Literature DB >> 32876196

Myocardial Injury Biomarkers and Cardiac Complications Associated with Mortality in Patients with COVID-19.

Paulo Ricardo Martins-Filho1, José Augusto Soares Barreto-Filho1,2, Victor Santana Santos3.   

Abstract

BACKGROUND: SARS-CoV-2 is an emerging RNA virus associated with a severe acute respiratory disease known as COVID-19. Although COVID-19 is predominantly a pulmonary disease, some patients have severe cardiovascular damage. We performed a quantitative evidence synthesis of clinical data, myocardial injury biomarkers, and cardiac complications associated with in-hospital death in patients with COVID-19.
METHODS: We searched the databases PubMed, Embase, and Google Scholar to identify studies comparing clinical data, myocardial injury biomarkers, and cardiac complications between non-survivors and survivors of COVID-19. Effect sizes were reported as mean difference or standardized mean difference for continuous variables and risk ratio for dichotomous variables with 95% confidence intervals. A random effects model was used to pool the results.
RESULTS: Six retrospective studies reporting data from 1,141 patients (832 survivors and 309 non-survivors) were included. We found that underlying cardiovascular conditions; elevation of high-sensitivity cardiac troponin I, N-terminal pro-B-type natriuretic peptide, and creatine kinase-MB; and cardiac complications were associated with increased risk of death for patients with SARS-CoV-2 infection.
CONCLUSIONS: The confirmation that underlying cardiovascular conditions, elevation of myocardial injury biomarkers during COVID-19 infection, and acute cardiovascular decompensation are predictors for mortality in SARS-CoV-2 infection must encourage new research to clarify potential mechanisms and test appropriate treatments. (Arq Bras Cardiol. 2020; 115(2):273-277).

Entities:  

Mesh:

Substances:

Year:  2020        PMID: 32876196      PMCID: PMC8384270          DOI: 10.36660/abc.20200372

Source DB:  PubMed          Journal:  Arq Bras Cardiol        ISSN: 0066-782X            Impact factor:   2.667


Introdução

O coronavírus 2, da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2), é um novo coronavírus que causa uma doença infecciosa emergente com envolvimento pulmonar notável, conhecida como COVID-19. Além da hipótese de que pacientes cardíacos são mais suscetíveis à infecção por COVID-19 por desregulação dos receptores ACE2, relatos individuais preliminares têm demonstrado que pacientes com doença cardiovascular prévia apresentam maior risco de desfechos adversos. Além disso, pacientes que apresentam qualquer marcador clínico ou biológico de envolvimento cardíaco agudo durante a infecção por COVID-19 têm menor probabilidade de sobreviver.[1] Embora o envolvimento cardíaco agudo, seja clínico ou revelado por biomarcadores, tenha sido descrito como uma condição comum entre pacientes hospitalizados por COVID-19, e esteja associado a um maior risco de óbito hospitalar,[2] as evidências atualmente disponíveis são baseadas em estudos individuais com dados potencialmente sobrepostos.[3] Portanto, uma síntese de evidências pode ajudar a confirmar esses achados. Neste estudo, realizamos uma síntese de evidências quantitativas de dados clínicos, biomarcadores de lesão miocárdica e complicações cardíacas associadas ao óbito hospitalar em pacientes com COVID-19.

