Literature DB >> 33566979

COVID-19 in Early Postoperative Heart Transplantation - Initial Experience.

Gustavo Pampolha Guerreiro1, Lucas Molinari Veloso da Silveira1, Valdano Manuel1, Samuel Padovani Steffen1, Fernando Bacal1, Fabio Antonio Gaiotto1, Fabio Biscegli Jatene1.   

Abstract

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Year:  2021        PMID: 33566979      PMCID: PMC8159498          DOI: 10.36660/abc.20200868

Source DB:  PubMed          Journal:  Arq Bras Cardiol        ISSN: 0066-782X            Impact factor:   2.000


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Introdução

A pandemia da doença de coronavírus 2019 (COVID-19) está aumentando rapidamente em todo o mundo. O Brasil é o segundo país com mais casos, sendo considerado o epicentro da América do Sul.[1] A doença cardiovascular é conhecida por ser um importante fator de risco para susceptibilidade à infecção, gravidade da doença e mau prognóstico em COVID-19. Os receptores de transplante cardíaco (TC) podem ter um risco aumentado devido às suas comorbidades; no entanto, foi teorizado que a imunossupressão pode protegê-los da tempestade de citocinas que é responsável por desfechos piores.[2 , 3] Por outro lado, a infecção pelo coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2) tem sido relatada em pacientes com TC com apresentação da doença semelhante à população geral, questionando o teorizado mecanismo de proteção da imunossupressão.[4 - 6] Apresentamos aqui quatro casos de COVID-19 durante o período pós-operatório (PO) inicial de TC, com diferentes desfechos em curto prazo, incluindo um óbito devido a complicações respiratórias.

Relatos de Caso

Caso 1

Um paciente de sexo masculino de 51 anos de idade, no 50º dia PO, apresentou um quadro de dor torácica com características pleuríticas. A tomografia computadorizada de tórax revelou padrão de vidro fosco ( Figura 1A ), com diagnóstico de COVID-19 ( Tabela 1 ). Nenhum tratamento específico foi necessário. A ecocardiografia transtorácica (ETT) revelou fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) normal (67%). O paciente recebeu alta para casa após tratamento para complicações infecciosas menores relacionadas ao estado imunossupressor.
Figura 1

– Tomografia computadorizada de tórax revelando opacidades em vidro fosco em caso 1 (A), caso 2 (B), caso 3 (C) e caso 4 (D).

Tabela 1

– Características de linha de base e testes laboratórios no momento do diagnóstico de COVID-19

 Paciente 1Paciente 2Paciente 3Paciente 4
Idade (anos)55224831
Sexo (masculino/feminino)MasculinoFemininoMasculinoMasculino
Etiologia da doença cardíacaChagásicaDilatadaChagásicaCAVD
INTERMACS1223
Condição pré-operatórioInotrópico + ECMOInotrópico + BIAInotrópico + BIAInotrópico
Imunossupressão durante COVID-19Corticosteroides + Micofenolato + CiclosporinaCorticosteroides + CiclosporinaCorticosteroidesCorticosteroides + Micofenolato
TIH pré-TC (dias)148058143
Tempo de isquemia fria (minutos)212261146161
FEVE PO de TC (%)67606365
Diagnóstico PO de COVID-19 (dias)5045245
Apresentação da COVID-19 LeveModeradaModeradaGrave

BIA: balão intra-aórtico; CAVD: cardiomiopatia arritmogênica do ventrículo direito; COVID-19: doença de coronavírus 2019; ECMO: oxigenação por membrana extracorpórea; FEVE: fração de ejeção do ventrículo esquerdo; INTERMACS: Interagency Registry for Mechanically Assisted Circulatory Support; PO: pós-operatório; TC: transplante cardíaco; TIH: tempo de internação hospitalar.

BIA: balão intra-aórtico; CAVD: cardiomiopatia arritmogênica do ventrículo direito; COVID-19: doença de coronavírus 2019; ECMO: oxigenação por membrana extracorpórea; FEVE: fração de ejeção do ventrículo esquerdo; INTERMACS: Interagency Registry for Mechanically Assisted Circulatory Support; PO: pós-operatório; TC: transplante cardíaco; TIH: tempo de internação hospitalar.

Caso 2

Uma paciente de sexo feminino de 22 anos de idade apresentou disfunção primária do enxerto, necessitando de oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO) para a recuperação. Após o desmame da ECMO no 7º dia PO, a paciente apresentou febre que levou ao diagnóstico de COVID-19 ( Tabela 1 ). Necessitou de oxigenoterapia, porém sem ventilação mecânica ou tratamento específico. A tomografia computadorizada ( Figura 1B ) revelou um padrão de vidro fosco. A paciente recebeu alta após anticoagulação por leve embolia pulmonar. A última ETT mostrou FEVE 60%.

