Literature DB >> 31093162

[Use of telehealth as a tool to support continuing health educationUtilización del Programa de Telesalud en el estado de Maranhão como herramienta para apoyar la educación permanente sobre la salud].

Ariane Cristina Ferreira Bernardes1, Liberata Campos Coimbra1, Humberto Oliveira Serra2.   

Abstract

OBJECTIVE: To assess the usage of services provided by the State of Maranhão Telehealth Program, Brazil, as a tool to support continuing health education for primary care workers.
METHOD: This quantitative, descriptive study used data from the Brazilian National Telehealth Platform for the years 2015 and 2016. To assess teleconsultations requested by municipalities and health care units in the state of Maranhão, the monthly system usage rate and the mean monthly request rate per municipality and primary health care unit were calculated. Teleconsultations were described regarding the requester's profession, most frequent topics, satisfaction with the response provided, and resolvability of responses. Tele-education activities were classified according to the number of computers and users logged into the activity.
RESULTS: From January 2015 to December 2016, 13 976 teleconsultations were provided, requested by 47 municipalities. Most municipalities were small (up to 40 thousand residents) and had low municipal human development index (0.512 to 0.768). The mean overall usage rate and the monthly usage rate by municipality and unit were higher than those reported in the literature. Nurses and community health agents were the most active requesters. Of the users who completed the optional evaluation, over 80% stated that their question was answered.
CONCLUSIONS: The usage indicators for the state of Maranhão Telehealth Program were more positive than those reported by other telehealth services in Brazil and abroad. This indicates that the Program is sustainable, with good potential to support primary care and be used as a tool for continuing health education.

Entities:  

Keywords:  Brazil; Telemedicine; education, continuing; primary health care

Year:  2018        PMID: 31093162      PMCID: PMC6386056          DOI: 10.26633/RPSP.2018.134

Source DB:  PubMed          Journal:  Rev Panam Salud Publica        ISSN: 1020-4989


A telessaúde contempla o uso de tecnologias de informação para comunicação a distância entre profissionais de saúde. Contribui ainda para ampliar o acesso a serviços de saúde qualificados, superando barreiras temporais, sociais, culturais e geográficas e a falta de profissionais e recursos (1, 2). Apesar disso, tanto no Brasil quanto em outros países, estudos mostram que a utilização dos serviços de telessaúde ainda é baixa (3, 4). O Programa Nacional Telessaúde Brasil Redes foi criado em 2007 pelo Ministério da Saúde brasileiro para desenvolver ações de apoio à atenção à saúde e de Educação Permanente em Saúde (EPS) para equipes de atenção básica. As ações do Programa são realizadas por Núcleos de Telessaúde que planejam, executam, monitoram e avaliam o desempenho de atividades técnicas, científicas e administrativas, em especial a produção e a oferta de teleconsultoria, telediagnóstico e teleducação (5). As atividades de EPS desenvolvidas pelo Programa visam à educação para o trabalho na perspectiva da melhoria da qualidade do atendimento, da ampliação do escopo de ações ofertadas pelas equipes de atenção básica, da mudança das práticas de atenção, da organização dos processos de trabalho e do fortalecimento da atenção básica, que deve ser a ordenadora dos serviços no Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil (6–8). Na oferta da teleducação, merecem destaque as webpalestras, que abordam temas baseados nas demandas dos profissionais de saúde e nas estratégias do Ministério da Saúde. São ministradas por especialistas da área temática, transmitidas por web conferência utilizando o software Mconf, e são de livre acesso, podendo ter participação de acadêmicos da área da saúde e de profissionais que não são vinculados ao Núcleo de Telessaúde. Cada webpalestra é gravada, editada e transformada em um objeto de aprendizagem, que se caracteriza por ser um documento audiovisual disponibilizado para livre acesso nas plataformas Acervo de Recursos Educacionais em Saúde (ARES, https://ares.unasus.gov.br/acervo/) e YouTube. Como mostra uma pesquisa realizada no Brasil (9), até 2015 a oferta de serviços de telessaúde era realizada por 42 Núcleos em 1 917 municípios de 14 estados das cinco regiões do país. Entre esses estados encontra-se o Maranhão, localizado na região Nordeste, com área de 331 983 km² e com 7 000 229 habitantes distribuídos em 217 municípios (10). Em 2014, todos os municípios maranhenses ofertavam serviços de atenção básica; 67,7% da população recebiam acompanhamento familiar pelas equipes das Estratégias de Atenção Básica, incluindo 2 014 equipes cadastradas da Estratégia Saúde da Família (ESF) e 1 258 equipes de saúde bucal. Nesse mesmo ano, havia 15 766 agentes comunitários de saúde (ACS) em atividade. Entretanto, persistem no estado problemas de saneamento básico e indicadores epidemiológicos de baixa qualidade, a exemplo do coeficiente de mortalidade infantil e da razão de mortalidade materna, que em 2014 eram de 24,8/1 000 nascidos vivos e de 79,4/100 000 nascidos vivos, respectivamente (10). A formação acadêmica dos profissionais de saúde, pautada no modelo biomédico e na fragmentação do saber, foge à lógica das necessidades dos serviços de saúde, principalmente quando inseridos nas equipes de Estratégia de Atenção Básica. A EPS, enquanto política do SUS voltada para a gestão e a formação dos trabalhadores de saúde, pode proporcionar mudanças positivas nos indicadores de saúde dos municípios, na medida que promove ações e serviços voltados às necessidades de saúde da população (11, 12). No Maranhão, o Núcleo Estadual de Telessaúde do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão (HUUFMA), que está em funcionamento desde o final de 2014, oferece teleconsultoria e teleducação para 47 municípios no estado. Assim, o objetivo do presente estudo foi avaliar os indicadores de utilização dos serviços ofertados pelo Núcleo Estadual de Telessaúde do Maranhão, a partir das diretrizes para a oferta de teleconsultorias e teleducação como ferramenta para apoiar a EPS para os profissionais de saúde da atenção básica.

