Literature DB >> 33012561

[COVID-19 and resuming elective surgery. How do we get back to normal?]

Florentino Fernandes Mendes1.   

Abstract

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Year:  2020        PMID: 33012561      PMCID: PMC7491454          DOI: 10.1016/j.bjan.2020.09.001

Source DB:  PubMed          Journal:  Braz J Anesthesiol


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A COVID‐19 estará presente na nossa população nos próximos meses (ou até que a vacina esteja disponível) e, além das restrições individuais à liberdade, teremos que enfrentar os impactos negativos na economia com seus desdobramentos sociais: desemprego, depressão, fome, suicídios, violência contra as mulheres, abuso de drogas, entre outros. Condições sabidamente implicadas no aumento de óbitos. Considerando especificamente a nossa atividade, a situação que vivenciamos não encontra paralelo na história moderna e, portanto, inexiste informação disponível para comparar e projetar qual será o efeito da interrupção das cirurgias na saúde pública. Para que o retorno das cirurgias eletivas aconteça com segurança, será indispensável a participação efetiva dos serviços de anestesia junto aos comitês gestores com o intuito de disponibilizar todos os recursos para o enfrentamento da pandemia, gerenciando possíveis desabastecimentos, e com o objetivo de desenvolver e adaptar protocolos assistenciais. Nas cirurgias eletivas de pacientes não infectados, uma alta vigilância deve ser mantida e os princípios de distanciamento social, uso de proteção para pacientes e equipes assistenciais, observados em todos os casos. Durante cirurgias eletivas, relatos de aumento da mortalidade e de eventos adversos ao contrair COVID‐19 são preocupantes e justificam cuidados adicionais, como a testagem e o isolamento prévio.3, 4 Em decorrência dos custos associados e da escassez de equipamentos de proteção, a gestão hospitalar tende a recomendar o uso de proteção máxima apenas em casos positivos para COVID‐19, mesmo que isso coloque alguma incerteza quanto à proteção de todos os envolvidos. Este é outro tema sensível e delicado que precisará ser enfrentado. Por outro lado, em todo o mundo, a disponibilidade de acesso à cirurgia é reconhecida como um recurso escasso, existindo um desafio global para prover cirurgias e anestesias seguras como prioridade.5, 6 Estimativas sugerem que aproximadamente 330 milhões de cirurgias são realizadas anualmente em todo o mundo, a grande maioria nos países desenvolvidos. Considerando a média global de cerca de seis milhões de procedimentos por semana, o represamento das cirurgias e as novas exigências de segurança exigirão soluções inovadoras. Como exemplo da grave situação, segundo o Observatório Global do Câncer da OMS, 500.000 pacientes são diagnosticados com câncer colorretal anualmente na Europa e quatro milhões com qualquer tipo de câncer. Em dois meses de pandemia, haveria atraso no diagnóstico de 83.000 pacientes com câncer colorretal e em mais de 660.000 pacientes com qualquer outro tipo de câncer. Essa estimativa não incluiu o tempo necessário para normalizar a atividade e solucionar a lista de pendências, portanto, o impacto negativo pode ser muito maior, principalmente porque desconhecemos as implicações do represamento das cirurgias no agravamento da condição clínica do paciente, em sua saúde e bem‐estar. No Brasil, o vírus chegou oficialmente em 25 de Fevereiro, na cidade de São Paulo. A crise já dura, portanto, cinco meses e deve se prolongar até o final de 2020 em diferentes partes do país, o que faz supor que a conjuntura possa ser ainda mais crítica e que os hospitais e o sistema de saúde sofrerão fortes impactos econômicos. Considerando a gravidade da situação enfrentada, cabem algumas perguntas aos anestesistas e às suas entidades representativas: Como os serviços de anestesia podem agregar valor e reduzir custos? Que atitudes/medidas deveriam ser priorizadas? Qual, afinal, será a nossa contribuição? Dados do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) demonstram que 61% do Índice de Custo Médico Hospitalar, uma espécie de medida da inflação médico‐hospitalar no Brasil, se deve à internação hospitalar. Portanto, uma medida prioritária e de grande representatividade será reduzir o tempo de internação. Como o custo fixo do centro cirúrgico é elevado, impõe‐se também a redução do tempo de realização de cada cirurgia, potencializando a utilização do centro cirúrgico. Entretanto, a realização mais rápida da cirurgia não pode comprometer a segurança do paciente, pois quando ocorre uma complicação, o custo associado à cirurgia aumenta significativamente. Isoladamente, a complicação perioperatória mais frequente é a infecção. De fato, infecções da ferida operatória estão entre as mais sérias e comuns complicações perioperatórias e, provavelmente, causam mais morbidade que todas as outras complicações anestésicas somadas, sendo que metade delas podem ser prevenidas. O paciente com infecção tem cinco vezes mais chance de reinternar e aumenta o tempo médio de internação em 3 a 4 dias. Diante dos desafios apresentados, especial atenção deve ser dada ao controle de fatores de risco para desenvolver infecção perioperatória. Principalmente a hipotermia, a desnutrição e a resistência à insulina. Protocolos como o projeto Aceleração da Recuperação Total Pós‐Operatória (ACERTO) e o Enhanced Recovery After Surgery (ERAS), com base em evidências, já foram testados no Brasil e em várias partes do mundo e deveriam receber especial atenção na retomada das cirurgias eletivas, pois são alternativas de fácil execução para reduzir a morbimortalidade perioperatória, o tempo de internação e os custos associados. Em síntese, nesse período de grandes incertezas, impõe‐se a aplicação da melhor evidência científica, a adaptação dos protocolos, a correta utilização dos recursos e das estruturas disponíveis e a elaboração de um plano de recuperação dos serviços priorizando os pacientes que apresentam condições clínicas com maior risco de deterioração.