Caso 3

Um paciente de sexo masculino de 48 anos de idade, durante internação por insuficiência cardíaca descompensada, apresentou sintomas respiratórios e tomografia computadorizada de tórax sugestivos de COVID-19; no entanto, foi excluída após 3 testes negativos. O PO inicial transcorreu sem intercorrências até o 21º dia PO ( Figura 1C ), quando apresentou febre e foi diagnosticado com COVID-19 ( Tabela 1 ). Oxigenoterapia suplementar foi necessária, mas não ventilação mecânica. O paciente recebeu azitromicina durante o seu tratamento para COVID-19. O paciente recebeu alta com FEVE normal avaliada por ETT (63%).

Caso 4

Um paciente de sexo masculino de 31 anos de idade, no 5º dia PO, apresentou tosse e delírio. A tomografia computadorizada de tórax revelou imagens em vidro fosco em ambos os pulmões ( Figura 1C ) e o teste para COVID-19 foi positivo ( Tabela 1 ). Foi necessária oxigenoterapia suplementar e o paciente progressivamente piorou, necessitando de ventilação mecânica. O paciente recebeu azitromicina durante seu tratamento para COVID-19. A última FEVE avaliada por ETT foi normal (65%). O paciente evoluiu para óbito no 12º dia PO devido a insuficiência respiratória aguda.

Discussão

A pandemia de infecção por SARS-CoV-2 está aumentando dramaticamente em todo o mundo.[1] As cirurgias eletivas têm sido canceladas e os leitos de enfermaria/UTI normalmente dedicados a cuidados pré- e pós-operatórios têm sido designados para pacientes com COVID-19. Os cirurgiões cardíacos e cardiologistas estão enfrentando sérios problemas na tomada de decisões para tratar pacientes cirúrgicos neste período, uma vez que é necessário equilibrar o risco de morte cardiovascular devido à intervenção tardia, o risco de operar um paciente em incubação ou no período assintomático de infecção por COVID-19 e o risco de infecção durante a internação hospitalar após a cirurgia cardíaca.[7] Em relação aos pacientes com insuficiência cardíaca, o desafio é ainda maior, pois, devido à descompensação cardíaca, esses pacientes frequentemente requerem longas internações, as quais aumentam o risco de COVID-19. De 2010 a 2018, 44% dos pacientes estavam internados no momento do TC.[8] Durante a pandemia, muitos centros de TC estão reavaliando as suas listas de espera, dando prioridade aos pacientes com menor expectativa de vida ou pacientes hospitalizados que têm contra-indicação para dispositivo de assistência ventricular esquerda (DAVE) de longa duração.[9] Infelizmente, essa estratégia não é factível para todos os centros devido à falta de recursos, especialmente durante a pandemia. Os nossos receptores de TC incluem em sua maioria pacientes hospitalizados e priorizados, e DAVE de longa duração não foi possível. A maioria dos nossos pacientes submetidos ao TC nos últimos 10 anos foi hospitalizada no momento do TC. Apesar de todas as medidas preventivas tomadas durante a internação de acordo com os protocolos institucionais, esses pacientes apresentam alto risco de serem infectados pelo SARS-CoV-2. De acordo com a classificação de estadiamento proposta por Siddiqi e Mehra, apenas um de nossos pacientes apresentou COVID-19 grave.[10] Os três primeiros pacientes apresentaram formas leves e moderadas, não necessitando de tratamento específico ou intensivo. Apenas dois pacientes receberam azitromicina. O último paciente veio a óbito devido a insuficiência respiratória aguda. Com base em nossa experiência limitada e outros relatórios publicados, a COVID-19 pode ter apresentação semelhante em receptores de TC durante o período PO inicial (de forma leve a grave), em comparação tanto aos receptores de TC no período PO tardio quanto à população geral.[4 - 6] Até onde sabemos, esta série de casos é a primeira a relatar resultados em receptores de TC que contraíram a COVID-19 durante o período PO inicial e nossa experiência mostrou apresentações da doença semelhantes em comparação aos pacientes não receptores de TC previamente relatados. Séries maiores são necessárias para entender essa hipótese melhor. Atualmente, parece que o TC deve ser considerado para aqueles pacientes que não podem receber alta para casa em centros onde o DAVE de longa duração não é disponível, considerando os riscos e benefícios individuais, avaliados para cada paciente e realidade local.