MATERIAIS E MÉTODOS

Trata-se de uma pesquisa descritiva com abordagem quantitativa que utilizou dados secundários da Plataforma Nacional de Telessaúde do Brasil e informação sobre os monitoramentos realizados por meio do Sistema de Gerenciamento de Atividades de Tele-Educação e Sistema de Monitoramento das Teleconsultorias do Núcleo Telessaúde no Maranhão (http://telessaude.huufma.br/portal/). Os dados se referem aos anos de 2015 e 2016. A Plataforma Nacional de Telessaúde do Brasil foi produzida por parceria entre o Ministério da Saúde e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), sendo utilizável por qualquer Núcleo de Telessaúde do país. Possui uma entrada de dados simplificada, que facilita o acesso aos serviços, aliada a uma saída de dados complexa, composta por tabelas planas de estrutura e processo, que acumulam variáveis de solicitação, telerregulação, resposta e avaliação das teleconsultorias (9). A teleconsultoria pode ser definida como um contato feito por um profissional de saúde com um teleconsultor para discutir dúvidas sobre manejo, condutas e procedimentos clínicos, ações de saúde e questões relativas ao processo de trabalho na atenção básica. A teleconsultoria é sempre iniciada pelo profissional de saúde, motivado por suas necessidades cotidianas. Para a teleconsultoria, qualquer profissional de saúde da atenção básica, vinculado e cadastrado em um Núcleo de Telessaúde, envia uma mensagem off-line pela Plataforma Nacional de Telessaúde. A mensagem é recebida e mediada por um telerregulador, que define qual é o melhor teleconsultor para responder ao caso (5). Um exemplo de solicitação é o seguinte: o profissional de saúde atende uma gestante que convive com um companheiro que foi diagnosticado com tuberculose. O profissional de saúde quer saber se essa gestante pode realizar o exame de prova tuberculínica (PPD) para investigação da infecção latente pelo M. tuberculosis e realiza o pedido de teleconsultoria sobre manejo da situação. O telerregulador é um profissional de nível superior e com experiência na atenção básica que analisa e classifica as solicitações feitas pelos profissionais de saúde. O telerregulador faz ainda a auditoria interna das respostas para garantir a qualidade das informações transmitidas. Já o teleconsultor é um profissional da área da saúde, também de nível superior, que responde as dúvidas dos solicitantes com base em evidências científicas adequadas às características loco-regionais e com caráter educacional (7). Para avaliar a utilização das teleconsultorias, foram calculadas as taxas de utilização mensal do sistema. Define-se a taxa de utilização mensal como a razão entre o número de municípios ativos no período (ativos = que realizaram ao menos uma solicitação no mês) e o número total de municípios com o sistema implementado. O mesmo indicador foi calculado levando em consideração a razão entre o número de unidades básicas de saúde (UBS) ativas no período e o número total de UBS cadastradas no Núcleo de Telessaúde Maranhão. Foram calculadas, também, a média mensal de solicitações por município com sistema implementado e ativo, considerando como numerador o total mensal de solicitações respondidas e como denominador o total de municípios com o sistema implementado e ativos, separadamente. O