Conflitos de interesse

O autor declara não haver conflitos de interesse.
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Review 1.  Problems and solutions in delivering global surgery in the 21st century.

Authors:  F D McDermott; M E Kelly; A Warwick; T Arulampalam; A J Brooks; T Gaarder; B A Cotton; D C Winter
Journal:  Br J Surg       Date:  2015-12-14       Impact factor: 6.939

Review 2.  Surgical Site Infections and Associated Operative Characteristics.

Authors:  Paul K Waltz; Brian S Zuckerbraun
Journal:  Surg Infect (Larchmt)       Date:  2017-04-27       Impact factor: 2.150

Review 3.  Hospital malnutrition in Latin America: A systematic review.

Authors:  Maria Isabel T D Correia; Mario Ignacio Perman; Dan Linetzky Waitzberg
Journal:  Clin Nutr       Date:  2016-07-19       Impact factor: 7.324

4.  Enhanced recovery after surgery (ERAS) protocols: Time to change practice?

Authors:  Megan Melnyk; Rowan G Casey; Peter Black; Anthony J Koupparis
Journal:  Can Urol Assoc J       Date:  2011-10       Impact factor: 1.862

5.  Size and distribution of the global volume of surgery in 2012.

Authors:  Thomas G Weiser; Alex B Haynes; George Molina; Stuart R Lipsitz; Micaela M Esquivel; Tarsicio Uribe-Leitz; Rui Fu; Tej Azad; Tiffany E Chao; William R Berry; Atul A Gawande
Journal:  Bull World Health Organ       Date:  2016-03-01       Impact factor: 9.408

6.  Evaluating the collection, comparability and findings of six global surgery indicators.

Authors:  H Holmer; A Bekele; L Hagander; E M Harrison; P Kamali; J S Ng-Kamstra; M A Khan; L Knowlton; A J M Leather; I H Marks; J G Meara; M G Shrime; M Smith; K Søreide; T G Weiser; J Davies
Journal:  Br J Surg       Date:  2018-12-20       Impact factor: 6.939

Review 7.  Immediate and long-term impact of the COVID-19 pandemic on delivery of surgical services.

Authors:  K Søreide; J Hallet; J B Matthews; A A Schnitzbauer; P D Line; P B S Lai; J Otero; D Callegaro; S G Warner; N N Baxter; C S C Teh; J Ng-Kamstra; J G Meara; L Hagander; L Lorenzon
Journal:  Br J Surg       Date:  2020-04-30       Impact factor: 6.939

8.  [The Anesthesiologist and COVID-19].

Authors:  Vinícius Caldeira Quintão; Cláudia Marquez Simões; Laís Helena Navarro E Lima; Guilherme Antônio Moreira de Barros; Marcello Fonseca Salgado-Filho; Gabriel Magalhães Nunes Guimarães; Rodrigo Leal Alves; Ana Maria Menezes Caetano; André Prato Schmidt; Maria José Carvalho Carmona
Journal:  Braz J Anesthesiol       Date:  2020-03-21

9.  Protecting Surgical Teams During the COVID-19 Outbreak: A Narrative Review and Clinical Considerations.

Authors:  Gabriel A Brat; Sean Hersey; Karan Chhabra; Alok Gupta; John Scott
Journal:  Ann Surg       Date:  2020-04-17       Impact factor: 12.969

10.  COVID-19 Outbreak and Surgical Practice: Unexpected Fatality in Perioperative Period.

Authors:  Ali Aminian; Saeed Safari; Abdolali Razeghian-Jahromi; Mohammad Ghorbani; Conor P Delaney
Journal:  Ann Surg       Date:  2020-07       Impact factor: 13.787

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1.  Profile trends of non-COVID patients admitted to the cardiac intensive care unit during the 2020 COVID pandemic.

Authors:  Ofir Koren; Moriah Shachar; Amit Shahar; Mohammad Barbour; Ehud Rozner; Daniel Benhamou; Alisa Leeds Rosenberg; Yoav Turgeman; Robert Naami; Edmund Naami; Einat Mader; Saleem Abu Rajab
Journal:  Am J Med Sci       Date:  2022-02-27       Impact factor: 3.462

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