfizer), and six extra myocarditis events per one million with mRNA-1273 (Moderna). Even the extra 10 extra myocarditis events per one million people vaccinated after a second dose of mRNA-1273 would be lower than the extra 40 myocarditis events per one million patients following a SARS-CoV-2 positive test. The same authors expanded their study to include 42 million vaccinated people in England (preprint data),[22] showing similar results following a booster of the vaccines. In men younger than 40 years, similar findings were obtained regarding the risk of myocarditis related to SARS-CoV-2 infection and vaccination, except for the mRNA-1273 vaccine, that posed a higher risk than that related to SARS-CoV-2 infection; More recently, in a detailed analysis of cases of myocarditis in the United States, Oster et al.[23] concluded that the risk of myocarditis following mRNA-based vaccines was higher after the second dose in adolescents and young male adults. Among 192 405 448 persons receiving a total of 354 100 845 mRNA-based COVID-19 vaccines, there were 1,626 cases of myocarditis, mostly (82%) in males. Regarding the BNT162b2 vaccine (Pfizer), the incidence of myocarditis was 70.6 per million doses in adolescent males aged 12 to 15 years, 105.9 per million doses in adolescent males aged 16 to 17 years, and 52.4 per million doses in young men aged 18 to 24 years. Most cases were mild or moderate, with a favorable course. Until publication, the were two death notifications potentially duet to myocarditis, still under investigation. Other studies, also carried out in the United States, have reported an incidence of 0.58 cases per 100,000 within 10 days following the second dose of both mRNA vaccines,[24] and an estimate of 6.3 extra myocarditis event per one million of doses administered in the first three weeks of vaccination with mRNA vaccine in individuals between 12 and 39 years of age.[25] In members of the US Military, the incidence of myocarditis was 0.8 per 100,000 of doses administered among male military members.[26] The direct comparison of these studies has limitations, due to peculiarities of each study, including differences in diagnostic criteria, study period, age range of populations, methods for risk calculation (absolute or excess risk). In addition, one variable has not been included in several analyses, which is the pre-existence of myocarditis, be it for COVID-19 or due to other causes. Altogether, the available evidence suggests that the risk of acute myocarditis associated with COVID-19 vaccination is real but has a very low incidence and is more commonly reported in young men. The pathophysiological mechanisms of myocardial inflammation and injury described in mRNA vaccines against COVID-19 have not been well established, and they may be related to gene sequence that encodes the SARS-CoV-2 spike protein or to the immune response (e.g. hypersensitivity reactions) to these vaccines. The fact that the highest rates have been observed in young male individuals, and mainly following the second dose, supports the hypothesis of a maladaptive immune response, which may be influenced by sex hormones. Clinical presentation is vaccine-induced myocarditis similar to the classical presentation of acute myocarditis and includes chest pain and dyspnea. Besides, troponin levels are increased in almost all cases, and nearly 70% have some electrocardiographic changes. Acute systolic dysfunction, with a drop in left ventricular ejection fraction, was reported in 6-12% of cases.[20,23,27,28] The prognosis of vaccine-related myocarditis is very favorable; in most cases, it is self-limited, with resolution of symptoms and normalization of laboratory tests, electrocardiogram and echocardiogram over the follow-up period. In the most comprehensive review of published cases, Kohli et al.[27] reported that serious life-threatening complications due to vaccine-related myocarditis remain rare. On the other hand, we must always consider the magnitude of the benefits of vaccination to the whole population in the analysis of potential adverse events. In the British study mentioned above, the rate of myocarditis associated with SARS-Cov2 within 28 days of vaccination was 30 cases per million in the general population, and 73 cases per million among men older than 40 years.[22] Thus, based on most population-based studies currently available, the incidence of myocarditis associated with COVID-19 surpasses the incidence of myocarditis associated with vaccines. One exception is younger men, mainly adolescents, in whom the risk of vaccine-associated myocarditis exceeds that of myocarditis related to COVID-19 at the same age range.[21,22] Even so, as compared with mortality rates of SARS-CoV2 infection (0.1 to 1.0 per 100,000 individuals between 12 and 29 years of age), and with the risk of hospitalization, the overall benefits of vaccination overweigh the related risk of myocarditis. It is important to highlight that individuals infected with SARS-CoV2 are at increased risk for cardiovascular diseases, other than those recognized as vaccination adverse effects (thrombosis and myocarditis or myopericarditis). Abbasi et al. [29] estimated the risks and excess burden of cardiovascular outcomes attributed to COVID-19 in a 12-month-period and compared it to a control group (individuals that did not have COVID-19). For every 1,000 people, COVID-19 was associated with an extra: 45 cases of any cardiovascular event, 23 cases of major adverse cardiovascular events (myocardial infarction, stroke, and all-cause mortality), 20 cases of dysrhythmias and 11 cases of atrial fibrillation, 12 cases of heart failure, 10 cases of thromboembolic disorders (5.5 cases of pulmonary embolism and four of deep vein), seven cases of ischemic heart disease thrombosis (5.3 cases of acute coronary disease, three cases of myocardial infarction, and 2.5 incidents of angina), four cases of stroke, 1.23 cases of inflammatory disease of the heart or pericardium.[29] Based on an analysis of epidemiological data, Gargano et al.[30] concluded the benefits of COVID-19 vaccination (prevention of SARS-CoV2 infection, and associated hospitalizations, intensive care unit [ICU] admissions and death) outweigh the risks of myocarditis after vaccination in all populations to whom vaccination was recommended. The balance between risk and benefit varied with age and sex. Per million males aged between 12 and 29 years receiving the second dose of mRNA COVID-19 vaccine, 11,000 COVID-19 cases, 560 hospitalizations, 138 ICU admissions, and six deaths due to COVID-19 could be prevented, compared with 39-47 expected myocarditis cases in this population.[31] Also, evidence suggests that BNT162b2 (Pfizer) shows efficacy of 91% against multisystem inflammatory syndrome (MIS) in adolescents aged 12-18 years and prevents the progression to severe stages.[32] The incidence of MIS-C is 316 per million of SARS-CoV-2 infection cases,[33] affecting predominantly males,[34] frequently resulting in prolonged hospitalizations and need for intensive care, in contrast to most cases of vaccine-associated myocarditis. Finally, even with the escalation of the Omicron variant of COVID-19, when new questions about the risks versus benefits of vaccination in children and young adolescents may arise, data from recently published studies have shown that vaccination with mRNA vaccines (particularly BNT162b2/Pfizer), especially when boosted with a third dose, remains highly effective against severe forms of COVID-19, including death.[35] Besides, the third dose is 82% effective in preventing the need for urgency and emergency care, and 90% effective in preventing hospitalizations.[36] Thus, a booster dose of the COVID-19 vaccine also provides additional protection against severe diseases caused by both Omicron and Delta,[30] which are still circulating in our environment. Table 1 describes characteristics of population-based studies evaluating myocarditis or myopericarditis associated with mRNA-based vaccines against COVID-19.