mesmo indicador foi calculado levando em consideração as UBS cadastradas e as ativas. As teleconsultorias realizadas no período foram classificadas quanto ao profissional solicitante, município de origem, com respectiva população e índice de desenvolvimento humano municipal (IDHM), classificação dos assuntos mais solicitados, satisfação dos profissionais e resolutividade das respostas das teleconsultorias. As informações sobre população foram obtidas no Censo de 2010 (13), e sobre o IDHM, no Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil (14). A resolutividade da resposta das teleconsultorias e a satisfação geral do profissional com o sistema foram verificadas por meio de um questionário eletrônico padronizado, que é utilizado opcionalmente pelos usuários que solicitam teleconsultorias. Os assuntos mais questionados nas teleconsultorias foram categorizados pela Classificação Internacional de Atenção Primária, versão 2 (CIAP 2), que é considerada a mais adequada para ser utilizada na atenção básica. Apresenta um sistema de codificação simples, em dois níveis: o primeiro define o sistema orgânico, representado por 17 capítulos, e o segundo define sete componentes, representados por números que discriminam queixas e sintomas, diagnósticos de triagem e preventivos, medicações, tratamentos e procedimentos terapêuticos, resultados de exames, componente administrativo, acompanhamento e outros motivos de consulta e diagnósticos e doenças (15). As atividades de teleducação foram classificadas pelo número de pontos (número de computadores ligados à atividade de teleducação no momento em que a mesma ocorreu) e participantes conectados. A análise estatística foi realizada usando o Stata, versão 11.0. Variáveis categóricas foram expressas em números absolutos e porcentagem. Para análise dos dados, foi comparada a distribuição das frequências das variáveis selecionadas nos anos do estudo. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão (CAAE nº 72765317.0.0000.5086, parecer nº 2.315.668).

RESULTADOS

Em 2015, o Núcleo de Telessaúde no Maranhão ofertava serviços para 45 municípios maranhenses; em 2016, houve expansão para 47 municípios. A maioria são municípios de pequeno porte (32 municípios), com até 40 mil habitantes, e baixo IDHM, com variação de 0,512 a 0,768 (dados não apresentados em tabela). No ano de 2015 foram realizadas 6 075 teleconsultorias oriundas de 261 UBS e 313 equipes de saúde cadastradas; e no ano de 2016, foram realizadas 7 901 teleconsultorias oriundas de 270 UBS e 356 equipes cadastradas, totalizando 13 976 teleconsultorias. A média da taxa de utilização das teleconsultorias, em todo o período analisado, foi de 35,6% para os municípios e de 19,8% para as UBS. Em relação à utilização das teleconsultorias por município, a média de utilização geral por município com sistema implementado e por município ativo foi de 13 e 38 teleconsultorias/município/mês, respectivamente. Já em relação à média de utilização geral por UBS cadastradas e ativas, a média foi de 2 e 10 teleconsultorias/unidade de saúde/mês, respectivamente (tabela 1).
TABELA 1

Evolução da utilização de teleconsultorias do Núcleo Estadual de Telessaúde Maranhão, segundo situação dos municípios e das unidades de saúde no estado, Brasil, 2015 e 2016