Métodos

Esta revisão sistemática e metanálise foram conduzidas de acordo com as diretrizes de Itens de Relatório Preferidos para Revisões Sistemáticas e Meta-Análises (PRISMA).[4] Em vista da necessidade urgente para esta revisão, registro de PROSPERO não foi solicitado. Buscamos nas bases de dados PubMed, Embase e Google Scholar identificar estudos que comparassem dados clínicos, biomarcadores de lesão miocárdica e complicações cardíacas entre pacientes sobreviventes e não sobreviventes da COVID-19. Incluímos apenas os estudos com dados clínicos que relataram, no mínimo, as concentrações de troponina cardíaca I de alta sensibilidade (TnI-as). Considerou-se que os pacientes apresentavam lesão miocárdica aguda quando os níveis séricos de TnI-as estavam acima do limite superior de referência (LSR) do percentil 99. Insuficiência cardíaca foi definida quando o nível sérico de N-terminal do pró-hormônio do peptídeo natriurético do tipo B (NT-proBNP) excedia a faixa normal, e na presença de sintomas associados, como dispneia, ortopneia e edema nos membros inferiores. A arritmia foi definida como taquicardia ventricular rápida, com duração superior a 30 segundos, induzindo instabilidade hemodinâmica e/ou fibrilação ventricular, e bradicardia clinicamente significativa na eletrocardiografia. Nós excluímos as publicações com relatos potencialmente sobrepostos baseados na coleção de dados e localização, bem como estudos nos quais a extração dos dados não foi possível. No caso de dados potencialmente sobrepostos, nós selecionamos o estudo com as informações mais completas. Os relatos foram selecionados em duas etapas, triagem de títulos e resumos e subsequente obtenção e triagem dos artigos em texto completo. Foram realizadas as buscas entre 1º de janeiro de 2020 e 14 de abril de 2020, sem restrições de idioma. As listas de referências de todos os estudos e revisões elegíveis também foram avaliadas para identificar estudos adicionais para inclusão. Foram utilizados os seguintes termos de pesquisa: “COVID-19”, “SARS-CoV-2” e “coronavírus”. Todos os relatos de COVID-19, independentemente do tema cardiovascular, foram revisados. Os dados das publicações foram extraídos por dois autores e verificados quanto à precisão. O nosso resultado de interesse foi o óbito hospitalar. Foram consideradas variáveis independentes os dados clínicos (idade, sexo e comorbidades existentes), biomarcadores de lesões miocárdicas (TnI-as, NT-proBNP e creatina quinase-MB [CK-MB]) e complicações cardíacas (lesão cardíaca aguda, insuficiência cardíaca e arritmias). A Ferramenta de Avaliação de Qualidade de Estudos de Coorte e Transversais Observacionais dos Institutos Nacionais da Saúde dos EUA (https://www.nhlbi.nih.gov/health-topics/study-quality-assessment-tools) foi utilizada para avaliar a qualidade de cada estudo. Esta ferramenta é composta por 14 itens que avaliam a representatividade e seleção da amostra, a descrição e a mensuração da exposição, o acompanhamento dos participantes e o tratamento das variáveis confundidoras. Os achados foram discutidos qualitativamente. As discordâncias foram resolvidas por discussão. Os tamanhos dos efeitos foram apresentados como diferença média (DM) ou diferença média padronizada (DMP) para variáveis contínuas e como razão de risco (RR) para variáveis dicotômicas, com intervalos de confiança (IC) de 95%. Para calcular DM e DMP, as médias e os desvios padrões (DP) dos biomarcadores de lesão miocárdica foram obtidos de cada estudo. Se as médias e os DP não foram diretamente relatados na publicação, foram utilizados métodos indiretos de extrair estimativas.[5 , 6] Quando os dados não foram apresentados em tabelas ou no texto e não foi possível entrar em contato com os autores, os dados foram extraídos usando o software de digitalização de gráficos WebPlotDigitizer (disponível em http://arohatgi.info/WebPlotDigitizer). Nem todos os estudos relataram dados sobre todas as variáveis preditoras, e a análise agrupada foi estimada a partir dos dados disponíveis para cada variável. Foi utilizado um modelo de efeitos aleatórios para agrupar os resultados, e p <0,05 bicaudal foi usado para determinar a significância. A classificação de Cohen foi utilizada para interpretar a magnitude do tamanho do efeito dos biomarcadores de lesão miocárdica. DMP > 0,8 foi considerada de grande tamanho de efeito. A heterogeneidade estatística foi quantificada pelo índice I[2] , e potencial viés de publicação foi analisado para TnI-as, utilizando o teste de regressão de Egger e inspeção visual de gráficos de funil. Devido ao número pequeno de estudos que relataram dados para NT-proBNP e CK-MB, a análise de viés de publicação não foi realizada para estes. As análises foram realizadas utilizando Review Manager 5.3 (Cochrane IMS, Copenhague, Dinamarca).