Introduction

The coronavirus disease (COVID-19) pandemic is rapidly increasing worldwide. Brazil is the country with the second highest number of cases, and it is considered South America’s epicenter.[1] Cardiovascular disease is known to be an important risk factor for infection susceptibility, illness severity, and poor prognosis in COVID-19. Heart transplantation (HT) recipients may have an increased risk due to their comorbidities; however, it has been theorized that immunosuppression might protect them from the cytokine storm responsible for worse outcomes.[2 , 3]On the other hand, infection by severe acute respiratory syndrome coronavirus 2 (SARS-CoV-2) has been reported in HT patients with disease presentation similar to general population, questioning the theorized immunosuppression protective mechanism.[4 - 6] Herein, we present four cases of COVID-19 during the early postoperative (PO) HT period, with different short-term outcomes, including one death due to respiratory complications.

Case Reports

Case 1

A 51-year-old male patient, on PO day 50, presented chest pain with pleuritic characteristics. His chest computed tomography (CT) showed a ground glass pattern ( Figure 1A ), and was diagnosed with COVID-19 ( Table 1 ). No specific treatment was required. Transthoracic echocardiography (TTE) showed normal (67%) left ventricle ejection fraction (LVEF). He was discharged home after receiving treatment for minor infectious complications related to immunosuppressive status.
Figure 1

– Chest computed tomography revealing peripheral ground glass opacities in case 1 (A), case 2 (B), case 3 (C) and case 4 (D).

Table 1

– Baseline characteristics and laboratory tests at the time of COVID-19 diagnosis

 Patient 1Patient 2Patient 3Patient 4
Age (years)55224831
Sex (male/female)MaleFemaleMaleMale
Heart disease etiologyChagasicDilatedChagasicARVC
INTERMACS1223
Preoperative conditionInotropic + ECMOInotropic + IABPInotropic + IABPInotropic
Immunosuppression during COVID-19Corticosteroids + Mycophenolate + CyclosporineCorticosteroids + CyclosporineCorticosteroidsCorticosteroids + Mycophenolate
LOS pre-HT (days)148058143
Cold ischemia time (minutes)212261146161
LVEF PO HT (%)67606365
PO COVID-19 diagnosis (days)5045245
COVID-19 presentationMildModerateModerateSevere

ARVC: arrhythmogenic right ventricular cardiomyopathy; COVID-19: coronavirus disease 2019; ECMO: extracorporeal membrane oxygenation; HT: heart transplant; IABP: intra-aortic balloon pump; INTERMACS: Interagency Registry for Mechanically Assisted Circulatory Support; LOS: length of stay; LVEF: left ventricular ejection fraction; PO: postoperative.

ARVC: arrhythmogenic right ventricular cardiomyopathy; COVID-19: coronavirus disease 2019; ECMO: extracorporeal membrane oxygenation; HT: heart transplant; IABP: intra-aortic balloon pump; INTERMACS: Interagency Registry for Mechanically Assisted Circulatory Support; LOS: length of stay; LVEF: left ventricular ejection fraction; PO: postoperative.

Case 2

A 22-year-old female patient had primary graft dysfunction requiring extracorporeal membrane oxygenation (ECMO) for recovery. After weaning from ECMO on PO day 7, she presented fever that lead to COVID-19 diagnosis ( Table 1 ). She required oxygen therapy, without mechanical ventilation or specific treatment. CT scan ( Figure 1B ) showed a ground glass pattern. The patient was discharged after anticoagulation due to minor pulmonary embolism. Last TTE showed 60% LVEF.

Case 3

A 48-year-old male patient, during hospitalization for decompensated heart failure, presented respiratory symptoms and chest CT suggestive of COVID-19; however, this was excluded after 3 negatives tests. Early PO was uneventful until PO day 21 ( Figure 1C ), when he presented fever and was diagnosed with COVID-19 ( Table 1 ). Supplementary oxygen therapy was required, but not mechanical ventilation. The patient received azithromycin during his COVID-19 treatment. He was discharged with normal LVEF assessed by TTE (63%).

Case 4

A 31-year-old male patient, on PO day 5, presented cough and delirium. Chest CT showed ground glass images in both lungs ( Figure 1C ) and he tested positive for COVID-19 ( Table 1 ). Supplementary oxygen therapy was needed, and he progressively got worse, requiring mechanical ventilation. The patient received azithromycin during his COVID-19 treatment. Last LVEF assessed by TTE was normal (65%). The patient died on PO day 12 due to acute respiratory failure.