PeríodoNo. solicitaçõesInformação relativas aos municípiosInformações relativas às unidades de saúdea
Municípios cadastradosMunicípios ativosTaxa de utilização mensalMédia de utilização geralMédia de utilização por municípios ativoUBS cadastradasUBS ativasTaxa de utilização mensalMédia de utilização geralMédia de utilização por UBS ativa
Jan/15810330,00,82,714342,80,12,0
Fev/151312433,31,13,316663,60,12,2
Mar/1561171058,83,66,1187147,50,34,4
Abr/1513817952,98,115,31881910,10,77,3
Mai/15335441022,77,633,52573112,11,310,8
Jun/15485441125,011,044,12574316,71,911,3
Jul/15733441431,816,752,42575822,62,912,6
Ago/15854442965,919,429,425712448,23,36,9
Set/151 198452146,726,657,02618733,34,613,8
Out/15953451942,221,250,22617227,63,713,2
Nov/15668451840,014,837,12617127,22,69,4
Dez/15629451840,014,034,92616524,92,49,7
Jan/16704461634,815,344,02685721,32,612,4
Fev/16621471327,713,247,82705319,62,311,7
Mar/16640471429,813,645,72705118,92,412,5
Abr/16849471225,518,170,82706825,23,112,5
Mai/16704471736,215,041,42706825,22,610,4
Jun/161 198471838,325,566,62706724,84,417,9
Jul/16728471531,915,548,52705821,52,712,6
Ago/16716471531,915,247,72705520,42,713,0
Set/16250471327,75,319,22703914,40,96,4
Out/16576471531,912,338,42705018,52,111,5
Nov/16655471327,713,950,42704817,82,413,6
Dez/16260471123,45,523,62703211,91,08,1

Ser cadastrado denota cadastro no Programa de Telessaúde; ser ativo denota utilização do serviço de teleconsultoria no mês; taxa de utilização: municípios ativos/municípios cadastrados e UBS ativas/UBS cadastradas; média de utilização geral: total mensal de solicitações respondidas/total de municípios cadastrados e total mensal de solicitações respondidas/total de UBS cadastradas; média de utilização dos ativos: total mensal de solicitações respondidas/total de municípios ativos e total mensal de solicitações respondidas/total de UBS ativas.

Ser cadastrado denota cadastro no Programa de Telessaúde; ser ativo denota utilização do serviço de teleconsultoria no mês; taxa de utilização: municípios ativos/municípios cadastrados e UBS ativas/UBS cadastradas; média de utilização geral: total mensal de solicitações respondidas/total de municípios cadastrados e total mensal de solicitações respondidas/total de UBS cadastradas; média de utilização dos ativos: total mensal de solicitações respondidas/total de municípios ativos e total mensal de solicitações respondidas/total de UBS ativas. Em 2015, havia 2 479 profissionais de saúde cadastrados na Plataforma, sendo 42% ACS, 14,3% médicos, 14% enfermeiros, 9,7% técnicos de enfermagem e 4% cirurgiões dentistas. Os demais profissionais, que correspondiam a 16%, eram auxiliares de saúde bucal, assistentes sociais e assistentes administrativos. Já em 2016, existiam 2 974 profissionais cadastrados, permanecendo, praticamente, a mesma predominância das categorias profissionais cadastradas na Plataforma, havendo apenas um aumento no número de médicos cadastrados (tabela 2).
TABELA 2

Solicitação de teleconsultorias por profissional de saúde cadastrado na Plataforma do Núcleo Estadual de Telessaúde do Estado do Maranhão, Brasil, 2015 e 2016