Resultados

Após a triagem de 8.091 títulos e resumos, 31 artigos foram avaliados em texto completo para elegibilidade. Foram excluídos 25 estudos, dos quais sete foram por causa de dados potencialmente sobrepostos. Foram incluídos seis estudos retrospectivos,[1 , 7 - 11] fornecendo dados de 1.141 pacientes (633 de sexo masculino e 508 de sexo feminino), com infecção confirmada por SARS-CoV-2, 832 sobreviventes e 309 não sobreviventes. A Tabela 1 mostra os detalhes dos estudos incluídos.
Tabela 1

Características dos estudos incluídos e dados clínicos de pacientes com COVID-19, incluindo óbitos hospitalares

AutoresDesenhoLocalizaçãoColeção de dadosTamanho da amostraIdade*SexoÓbitos hospitalaresSobreviventes

MasculinoFeminino
Zhou et al, 20201Coorte retrospectivaJinyintan Hospital and Wuhan Pulmonary HospitalDez 29, 2019 a Jan 31, 202019156,3 (15,6)1197254137
Cao et al, 20207Coorte retrospectivaZhongnan Hospital of Wuhan UniversityJan 3, 2020 a Fev 1, 202010252,7 (22,2)53491785
Chen et al, 20208Coorte retrospectivaTongji Medical College of WuhanJan 13, 2020 a Fev 28, 202027458,7 (19,3)171103113161
Guo et al, 20209Coorte retrospectivaSeventh Hospital of WuhanJan 23, 2020 a Fev 23, 202018758,5 (14,7)919643144
Wang et al, 202010Coorte retrospectivaRenmin Hospital of Wuhan UniversityJan 1, 2020 a Fev 6, 202033970,0 (8,2)16617365274
Zhang et al, 202011Coorte retrospectivaWuhan No.1 HospitalDez 25, 2019 a Fev 15, 20204870,6 (13,4)33151731

*Dados relatados como média e desvio padrão.

*Dados relatados como média e desvio padrão. O risco de viés dos estudos é mostrado na e-Tabela 1 no conteúdo digital suplementar. Todos os estudos tinham objetivos e critérios de elegibilidade claramente definidos, recrutaram sujeitos da mesma população e descreveram as definições dos fatores de exposição e dos desfechos. No entanto, os estudos não foram capazes de determinar se o tamanho da amostra era representativo da população. Além disso, nenhum dos estudos realizou análise para ajuste de fatores de confusão. Os resultados da metanálise mostraram diferenças na idade entre os grupos. Não sobreviventes de COVID-19 eram mais velhos em comparação com os sobreviventes (DM = 14,3 anos, IC 95% 9,2 a 19,4). Sexo masculino (RR = 1,3, IC 95% 1,2 a 1,4), a presença de hipertensão existente (RR = 1,7, IC 95% 1,2 a 2,4) e doença cardiovascular (RR = 3,3, IC 95% 1,4 a 7,8) também foram associados ao aumento do risco de mortalidade. A metanálise dos biomarcadores de lesão miocárdica demonstraram um grande aumento de TnI-as (DMP = 1,0, IC 95% 0,8 a 1,2), NT-proBNP (DMP = 1,1, IC 95% 0,7 a 1,4) e CK-MB (DMP = 1,0, IC 95% 0,2 a 1,8) em pacientes não sobreviventes. Valores elevados de TnI-as acima do LSR do percentil 99 foram associados a um aumento de 8 vezes no risco de óbito hospitalar (RR = 8,0, IC 95% 2,2 a 28,5). Não foram observadas evidências de vieses de publicação substancial para TnI-as. Foi verificado que as complicações cardíacas, incluindo lesão cardíaca aguda (RR = 8,9, IC 95% 4,2 a 19,3), insuficiência cardíaca (RR = 5,1, IC 95% 2,5 a 10,7) e arritmias (RR = 4,9, IC 95% 1,2 a 10,9) eram fatores de risco para óbito relacionado à COVID-19. Comparações de dados clínicos, biomarcadores da lesão miocárdica e complicações cardíacas entre não sobreviventes e sobreviventes da COVID-19 são exibidas na Tabela 2 . Os gráficos de floresta e os gráficos de funil são apresentados no conteúdo digital suplementar (e-Figuras 1 – 3).
Tabela 2

Comparação de dados clínicos, biomarcadores da lesão miocárdica e complicações cardíacas entre não sobreviventes e sobreviventes da COVID-19