Discussion

The pandemic of SARS-CoV-2 infection is dramatically increasing worldwide.[1]Elective surgeries have been cancelled and ward/ICU beds dedicated to pre- and postoperative care have been designated for patients with COVID-19. Cardiac surgeons and cardiologists are facing serious issues in making decisions to treat surgical patients in this period, since it is necessary to balance the risk of cardiovascular death due to delayed intervention, the risk of operating a patient in incubation or asymptomatic period of COVID-19 infection, and the risk of being infected during hospitalization after cardiac surgery.[7] Concerning patients with heart failure, the challenge is even greater, because, due to cardiac decompensation, these patients frequently require long hospitalizations, which increase the risk of COVID-19. From 2010 to 2018, 44% of patients were hospitalized at the time of HT.[8]During the pandemic, many HT centers are reassessing their waiting lists, prioritizing patients with lower life expectancy or hospitalized patients who have contraindications for durable left ventricular assist device (LVAD).[9]Unfortunately, this strategy is not feasible for all centers due to a lack of resources, especially during the pandemic. Our HT recipients include mostly hospitalized and prioritized patients, and durable LVAD was not possible. Most of our patients who underwent HT during the last 10 years were hospitalized at the time of HT. Despite all the preventive measures taken during hospitalization according to institutional protocols, these patients are at high risk of being infected by SARS-CoV-2. According to the staging classification proposed by Siddiqi and Mehra, only one of our patients had severe COVID-19.[10]The first three patients presented with mild and moderate forms, not requiring specific or intensive care treatment. Only two patients received azithromycin. The last patient died due to acute respiratory failure. Based on our limited experience and other published reports, COVID-19 may have similar presentation in HT recipients during the early PO phase (from mild to severe forms), whether compared to HT recipients in the late PO period or to the general population.[4 - 6] To our knowledge, this case series is the first to report results in HT recipients developing COVID-19 during the early PO period, and our experience has shown similar disease presentations compared to non-HT recipients previously reported. Larger series are required to better understand this hypothesis. It currently seems that HT should be considered for patients who cannot be discharged home in centers where durable LVAD are not available, considering individual risks and benefits, weighed for each patient and local situation.
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1.  Characteristics and Outcomes of Recipients of Heart Transplant With Coronavirus Disease 2019.

Authors:  Farhana Latif; Maryjane A Farr; Kevin J Clerkin; Marlena V Habal; Koji Takeda; Yoshifumi Naka; Susan Restaino; Gabriel Sayer; Nir Uriel
Journal:  JAMA Cardiol       Date:  2020-10-01       Impact factor: 14.676

2.  Challenges in Heart Transplantation in the Era of COVID-19.

Authors:  Ersilia M DeFilippis; Maryjane A Farr; Michael M Givertz
Journal:  Circulation       Date:  2020-04-21       Impact factor: 29.690

3.  COVID-19 and the cardiovascular system.

Authors:  Ying-Ying Zheng; Yi-Tong Ma; Jin-Ying Zhang; Xiang Xie
Journal:  Nat Rev Cardiol       Date:  2020-05       Impact factor: 32.419

4.  COVID-19 illness in native and immunosuppressed states: A clinical-therapeutic staging proposal.

Authors:  Hasan K Siddiqi; Mandeep R Mehra
Journal:  J Heart Lung Transplant       Date:  2020-03-20       Impact factor: 10.247

5.  First cases of COVID-19 in heart transplantation from China.

Authors:  Fei Li; Jie Cai; Nianguo Dong
Journal:  J Heart Lung Transplant       Date:  2020-03-17       Impact factor: 10.247

6.  Adult Cardiac Surgery During the COVID-19 Pandemic: A Tiered Patient Triage Guidance Statement.

Authors:  Jonathan W Haft; Pavan Atluri; Gorav Ailawadi; Daniel T Engelman; Michael C Grant; Ansar Hassan; Jean-Francois Legare; Glenn J R Whitman; Rakesh C Arora
Journal:  Ann Thorac Surg       Date:  2020-04-16       Impact factor: 4.330

Review 7.  Cardiac involvement in COVID-19 patients: Risk factors, predictors, and complications: A review.

Authors:  Ghazal Aghagoli; Benjamin Gallo Marin; Luke B Soliman; Frank W Sellke
Journal:  J Card Surg       Date:  2020-04-19       Impact factor: 1.778

8.  Early experience of COVID-19 in 2 heart transplant recipients: Case reports and review of treatment options.

Authors:  Luise Holzhauser; Laura Lourenco; Nitasha Sarswat; Gene Kim; Ben Chung; Ann B Nguyen
Journal:  Am J Transplant       Date:  2020-05-22       Impact factor: 9.369

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Review 1.  SARS-CoV-2 infection in heart transplant recipients: a systematic literature review of clinical outcomes and immunosuppression strategies.

Authors:  Onyedika J Ilonze; Kareem Ballut; Roopa S Rao; Mark A Jones; Maya Guglin
Journal:  Heart Fail Rev       Date:  2021-10-20       Impact factor: 4.654

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