Profissão20152016
Profissionais cadastrados (%)Solicitações (%)Solicitação/profissãoProfissionais cadastrados (%)Solicitações (%)Solicitação/profissão
Agente comunitário de saúde1 042 (42,0)3 240 (53,3)3,11 224 (41,1)3 891 (49,2)3,1
Enfermeiro345 (14,0)1 544 (25,4)4,4414 (14,0)2 041 (25,9)4,9
Técnico de enfermagem239 (9,7)388 (6,4)1,6288 (9,7)955 (12,1)3,3
Médico clínico356 (14,3)231 (3,9)0,6521 (17,5)76 (1,0)0,1
Cirurgião dentista97 (4,0)115 (2,0)1,1105 (3,5)313 (4,0)2,9
Assistente administrativo51 (2,1)62 (1,0)1,252 (1,7)106 (1,3)2,0
Auxiliar em saúde bucal50 (2,0)59 (0,9)1,147 (1,6)86 (1,1)1,8
Assistente social44 (1,7)32 (0,5)0,764 (2,1)25 (0,3)0,3
Outras profissões255 (10,2)404 (6,6)1,5259 (8,8)408 (5,1)1,5
Total2 4796 0752 9747 901
Metade das solicitações de teleconsultorias, nos 2 anos do estudo, foram realizadas pelos ACS. No entanto, os enfermeiros foram os profissionais que mais utilizaram o serviço, com uma média de 4,4 solicitações no ano de 2015 e de 4,9 em 2016 (tabela 2). Os temas das teleconsultorias distribuem-se em todos os capítulos e componentes da CIAP 2. Em relação aos componentes da CIAP 2, a maioria das solicitações referiu-se ao componente de diagnósticos e doenças e ao componente de procedimentos diagnósticos e preventivos (tabela 3). Os capítulos com maiores solicitações foram A e D. Dentro do capítulo A – Geral e inespecífico houve 1 370 (23,2%) solicitações em 2015 e 2 367 (31,2%) solicitações em 2016 classificadas sob o título Educação em saúde/aconselhamento/dieta. Houve um aumento de 4,8% em 2015 para 11,2% no ano de 2016 nas solicitações classificadas como Dengue e ouras doenças virais. Dentro do capítulo D – Digestivo, houve 102 (1,7%) solicitações em 2015 e 117 (1,5%) solicitações em 2016 classificadas sob o título Sinais/sintomas dos dentes/gengivas (dados não apresentados em tabela).
TABELA 3

Assuntos mais tratados nas teleconsultorias segundo capítulos e componentes da Classificação Internacional de Atenção Primária, versão 2 (CIAP 2), Maranhão, Brasil, 2015 e 2016

Classificação CIAP 220152016Total
No.%No.%
Por capítulo
A - Geral e Inespecífico2 93549,94 50159,37 436
B - Sangue, Sistema Hematopoiético, Linfático e Baço1833,11421,9325
D - Digestivo5178,85897,81 106
F - Olho701,2811,1151
H - Ouvido220,4390,561
K - Circulatório2414,12002,6441
L - Musculoesquelético961,6941,2190
N - Neurológico1813,11662,2347
P - Psicológico1222,11001,4222
R - Respiratório1071,82202,9327
S - Pele2233,83124,1535
T - Endócrino/Metabólico e Nutricional2033,51401,8343
U - Urinário701,2791,0149
W - Gravidez, Parto e Planejamento Familiar3966,74025,3798
X - Genital Feminino4287,34415,8869
Y - Genital Masculino841,4781,0162
Z - Problemas Sociais80,120,010
Por componente
Queixas e sintomas1 32222,51 36718,02 689
Procedimentos diagnósticos e preventivos1 77630,32 78536,74 561
Medicação, tratamento e procedimentos terapêuticos2604,53024,0562
Resultados20,010,03
Administrativo841,51321,7216
Encaminhamentos e outros motivos da consulta30,100,03
Diagnósticos e doenças2 41941,22 99939,55 418
Total5 886100,07 586100,013 472a

Total de solicitações nos 2 anos: 13 976; dessas, 13 472 solicitações foram classificadas pela CIAP 2.