ParâmetroDM (IC 95%) entre sobreviventes e não sobreviventesDMP (IC 95%) entre sobreviventes e não sobreviventesRR (IC 95%)Valor de pI2
Clínicos     
Idade, anos14,3 (9,2 a 19,4)--< 0,00188%
Masculino--1,3 (1,2 a 1,4)< 0,0010%
Comorbidades     
Hipertensão--1,7 (1,2 a 2,4)0,00174%
Doença cardiovascular--3,3 (1,4 a 7,7)0,00570%
Biomarcadores de lesão miocárdica     
TnI-as-1,0 (0,8 a 1,2)-< 0,00142%
TnI-as (> percentil 99)--8,0 (2,2 a 28,5)0,00193%
NT-proBNP-1,1 (0,7 a 1,4)-< 0,00150%
CK-MB-1,0 (0,2 a 1,8)-0,01081%
Complicações cardíacas     
Lesão cardíaca aguda--8,9 (4,2 a 19,1)< 0,00179%
Insuficiência cardíaca--5,1 (2,5 a 10,7)< 0,00175%
Arritmias--4,9 (1,2 a 19,0)0,02085%

DM: diferença média; DMP: diferença média padronizada; RR: razão de risco; IC: intervalo de confiança. Resultados positivos para DMP indicam níveis aumentados de biomarcadores em pacientes não sobreviventes.

DM: diferença média; DMP: diferença média padronizada; RR: razão de risco; IC: intervalo de confiança. Resultados positivos para DMP indicam níveis aumentados de biomarcadores em pacientes não sobreviventes.

Discussão

A vigilância de eventos cardiovasculares associados à COVID-19 parece bem justificada.[12] Este estudo confirma e quantifica melhor a associação de biomarcadores da lesão miocárdica e/ou complicações cardíacas agudas com o óbito hospitalar em pacientes com COVID-19. No entanto, ainda não está claro se o envolvimento cardíaco agudo é provocado principalmente pela SARS-CoV-2 ou se é um envolvimento cardíaco multifatorial inespecífico de uma infecção sistêmica grave.[13] Tem sido proposto que o SARS-CoV-2 possa induzir a lesão cardíaca por múltiplos mecanismos, incluindo invasão viral direta de cardiomiócitos e subsequente miocardite, uma vez que partículas virais têm sido identificadas nas células do miocárdio.[14] Porém, alterações na TnI ao longo do tempo e a ausência de sinais típicos na ecocardiografia e no ECG em pacientes com COVID-19 sugeriram que a lesão miocárdica em pacientes com COVID-19 esteja mais provavelmente relacionada às consequências sistêmicas da doença.[15] Outros mecanismos plausíveis que têm sido sugeridos para explicar a elevação da troponina nesse cenário incluem infarto do miocárdio tipo 1 e, principalmente, tipo 2 devido à síndrome do desconforto respiratório agudo, sepse, tempestade de citocinas e até síndrome de Takotsubo.[16] Portanto, a infecção por SARS-CoV-2 pode induzir novas lesões cardíacas e/ou atuar como um fator precipitante para agravar as doenças cardiovasculares subjacentes e levar ao óbito. Nesta metanálise, analisamos biomarcadores bem estabelecidos para o diagnóstico de lesão miocárdica e a previsão de desfechos. A elevação de TnI-as, NT-proBNP e CK-MB foi associada ao aumento do risco de óbito em pacientes com infecção por SARS-CoV-2. O manejo de pacientes com biomarcadores de lesão miocárdica e descompensação cardiovascular aguda é principalmente baseado em cuidados de suporte e abordagem individualizada para melhor orientar o tratamento. Infelizmente, não temos evidências para orientar o uso adequado de agentes antiplaquetários, anticoagulantes, betabloqueadores, inibidores da ECA e estatinas neste cenário crítico, e devemos adaptar o conhecimento atual.[17] Por exemplo, foi recentemente sugerido que os inibidores do sistema renina-angiotensina-aldosterona possam ser deletérios ou benéficos para pacientes com COVID-19,[18] mas ainda não temos as evidências definitivas para esta decisão. Os achados deste estudo devem ser tratados com cautela. Suas limitações principais são as seguintes: (1) Os estudos são limitados a uma única região e isto reduziu a nossa capacidade de verificar possível variabilidade populacional; (2) houve heterogeneidade moderada a alta entre os estudos e (3) os estudos não realizaram análise para ajuste de fatores confundidores e seus resultados foram baseados em modelos univariados padrões.

