Luana U Pagan1, Mariana Gatto1, Paula F Martinez2, Katashi Okoshi1, Marina P Okoshi1. 1. Departamento de Clínica Médica - Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP), Botucatu, SP - Brasil. 2. Instituto Integrado de Saúde, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Campo Grande, MS - Brasil.
As doenças cardiovasculares (DCV) possuem altas taxas de incapacidade e mortalidade em todo o mundo, representando sério problema de saúde pública.[1] Atualmente, muitas pesquisas têm se intensificado na procura por biomarcadores associados às DCV.[2,3]A fetuína-A é uma glicoproteína multifuncional, predominantemente expressa no fígado, que apresenta diferentes mecanismos de ação como, por exemplo, modulação da calcificação vascular, da resposta à inflamação sistêmica, do metabolismo ósseo e da atividade da insulina.[4,5] Na última década, pesquisadores têm avaliado o papel da fetuína-A no desenvolvimento de DCV e como biomarcador do prognóstico de pacientes com diferentes DCV.[6] Baixas concentrações plasmáticas de fetuína-A foram associadas a maior gravidade de calcificação de artérias coronárias.[7] Adicionalmente, a concentração plasmática de fetuína-A foi estatisticamente menor em pacientes com infarto agudo do miocárdio do que em indivíduos saudáveis.[8] Em contraste, Vörös et al.,[9] mostraram que indivíduos com infarto do miocárdio prévio apresentaram concentrações plasmáticas significativamente maiores de fetuína-A em relação a indivíduos não infartados. Altas concentrações de fetuína-A também foram associadas a maior risco de acidente vascular isquêmico.[10] Esses dados mostram que o envolvimento da fetuína-A com DCV ainda não é totalmente compreendido, pois tanto níveis mais baixos quanto mais elevados foram associados com presença ou risco aumentado para DCV. Assim, estudos que abordem o tema e avaliem o papel da fetuína-A como possível biomarcador para DCV são importantes atualmente.Nesta edição dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, o estudo de Çakır et al.,[11] revelou dados interessantes sobre a associação entre concentração sérica de fetuína-A na fase aguda do infarto do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST e prognóstico de longo prazo. Os autores acompanharam 180 pacientes por período médio de 10 anos. A amostra do estudo foi dividida em dois subgrupos de acordo com a concentração sérica de fetuína-A (≤ 288 μg/mL e > 288 μg/mL), quantificada durante a internação. O acompanhamento foi realizado por contato telefônico após a alta hospitalar. O estudo mostrou que menor concentração de fetuína-A foi associada a pior prognóstico, com mortalidade global e por DCV significativamente maior no grupo com concentração menor de fetuína-A (44% vs 24%, p=0,005; e 48% vs 31%, p=0,022, respectivamente). Além disso, a concentração de fetuína-A foi inversamente correlacionada à concentração sérica da proteína C reativa ultra-sensível e, curiosamente, apresentou correlação direta com a glicemia de jejum. Como variável categórica e contínua, a concentração de fetuína-A foi um preditor de mortalidade cardiovascular independentemente de fatores de risco tradicionais.Após o infarto agudo do miocárdio, o processo inflamatório crônico que se estabelece está intimamente relacionado com remodelamento adverso, disfunção ventricular e insuficiência cardíaca.[12] Uma das hipóteses dos autores é que maior concentração de fetuína-A possa ter papel benéfico após o infarto na regulação da inflamação e, consequentemente, no processo de cicatrização miocárdica. A relação entre fetuína-A e resposta inflamatória já foi descrita em outras condições. Em modelo experimental de sepse, níveis circulantes de fetuína-A foram menores na presença dos mediadores inflamatórios IFN-γ, TNF-α e HMGB1 e a suplementação exógena de fetuína-A diminuiu drasticamente a concentração desses mediadores, o que sugere seu papel protetor na inflamação.[13] Similarmente, em estudo in vitro, macrófagos estimulados com lipopolissacarídeo exibiram alta produção de IL-1β e óxido nítrico, componentes chave durante a inflamação. Esse quadro foi significativamente revertido pela adição de fetuína-A às culturas macrofágicas.[14] Outros autores também verificaram a participação da fetuína-A na regulação da resposta inflamatória e associação com melhor prognóstico durante isquemia cerebral.[15]Os achados de Çakir et al.,[11] devem ser confirmados em estudos futuros com tamanho amostral maior e mensurações da fetuína-A em diferentes momentos ao longo do tempo para que seu valor prognóstico para doenças cardiovasculares possa ser melhor estabelecido.Cardiovascular disease (CVD) represents a serious health public concern worldwide due to its high rates of morbidity and mortality.