Total de solicitações nos 2 anos: 13 976; dessas, 13 472 solicitações foram classificadas pela CIAP 2. Como a avaliação dos serviços é opcional, cerca de 75% das solicitações foram avaliadas. Nessas, mais de 80% dos solicitantes referiram ter suas dúvidas totalmente atendidas. Quanto ao nível de satisfação dos profissionais com as respostas das teleconsultorias, em 2015 cerca de 58,8% se mostraram muito satisfeitos, seguidos de 37,9% satisfeitos. Em 2016, 44,6% se mostraram muito satisfeitos e 52,8% satisfeitos. O nível de insatisfação com as respostas das teleconsultorias compreendendo as categorias muito insatisfeito e insatisfeito foi de 2,3% em 2015 e 1,5% em 2016 (tabela 4).
TABELA 4

Resolutividade e grau de satisfação com as respostas das teleconsultorias, Maranhão, Brasil, 2015 e 2016

Resolutividade/satisfação20152016Total
Resposta à dúvidaNo.%No.%
Atendeu totalmente4 05788,84 92082,98 977
Atendeu parcialmente46410,196316,21 427
Não atendeu491,1520,9101
Total4 570100,05 935100,010 505a
Nível de satisfação
Muito satisfeito2 69858,82 64644,65 344
Satisfeito1 73637,93 13452,84 870
Muito insatisfeito541,2440,798
Insatisfeito501,1450,895
Indiferente471,0681,1115
Total4 585100,05 937100,010 522a

As demais solicitações não avaliadas pelos profissionais de saúde.

As demais solicitações não avaliadas pelos profissionais de saúde. Foram desenvolvidas atividades de teleducação por meio de 151 webpalestras (96 em 2015 e 55 em 2016), com a execução de três projetos voltados para os diversos temas das áreas de Atenção Básica, Saúde Mental e e-SUS. Essas atividades tiveram 5 745 participantes em 1 921 pontos conectados no ano de 2015 e 4 596 participantes em 1 578 pontos conectados, em 2016 (tabela 5).
TABELA 5

Pontos e participantes conectados em 151 webpalestras sobre os temas das áreas de atenção básica, e-SUS e saúde mental desenvolvidas pelo Núcleo Estadual de Telessaúde do Estado do Maranhão, Brasil, 2015 e 2016

Participação em webpalestras20152016Total
No.%No.%
No. de pontos conectados32216,816910,7491
Temas da saúde mental32216,816910,7491
Temas da atenção básica65233,960338,21 255
Temas do e-SUS94749,380651,11 753
Total1 921100,01 578100,03 499
No. participantes
Temas da saúde mental94716,54369,51 383
Temas da atenção básica2 57444,82 32750,64 901
Temas do e-SUS2 22438,71 83339,94 057
Total5 745100,04 596100,0010 341
Em 2015, foram registradas 96 atividades de teleducação, com 4 248 participantes do Maranhão e participantes de mais 21 estados brasileiros. Nesse período, o sistema de monitoramento ainda não fornecia informações sobre a categoria profissional dos participantes. Já em 2016 foram registradas 55 atividades de teleducação, com participantes de 24 estados brasileiros, sendo 3 364 do Maranhão. A maioria dos participantes nas webpalestras direcionadas para atenção básica eram enfermeiros e estudantes da área da saúde. Na área de saúde mental, os participantes eram psicólogos, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais. No e-SUS, os participantes eram, em sua maioria, digitadores e enfermeiros (dados não apresentados em tabela). Os temas da atenção básica com maior participação no ano de 2015 foram direito da mulher em saúde, transmissão vertical de HIV, tuberculose, lesões elementares da pele e Chikungunya. Em 2016, os temas com maior participação foram estimulação precoce para crianças com microcefalia, vírus da Zika e microcefalia, testagem rápida no diagnóstico das hepatites virais, assistência pré-natal e campanha nacional de vacinação. Já na área de saúde mental, em 2015 os temas com maior participação foram redução de danos, matriciamento de saúde mental e drogas na atenção básica. Em 2016, os temas com maior participação foram atuação do psicólogo na saúde mental, drogas e suicídio e desafios da saúde mental no Brasil (dados não apresentados em tabela).