Conclusões

Esta metanálise confirma que as condições cardiovasculares subjacentes, a elevação dos biomarcadores da lesão miocárdica durante a infecção por COVID-19 e a descompensação cardiovascular aguda são preditores de mortalidade na infecção por SARS-CoV-2. Estudos futuros são necessários para esclarecer os possíveis mecanismos de lesão cardiovascular e testar tratamentos adequados.

Introduction

Severe acute respiratory syndrome coronavirus 2 (SARS-CoV-2) is a novel coronavirus that leads to an emerging infectious disease with remarkable pulmonary involvement, known as COVID-19. In addition to the hypothesis that cardiac patients are more susceptible to COVID-19 infection via ACE2 receptor dysregulation, preliminary individual reports have shown that patients with previous cardiovascular disease are at a higher risk of adverse outcomes. Moreover, patients who present any clinical or biological marker of acute cardiac involvement during COVID-19 infection are less likely to survive.[1] Although acute cardiac involvement, whether clinical or revealed by biomarkers, has been described as a common condition among patients hospitalized with COVID-19, and it is associated with a higher risk of in-hospital death,[2] current available evidence is based on individual studies with potentially overlapping data.[3] Therefore, a synthesis of evidence can help confirm these findings. In this study, we performed a quantitative evidence synthesis of clinical data, myocardial injury biomarkers, and cardiac complications associated with in-hospital death in patients with COVID-19.

Methods

This systematic review and meta-analysis was conducted in accordance with the Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA) guidelines.[4] Given the urgent need for this review, PROSPERO registration was not sought. We searched the databases PubMed, Embase, and Google Scholar to identify studies comparing clinical data, myocardial injury biomarkers, and cardiac complications between non-survivors and survivors of COVID-19. We included only studies with clinical data that provided, at least, concentrations of high-sensitivity cardiac troponin I (hs-cTnI). Patients were considered to have acute myocardial injury if serum levels of hs-cTnI were above the 99thpercentile upper reference limit (URL). Heart failure was defined when the serum level of N-terminal pro-B-type natriuretic peptide (NT-proBNP) exceeded the normal range and in the presence of associated symptoms, such as dyspnea, orthopnea, and lower extremity edema. Arrhythmia was defined as rapid ventricular tachycardia lasting more than 30 seconds, inducing hemodynamic instability and/or ventricular fibrillation, and clinically significant bradycardia on electrocardiography. We excluded publications with potentially overlapping reports based on data collection and setting and studies from which data extraction was not possible. In the event of potentially overlapping data, we selected the study with the most complete information. Reports were screened in two stages, screening of titles and abstracts followed by the retrieval and screening of full-text articles. Searches were performed from January 1, 2020 to April 14, 2020, without language restrictions. The reference lists of all eligible studies and reviews were also evaluated to identify additional studies for inclusion. The following search terms were used: “COVID-19”, “SARS-CoV-2”, and “coronavirus”. All COVID-19 reports, irrespective of cardiovascular topic, were reviewed. Data from publications were extracted by two authors and crosschecked for accuracy. Our outcome of interest was in-hospital death. Clinical data (age, sex, and existing comorbidities), myocardial injury biomarkers (hs-cTnI, NT-proBNP, and creatine kinase-MB [CK-MB]), and cardiac complications (acute cardiac injury, heart failure, and arrhythmias) were considered independent variables. The Quality Assessment Tool for Observational Cohort and Cross-Sectional Studies of the National Institutes of Health (https://www.nhlbi.nih.gov/health-topics/study-quality-assessment-tools) was used to grade the quality of each study. This tool is composed of 14 items that evaluate the representativeness and selection of the sample, description and measurement of exposure, follow-up of participants, and treatment of confounding factors. The findings were discussed qualitatively. Disagreements were resolved by discussion. Effect sizes were reported as mean difference (MD) or standardized mean difference (SMD) for continuous variables and risk ratio (RR) for dichotomous variables with 95% confidence intervals (CI). To calculate MD and SMD, means and standard deviations (SD) of myocardial injury biomarkers were obtained for each study. If the means and SD were not directly reported in the publication, indirect methods of extracting estimates were used.[5 , 6] When data were not presented in tables or in the text and the authors could not be reached, data were extracted using WebPlotDigitizer graph digitization software (available at http://arohatgi.info/WebPlotDigitizer). Not all studies reported data on all predictor variables, and the pooled analysis was estimated from the data available for each variable. A random effects model was used to pool the results, and 2-tailed p < 0.05 was used to determine significance. Cohen’s classification was used to interpret magnitude of the effect size for myocardial injury biomarkers. SMD > 0.8 was considered a large effect size. Statistical heterogeneity was quantified by the I[2] index, and potential for publication bias was analyzed for hs-cTnI using Egger’s regression test and visual inspection of funnel plots. Because of the small number of studies reporting data for NT-proBNP and CK-MB, analysis of publication bias was not performed. Analyses were conducted using Review Manager 5.3 (Cochrane IMS, Copenhagen, Denmark).