Management of suspected myocarditis or myopericarditis associated with vaccines

Myocarditis or myopericarditis should be suspected in patients vaccinated with BNT162b2 (Pfizer) or mRNA-1273 (Moderna) who present symptoms of chest pain or discomfort (predominantly), dyspnea or tachypnea, fatigue, palpitations, syncope, inappetence and lethargy, and results of electrocardiogram, echocardiography, nuclear magnetic resonance excluding other suspected causes.[37] None of the studies performed an analysis or a review comparing the types of treatment administered, and in almost all studies treatment was conservative. In addition to general care, most patients received ibuprofen, some received corticosteroids, and a minority received corticosteroids and immunoglobulins. We can infer that patients with systolic dysfunction induced by myocarditis received traditional treatment with angiotensin converting enzyme inhibitors or an angiotensin II receptor blocker or sacubitril/valsartan, combined with a mineralocorticoid receptor antagonist (perhaps a SGLT2 inhibitor).[23,24,29,38]

Conclusions

Vaccines against COVID-19 are safe and their benefits far outweigh the risks of associated adverse effects. The main cardiovascular adverse effects associated with these vaccines are VITT and myocarditis. While the former has been associated with adenovirus-vectored vaccines, the latter has been observed in mRNA vaccine recipients. Vaccine-related myocarditis remains a rare adverse event, although its incidence among males can reach 107 cases per million doses, higher than myocarditis associated with COVID-19 in this same population. However, since the course of myocarditis associated with vaccines is generally mild and self-limited, even in male adolescents, the overall protective effect of COVID-19 vaccines, particularly for the prevention of severe COVID-19, hospitalization, MIS-C and death, still overcomes the risk of vaccine-induced myocarditis. As for children, the benefits are beyond those directly related to patient health, by decreasing the risk of direct transmission in this age group and, indirectly, to older individuals. Vaccination reduces the need of mitigation measures at schools, minimizes school interruptions and helps in the maintenance of well-being, health and safety of children.
Posicionamento sobre Segurança Cardiovascular das Vacinas contra COVID-19 – 2022
O relatório abaixo lista as declarações de interesse conforme relatadas à SBC pelos especialistas durante o período de desenvolvimento deste posicionamento, 2022.
EspecialistaTipo de relacionamento com a indústria
Bruno Pereira Valdigem

Nada a ser declarado

Carisi Anne Polanczyk

Declaração financeira

A - Pagamento de qualquer espécie e desde que economicamente apreciáveis, feitos a (i) você, (ii) ao seu cônjuge/ companheiro ou a qualquer outro membro que resida com você, (iii) a qualquer pessoa jurídica em que qualquer destes seja controlador, sócio, acionista ou participante, de forma direta ou indireta, recebimento por palestras, aulas, atuação como proctor de treinamentos, remunerações, honorários pagos por participações em conselhos consultivos, de investigadores, ou outros comitês, etc. Provenientes da indústria farmacêutica, de órteses, próteses, equipamentos e implantes, brasileiras ou estrangeiras:

- Bayer, Pfizer, Novartis, Roche, Amgen, Bristol.

