Varicella is a viral and usually benign disease, which commonly affects children. This disease main complication is bacterial superinfection of the skin.[1] Ibuprofen administration, although not contraindicated, seems to increase risk of severe skin complications.[2 - 5]We report a case of a 21-month-old child with no family or personal relevant medical history who developed varicella with high fever since the second day of the disease. Paracetamol 15mg/kg every 8 hours and ibuprofen 7mg/kg every 8 hours were administered to the child after the onset of fever. Six days after the disease onset, because of the worsening of skin lesions, pain on mobilization and touch, the patient was taken to emergency service. Upon admission the patient presented exuberant exanthema all over the tegument, including scalp and mucosae, and lesions in different evolution stages. There were multiple hardened ulcer base lesions on the chest and back, surrounded by erythematous halo – two of them very painful on touch ( Figures 1 and 2 ). The patient was hospitalized and the ecography of soft parts did not show depth penetration. After 14-days therapy with flucloxacillin 150mg/kg/day, and 10-days therapy with clindamycin 25mg/kg/day the patient’s clinical picture improved progressively with reduction of pain and amelioration of inflammatory skin lesions.
Figure 1
Varicella zoster lesions on chest
Figure 2
Varicella zoster lesions on the back
Although benign, varicella-associated complications are frequent. Studies have reported potential increase in risks and severe skin associated complications with the use of non-steroidal anti-inflammatory (NSAI),[2 , 3] however, without proved relationship with necrotizing fasciitis.[1 , 6] Exposure to ibuprofen compromises the leukocytosis function, promotes an increase of inflammatory cytokine production,[1 , 2 , 5] and creates a convenient environment for bacterial growth. Some authors believe that ibuprofen administration may hidden symptoms and may lead to a delay in diagnosis.[4]The health professional is responsible for providing counseling for parents about the use of NSAI, which sometimes are administered without formal medical advice. Further studies are warranted to conclude the safety of these drugs during varicella infection. Currently, the use of NSAI during varicella infection must be avoided.[7]A varicela é uma doença viral, comum em idade pediátrica e habitualmente benigna, tendo como principal complicação a sobreinfecção bacteriana da pele.[1] A administração de ibuprofeno, apesar de não ser interdita, parece aumentar o risco de complicações cutâneas graves.[2 - 5]Apresenta-se o caso de uma criança com 21 meses de idade, sem antecedentes pessoais ou familiares relevantes, que iniciou quadro de varicela associado a febre alta desde o segundo dia de doença, tendo sido medicada com paracetamol 15mg/kg a cada 8 horas e ibuprofeno 7mg/kg também a cada 8 horas. No sexto dia da doença, por agravamento das lesões cutâneas, e com dor à mobilização e ao toque, recorreu ao serviço de urgência. À observação, destacava-se exantema exuberante por todo o tegumento, incluindo couro cabeludo e mucosas, com lesões em vários estádios de evolução. No tronco e dorso, existiam múltiplas lesões endurecidas, de base ulcerada, circundadas por halo eritematoso − duas delas significativamente dolorosas ao toque ( Figuras 1 e 2 ). Ficou internado, tendo realizado ecografia de partes moles, que não demonstrou atingimento profundo. Cumpriu 14 dias de flucloxacilina, na dose de 150mg/kg/dia, e 10 dias de clindamicina, na dose de 25mg/kg/dia, com melhoria progressiva das queixas álgicas e sinais inflamatórios cutâneos.
Figura 1
Lesões de varicela no tronco
Figura 2
Lesões de varicela no dorso
Apesar de sua benignidade, as complicações da varicela são frequentes. Estudos têm demonstrado potencial aumento do risco de complicações cutâneas graves em associação ao uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs),[2 , 3] sem, no entanto, relação comprovada com fasceíte necrotizante.[1 , 6] Pensa-se que a exposição ao ibuprofeno compromete a função leucocitária e promove aumento de produção de citocinas inflamatórias,[1 , 2 , 5] criando ambiente propício para crescimento bacteriano. Alguns autores defendem ainda que sua administração, ao mascarar os sintomas, possa levar a um atraso diagnóstico.[4] Cabe aos profissionais de saúde providenciar aconselhamento aos pais sobre a utilização de AINEs, muitas vezes administrados sem indicação médica formal. Estes fármacos devem ser evitados durante o período de varicela, até o surgimento de estudos que comprovem sua segurança.[7]