Results

After screening 8,091 titles and abstracts, 31 full-text articles were assessed for eligibility and 25 studies were excluded, seven of which were due to potentially overlapping data. Six retrospective studies[1 , 7 - 11] were included, providing data from 1,141 patients (633 male and 508 female) with confirmed SARS-CoV-2 infection, 832 survivors and 309 non-survivors. Details of included studies are shown in Table 1 .
Table 1

Characteristics of included studies and clinical data of patients with COVID-19, including in-hospital deaths

AuthorsDesignSettingData collectionSample sizeAge*SexIn-hospital deathsSurvivors

MaleFemale
Zhou et al, 20201Retrospective cohortJinyintan Hospital and Wuhan Pulmonary HospitalDec 29, 2019 to Jan 31, 202019156.3 (15.6)1197254137
Cao et al, 20207Retrospective cohortZhongnan Hospital of Wuhan UniversityJan 3, 2020 to Feb 1, 202010252.7 (22.2)53491785
Chen et al, 20208Retrospective cohortTongji Medical College of WuhanJan 13, 2020 to Feb 28, 202027458.7 (19.3)171103113161
Guo et al, 20209Retrospective cohortSeventh Hospital of WuhanJan 23, 2020 to Feb 23, 202018758.5 (14.7)919643144
Wang et al, 202010Retrospective cohortRenmin Hospital of Wuhan UniversityJan 1, 2020 to Feb 6, 202033970.0 (8.2)16617365274
Zhang et al, 202011Retrospective cohortWuhan No.1 HospitalDec 25, 2019 to Feb 15, 20204870.6 (13.4)33151731

*Data reported in mean and standard deviation.

*Data reported in mean and standard deviation. The risk of bias of the studies is showed in e-Table 1 in the supplemental digital content. All studies had clear objectives and eligibility criteria, recruited subjects from the same population, and described the definitions of exposure factors and outcomes. However, studies have not been able to determine whether the sample size was representative for the population. In addition, none of the studies performed analysis for adjustment of confounding factors. Results of meta-analysis showed differences in age between groups. Non-survivors of COVID-19 were older compared to survivors (MD = 14.3 years, 95% CI 9.2 to 19.4). Male sex (RR = 1.3, 95% CI 1.2 to 1.4), the presence of existing hypertension (RR = 1.7, 95% CI 1.2 to 2.4), and cardiovascular disease (RR = 3.3, 95% CI 1.4 to 7.8) were also associated with increased risk of mortality. The meta-analysis of myocardial injury biomarkers showed a large increase in hs-cTnI (SMD = 1.0, 95% CI 0.8 to 1.2), NT-proBNP (SMD = 1.1, 95% CI 0.7 to 1.4), and CK-MB (SMD = 1.0, 95% CI 0.2 to 1.8) in non-survivor patients. Elevated hs-cTnI values above the 99thpercentile URL were associated with 8-fold increase in the risk of in-hospital death (RR = 8.0, 95% CI 2.2 to 28.5). No evidence of substantial publication bias was observed for hs-cTnI. Cardiac complications, including acute cardiac injury (RR = 8.9, 95% CI 4.2 to 19.3), heart failure (RR = 5.1, 95% CI 2.5 to 10.7), and arrhythmias (RR= 4.9, 95% CI 1.2 to 10.9) were found to be risk factors for COVID-19 related death. Comparisons of clinical data, myocardial injury biomarkers, and cardiac complications between non-survivors and survivors of COVID-19 are displayed in Table 2 . Forest plots and funnel plots are shown in the supplemental digital content (e-Figures 1 – 3).
Table 2