Outros relacionamentos

Financiamento de atividades de educação médica continuada, incluindo viagens, hospedagens e inscrições para congressos e cursos, provenientes da indústria farmacêutica, de órteses, próteses, equipamentos e implantes, brasileiras ou estrangeiras:

- Bayer, Roche.

Cristiane Nunes Martins

Nada a ser declarado

Humberto Graner Moreira

Declaração financeira

A - Pagamento de qualquer espécie e desde que economicamente apreciáveis, feitos a (i) você, (ii) ao seu cônjuge/ companheiro ou a qualquer outro membro que resida com você, (iii) a qualquer pessoa jurídica em que qualquer destes seja controlador, sócio, acionista ou participante, de forma direta ou indireta, recebimento por palestras, aulas, atuação como proctor de treinamentos, remunerações, honorários pagos por participações em conselhos consultivos, de investigadores, ou outros comitês, etc. Provenientes da indústria farmacêutica, de órteses, próteses, equipamentos e implantes, brasileiras ou estrangeiras:

- Novartis: Entresto; Bayer: Xarelto; Pfizer: Eliquis; Libbs: Plenance Eze.

Mucio Tavares de Oliveira Júnior

Declaração financeira

B - Financiamento de pesquisas sob sua responsabilidade direta/pessoal (direcionado ao departamento ou instituição) provenientes da indústria farmacêutica, de órteses, próteses, equipamentos e implantes, brasileiras ou estrangeiras:

- Sanofi Pasteur: FLUZONE Senior; Torrent: droga experiental. Outros relacionamentos Financiamento de atividades de educação médica continuada, incluindo viagens, hospedagens e inscrições para congressos e cursos, provenientes da indústria farmacêutica, de órteses, próteses, equipamentos e implantes, brasileiras ou estrangeiras:

- Astra Zeneca, Boehringer, Novartis, Torrent Pharma, Sanofi Pasteur, Merck, Biolab.

Position Statement on Cardiovascular Safety of Vaccines Against COVID-19 – 2022
The report below lists declarations of interest as reported to the SBC by the experts during the period of the development of these statement, 2022.
ExpertType of relationship with industry
Bruno Pereira Valdigem

Nothing to be declared

Carisi Anne Polanczyk

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Other relationships

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- Bayer, Roche.

Cristiane Nunes Martins

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- Novartis: Entresto; Bayer: Xarelto; Pfizer: Eliquis; Libbs: Plenance Eze.

Mucio Tavares de Oliveira Júnior

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- Sanofi Pasteur: FLUZONE Senior; Torrent: experimental drug.

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- Astra Zeneca, Boehringer, Novartis, Torrent Pharma, Sanofi Pasteur, Merck, Biolab.

  33 in total

1.  AstraZeneca vaccine: Blood clots are "extremely rare" and benefits outweigh risks, regulators conclude.

Authors:  Elisabeth Mahase
Journal:  BMJ       Date:  2021-04-08

2.  Very rare thrombosis with thrombocytopenia after second AZD1222 dose: a global safety database analysis.

Authors:  Prakash Bhuyan; Jennie Medin; Hugo Gomes da Silva; Madhavi Yadavalli; Nirmal Kumar Shankar; Hana Mullerova; Matthew Arnold; Magnus Nord
Journal:  Lancet       Date:  2021-07-27       Impact factor: 79.321

3.  Pathologic Antibodies to Platelet Factor 4 after ChAdOx1 nCoV-19 Vaccination.

Authors:  Marie Scully; Deepak Singh; Robert Lown; Anthony Poles; Tom Solomon; Marcel Levi; David Goldblatt; Pavel Kotoucek; William Thomas; William Lester
Journal:  N Engl J Med       Date:  2021-04-16       Impact factor: 91.245

4.  Thrombotic Thrombocytopenia after Ad26.COV2.S Vaccination.

Authors:  Kate-Lynn Muir; Avyakta Kallam; Scott A Koepsell; Krishna Gundabolu
Journal:  N Engl J Med       Date:  2021-04-14       Impact factor: 91.245