[1] Extensive research has been performed in the search for biomarkers associated with CVD.[2,3]Fetuin-A is a multifunctional glycoprotein, predominantly expressed in the liver, which modulates the function of several cells and systems, such as vascular calcification, systemic inflammatory response, bone metabolism, and insulin activity.[4,5] In the last decade, researchers have evaluated the role of fetuin-A in the development and prognosis of patients with different CVDs.[6] Lower plasma levels of fetuin-A were associated with a higher severity of coronary artery calcification[7] and its plasma levels were lower in acute myocardial infarction patients than in healthy individuals.[8] By contrast, Vörös et al.[9] reported that individuals with a previous infarction have a significantly higher plasma concentration of fetuin-A than healthy controls. High concentrations of fetuin-A were also associated with a higher risk of ischemic stroke.[10] These data show that the involvement of fetuin-A with CVD is not completely understood, as both lower and higher levels of fetuin-A were associated with a higher risk or presence of CVD. Thus, it is important to carry out studies that address this topic and highlight fetuin-A as a possible biomarker of CVD.In this issue of the ABC, the study conducted by Çakır et al.[11] revealed interesting data on the association between fetuin-A serum levels during acute myocardial infarction with ST-segment elevation and long-term prognosis. The authors included 180 patients, which were divided into two subgroups, according to the fetuin-A serum levels (≤ 288 μg/mL and > 288 μg/mL) assessed during hospitalization. The individuals were followed up by telephone contact over a mean period of 10 years. The study showed that the lower concentration of fetuin-A was associated with a worse prognosis with total and CVD mortality rates significantly higher in the group with the lower fetuin-A concentration (44% vs 24%, p=0.005; and 48% vs 31%, p=0.022, respectively). Furthermore, fetuin-A plasma levels were inversely correlated with ultra-sensitive C-reactive protein and, surprisingly, directly correlated with fasting glucose. As a categorical and continuous variable, fetuin-A was a predictor of cardiovascular mortality, regardless of the traditional risk factors.The chronic inflammatory process that follows the acute myocardial infarction is closely related to adverse remodeling, ventricular dysfunction, and heart failure.[12] Therefore, the authors hypothesized that the higher fetuin-A concentration is favorable for patients after acute infarction due to its role in modulating inflammation and improving the healing process. The relationship between fetuin-A and inflammatory response has been described in other conditions. In a sepsis model, circulating levels of fetuin-A were reduced in the presence of the inflammatory mediators IFN-γ, TNF-α, and HMGB1. Interestingly, the exogenous supplementation of fetuin-A drastically decreased the concentration of the mediators, suggesting its protective role in inflammation.[13] Similarly, in an in vitro study, lipopolysaccharide-stimulated macrophages exhibited a high production of IL-1β and nitric oxide, key components during inflammation. This condition was significantly reversed by the addition of fetuin-A to the macrophage cultures.[14] Other authors have also demonstrated the participation of fetuin-A in the regulation of the inflammatory response and its association with a better prognosis during cerebral ischemia.[15]The findings of the study by Çakir et al.[11] should be confirmed in future studies with larger sample sizes and measurements of fetuin-A at different time points to better establish the prognostic value of fetuin-A in cardiovascular disease.
Authors: Haichao Wang; Wei Li; Shu Zhu; Jianhua Li; Jason D'Amore; Mary F Ward; Huan Yang; Rongqian Wu; Willi Jahnen-Dechent; Kevin J Tracey; Ping Wang; Andrew E Sama Journal: J Cereb Blood Flow Metab Date: 2009-12-02 Impact factor: 6.200
Authors: Joachim H Ix; Elizabeth Barrett-Connor; Christina L Wassel; Kevin Cummins; Jaclyn Bergstrom; Lori B Daniels; Gail A Laughlin Journal: J Am Coll Cardiol Date: 2011-11-29 Impact factor: 24.094
Authors: Wei Li; Shu Zhu; Jianhua Li; Yan Huang; Rongrong Zhou; Xuegong Fan; Huan Yang; Xing Gong; N Tony Eissa; Willi Jahnen-Dechent; Ping Wang; Kevin J Tracey; Andrew E Sama; Haichao Wang Journal: PLoS One Date: 2011-02-08 Impact factor: 3.240
Authors: Paula F Martinez; Silvio A Oliveira-Junior; Bertha F Polegato; Katashi Okoshi; Marina P Okoshi Journal: Arq Bras Cardiol Date: 2019-08-08 Impact factor: 2.000