Comparison of clinical data, myocardial injury biomarkers, and cardiac complications between non-survivors and survivors of COVID-19

ParameterMD (95% CI) between non-survivors and survivorsSMD (95% CI) between non-survivors and survivorsRR (95% CI)p valueI2
Clinical     
Age, years14.3 (9.2 to 19.4)--< 0.00188%
Male--1.3 (1.2 to 1.4)< 0.0010%
Comorbidities     
Hypertension--1.7 (1.2 to 2.4)0.00174%
Cardiovascular disease--3.3 (1.4 to 7.7)0.00570%
Myocardial injury biomarkers     
hs-cTnI-1.0 (0.8 to 1.2)-< 0.00142%
hs-cTnI (> 99th percentile)--8.0 (2.2 to 28.5)0.00193%
NT-proBNP-1.1 (0.7 to 1.4)-< 0.00150%
CK-MB-1.0 (0.2 to 1.8)-0.01081%
Cardiac complications     
Acute cardiac injury--8.9 (4.2 to 19.1)< 0.00179%
Heart failure--5.1 (2.5 to 10.7)< 0.00175%
Arrhythmias--4.9 (1.2 to 19.0)0.02085%

MD: mean difference; SMD: standardized mean difference; RR: risk ratio; CI: confidence interval. Positive results for SMD indicate increased levels of biomarkers in non-survivor patients.

MD: mean difference; SMD: standardized mean difference; RR: risk ratio; CI: confidence interval. Positive results for SMD indicate increased levels of biomarkers in non-survivor patients.

Discussion

Surveillance of cardiovascular events associated with COVID-19 seems very warranted.[12] This study confirms and better quantifies the association between myocardial injury biomarkers and/or acute cardiac complications with in-hospital death in patients with COVID-19. However, it remains unclear whether acute cardiac involvement is primarily provoked by SARS-CoV-2 or whether it is a multifactorial non-specific cardiac involvement of a severe systemic infection.[13] It has been proposed that SARS-CoV-2 may lead to cardiac injury via multiple mechanisms including direct viral invasion of cardiomyocytes and subsequent myocarditis, since viral particles have been identified in myocardial cells.[14] However, changes in cTnI over time and the absence of typical signs on echocardiography and ECG in patients with COVID-19 have suggested that myocardial injury in patients with COVID-19 is more likely related to systemic consequences of disease.[15] Other plausible mechanisms that have been suggested to explain troponin elevation in this scenario include type 1 and, mainly, type 2 myocardial infarction due to acute respiratory distress syndrome, sepsis, cytokine storm, and even Takotsubo syndrome.[16] Therefore, SARS-CoV-2 infection may either induce new cardiac injuries and/or act as a precipitating factor to worsen underlying cardiovascular diseases and lead to death. In this meta-analysis, we analyzed well-established biomarkers for myocardial injury diagnosis and outcome prediction. Elevation of hs-cTnI, NT-proBNP, and CK-MB were associated with increased risk of death in patients with SARS-CoV-2 infection. Management of patients with myocardial injury biomarkers and acute cardiovascular decompensation is primarily based on supportive care and individualized approach to better guide treatment. Unfortunately, we do not have evidence to guide the proper use of antiplatelet agents, anticoagulants, β-blockers, ACE inhibitors, and statins in this critical scenario, and we must adapt the current knowledge.[17] For instance, it has recently been suggested that renin-angiotensin-aldosterone system inhibitors could be deleterious or beneficial for patients with COVID-19,[18] but we lack definitive evidence for this decision. The findings of this study should be treated with caution. Its main limitations include the following: (1) Studies are limited to a single region and this has reduced our ability to verify possible population variability; (2) there was a moderate to high between-study heterogeneity, and (3) studies did not perform analysis for adjustment of confounding factors and their results were based on standard univariate models.