5.  Thrombotic Thrombocytopenia after ChAdOx1 nCov-19 Vaccination.

Authors:  Andreas Greinacher; Thomas Thiele; Theodore E Warkentin; Karin Weisser; Paul A Kyrle; Sabine Eichinger
Journal:  N Engl J Med       Date:  2021-04-09       Impact factor: 91.245

6.  SARS-CoV-2 Vaccine and Thrombosis: An Expert Consensus on Vaccine-Induced Immune Thrombotic Thrombocytopenia.

Authors:  Ismail Elalamy; Grigoris Gerotziafas; Sonia Alamowitch; Jean-Pierre Laroche; Patrick Van Dreden; Walter Ageno; Jan Beyer-Westendorf; Alexander T Cohen; David Jimenez; Benjamin Brenner; Saskia Middeldorp; Patrice Cacoub
Journal:  Thromb Haemost       Date:  2021-05-04       Impact factor: 5.249

7.  Myocarditis after Covid-19 Vaccination in a Large Health Care Organization.

Authors:  Guy Witberg; Noam Barda; Sara Hoss; Ilan Richter; Maya Wiessman; Yaron Aviv; Tzlil Grinberg; Oren Auster; Noa Dagan; Ran D Balicer; Ran Kornowski
Journal:  N Engl J Med       Date:  2021-10-06       Impact factor: 91.245

8.  Effectiveness of BNT162b2 (Pfizer-BioNTech) mRNA Vaccination Against Multisystem Inflammatory Syndrome in Children Among Persons Aged 12-18 Years - United States, July-December 2021.

Authors:  Laura D Zambrano; Margaret M Newhams; Samantha M Olson; Natasha B Halasa; Ashley M Price; Julie A Boom; Leila C Sahni; Satoshi Kamidani; Keiko M Tarquinio; Aline B Maddux; Sabrina M Heidemann; Samina S Bhumbra; Katherine E Bline; Ryan A Nofziger; Charlotte V Hobbs; Tamara T Bradford; Natalie Z Cvijanovich; Katherine Irby; Elizabeth H Mack; Melissa L Cullimore; Pia S Pannaraj; Michele Kong; Tracie C Walker; Shira J Gertz; Kelly N Michelson; Melissa A Cameron; Kathleen Chiotos; Mia Maamari; Jennifer E Schuster; Amber O Orzel; Manish M Patel; Angela P Campbell; Adrienne G Randolph
Journal:  MMWR Morb Mortal Wkly Rep       Date:  2022-01-14       Impact factor: 17.586

9.  Incidence of Multisystem Inflammatory Syndrome in Children Among US Persons Infected With SARS-CoV-2.

Authors:  Amanda B Payne; Zunera Gilani; Shana Godfred-Cato; Ermias D Belay; Leora R Feldstein; Manish M Patel; Adrienne G Randolph; Margaret Newhams; Deepam Thomas; Reed Magleby; Katherine Hsu; Meagan Burns; Elizabeth Dufort; Angie Maxted; Michael Pietrowski; Allison Longenberger; Sally Bidol; Justin Henderson; Lynn Sosa; Alexandra Edmundson; Melissa Tobin-D'Angelo; Laura Edison; Sabrina Heidemann; Aalok R Singh; John S Giuliano; Lawrence C Kleinman; Keiko M Tarquinio; Rowan F Walsh; Julie C Fitzgerald; Katharine N Clouser; Shira J Gertz; Ryan W Carroll; Christopher L Carroll; Brooke E Hoots; Carrie Reed; F Scott Dahlgren; Matthew E Oster; Timmy J Pierce; Aaron T Curns; Gayle E Langley; Angela P Campbell; Neha Balachandran; Thomas S Murray; Cole Burkholder; Troy Brancard; Jenna Lifshitz; Dylan Leach; Ian Charpie; Cory Tice; Susan E Coffin; Dana Perella; Kaitlin Jones; Kimberly L Marohn; Phoebe H Yager; Neil D Fernandes; Heidi R Flori; Monica L Koncicki; Karen S Walker; Maria Cecilia Di Pentima; Simon Li; Steven M Horwitz; Sunanda Gaur; Dennis C Coffey; Ilana Harwayne-Gidansky; Saul R Hymes; Neal J Thomas; Kate G Ackerman; Jill M Cholette
Journal:  JAMA Netw Open       Date:  2021-06-01

10.  Myocarditis Following Immunization With mRNA COVID-19 Vaccines in Members of the US Military.

Authors:  Jay Montgomery; Margaret Ryan; Renata Engler; Donna Hoffman; Bruce McClenathan; Limone Collins; David Loran; David Hrncir; Kelsie Herring; Michael Platzer; Nehkonti Adams; Aliye Sanou; Leslie T Cooper
Journal:  JAMA Cardiol       Date:  2021-10-01       Impact factor: 30.154

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