Conclusions

This meta-analysis confirms that underlying cardiovascular conditions, elevation of myocardial injury biomarkers during COVID-19 infection, and acute cardiovascular decompensation are predictors for mortality in SARS-CoV-2 infection. Further studies are needed to clarify potential mechanisms of cardiovascular injury and test appropriate treatments.
  18 in total

1.  Clinical characteristics of 113 deceased patients with coronavirus disease 2019: retrospective study.

Authors: 
Journal:  BMJ       Date:  2020-03-31

2.  Editorial Concern-Possible Reporting of the Same Patients With COVID-19 in Different Reports.

Authors:  Howard Bauchner; Robert M Golub; Jody Zylke
Journal:  JAMA       Date:  2020-04-07       Impact factor: 56.272

Review 3.  Potential Effects of Coronaviruses on the Cardiovascular System: A Review.

Authors:  Mohammad Madjid; Payam Safavi-Naeini; Scott D Solomon; Orly Vardeny
Journal:  JAMA Cardiol       Date:  2020-07-01       Impact factor: 14.676

4.  Estimating the mean and variance from the median, range, and the size of a sample.

Authors:  Stela Pudar Hozo; Benjamin Djulbegovic; Iztok Hozo
Journal:  BMC Med Res Methodol       Date:  2005-04-20       Impact factor: 4.615

5.  Estimating the sample mean and standard deviation from the sample size, median, range and/or interquartile range.

Authors:  Xiang Wan; Wenqian Wang; Jiming Liu; Tiejun Tong
Journal:  BMC Med Res Methodol       Date:  2014-12-19       Impact factor: 4.615

6.  Preferred reporting items for systematic reviews and meta-analyses: the PRISMA statement.

Authors:  David Moher; Alessandro Liberati; Jennifer Tetzlaff; Douglas G Altman
Journal:  PLoS Med       Date:  2009-07-21       Impact factor: 11.069

7.  Suspected myocardial injury in patients with COVID-19: Evidence from front-line clinical observation in Wuhan, China.

Authors:  Qing Deng; Bo Hu; Yao Zhang; Hao Wang; Xiaoyang Zhou; Wei Hu; Yuting Cheng; Jie Yan; Haiqin Ping; Qing Zhou
Journal:  Int J Cardiol       Date:  2020-04-08       Impact factor: 4.164

8.  Cardiovascular Implications of Fatal Outcomes of Patients With Coronavirus Disease 2019 (COVID-19).

Authors:  Tao Guo; Yongzhen Fan; Ming Chen; Xiaoyan Wu; Lin Zhang; Tao He; Hairong Wang; Jing Wan; Xinghuan Wang; Zhibing Lu
Journal:  JAMA Cardiol       Date:  2020-07-01       Impact factor: 14.676

9.  The Role of the American Heart Association in the Global COVID-19 Pandemic.

Authors:  Mitchell S V Elkind; Robert A Harrington; Ivor J Benjamin
Journal:  Circulation       Date:  2020-03-17       Impact factor: 29.690

10.  Clinical course and risk factors for mortality of adult inpatients with COVID-19 in Wuhan, China: a retrospective cohort study.

Authors:  Fei Zhou; Ting Yu; Ronghui Du; Guohui Fan; Ying Liu; Zhibo Liu; Jie Xiang; Yeming Wang; Bin Song; Xiaoying Gu; Lulu Guan; Yuan Wei; Hui Li; Xudong Wu; Jiuyang Xu; Shengjin Tu; Yi Zhang; Hua Chen; Bin Cao
Journal:  Lancet       Date:  2020-03-11       Impact factor: 79.321

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Review 1.  The Role of Biomarkers in Hospitalized COVID-19 Patients With Systemic Manifestations.

Authors:  Michael Schneider
Journal:  Biomark Insights       Date:  2022-06-26

Review 2.  Cardiac Manifestations in Patients with COVID-19: A Scoping Review.

Authors:  Sasha Peiris; Pedro Ordunez; Donald DiPette; Raj Padwal; Pierre Ambrosi; Joao Toledo; Victoria Stanford; Thiago Lisboa; Sylvain Aldighieri; Ludovic Reveiz
Journal:  Glob Heart       Date:  2022-01-12

Review 3.  Biomarkers Associated with Cardiovascular Disease in COVID-19.

Authors:  Christoph C Kaufmann; Amro Ahmed; Achim Leo Burger; Marie Muthspiel; Bernhard Jäger; Johann Wojta; Kurt Huber
Journal:  Cells       Date:  2022-03-08       Impact factor: 6.600

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