DISCUSSÃO

A análise dos indicadores de utilização dos serviços de teleconsultoria e da teleducação no Maranhão obtidos no presente estudo forneceram informações importantes sobre o apoio à atenção básica no estado do Maranhão, especialmente no que tange a educação permanente dos profissionais de saúde. Os resultados relativos aos serviços de teleconsultoria no período mostram uma média de utilização geral (número de teleconsultorias/município/mês e número de teleconsultoria/UBS/mês) acima da encontrada em estudos que avaliaram outros Núcleos de Telessaúde brasileiros (3, 9) e também em experiências internacionais (4). A taxa de utilização mensal por município e unidade de saúde também mostrou-se superior ao encontrado na literatura (3, 9). Apesar disso, apenas 36% dos municípios com o sistema implementado e 20% das unidades de saúde cadastradas utilizaram as teleconsultorias. Destaca-se que um dos critérios, definidos pelo Comitê Gestor Estadual do Telessaúde no Maranhão, para seleção dos municípios e UBS que seriam contemplados no Projeto do Telessaúde era possuir adesão ao Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica e/ou Programa Mais Médicos. O Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (PROVAB) foi instituído no Brasil em 2011, com o objetivo de valorizar e estimular profissionais de nível superior a comporem as equipes multiprofissionais da atenção básica em municípios com maior percentual de pobreza, em áreas remotas e de difícil acesso. Por sua vez, o Programa Mais Médicos tem como objetivo diminuir a carência de médicos nas regiões prioritárias para o SUS, a fim de reduzir as desigualdades regionais na área da saúde e também promover uma reorientação na formação médica no Brasil. No entanto, o que observamos no Maranhão foi uma utilização menor dos serviços do Telessaúde pelos profissionais médicos em comparação a outros estados brasileiros (9). Vale ressaltar que o Maranhão possui a menor razão de médicos por habitante no país (0,87 médico por 1 000 habitantes); além disso, o número de médicos por 1 000 habitantes é pelo menos 11 vezes maior na capital que no interior do estado (16). Estudos anteriores (17, 18) sobre a utilização das teleconsultorias por médicos revelam que fatores relacionados à infraestrutura de informática das UBS, à falta de informação sobre o serviço de teleconsultoria e à falta de treinamento para uso de teleconsultoria se mostraram como variáveis independentemente associadas à não utilização do serviço pelos médicos. Indicam também que a pouca familiaridade do profissional com a informática é um dos entraves que influencia a decisão dos médicos de utilizar esse serviço. Além disso, a resistência cultural e a relutância em mudar a prática diária afetam a adoção de novas tecnologias (19, 20). Na análise da média de utilização por município ativo, foram encontrados dois picos, em abril e junho de 2016, devido à utilização maior do serviço por um determinado município, sendo o número total de municípios ativos nesse período ainda pequeno. Na análise da média de utilização por unidade de saúde ativa foi encontrado um pico em junho de 2016, devido à utilização maior do serviço por determinada UBS. Tais aumentos na demanda devem-se à aplicação de novas rotinas na implementação e monitoramento do serviço, através da realização de capacitações e fortalecimentos, com ênfase não só na maior utilização do sistema, mas também na sensibilização e motivação de municípios e UBS inativos. Apesar de vários estudos (3, 21–23) relatarem a baixa utilização das teleconsultorias como um problema e uma realidade nacional e internacional, os indicadores encontrados neste estudo nos permitem fazer uma avaliação positiva dos serviços para o estado Maranhão. Tal achado pode ser justificado pelos treinamentos realizados desde a implantação do sistema nos municípios, bem como pelas ações de fortalecimento e sensibilização rotineiras realizadas nos municípios e UBS, em especial naquelas que passavam muito tempo sem utilizar a ferramenta. Além disso, a facilidade de uso pode, também, ter influenciado a utilização das teleconsultorias, como citado no estudo de Gagnon et al. (24). O treinamento inexistente ou inadequado é um fator negativamente associado à implementação das tecnologias de informação e comunicação. Assim, o treinamento para uso do serviço de teleconsultoria deve envolver a apresentação do serviço, o exercício prático na utilização do mesmo, explicações sobre benefícios e dificuldades e sobre aspectos legais da realização da teleconsultoria e evidências sobre a necessidade de mudança no processo de trabalho para incorporar esse serviço na rotina de trabalho (24). Pesquisas (22, 25) relataram que a teleconsultoria contribui para o desenvolvimento de habilidades e competências, propicia mais segurança, reduz a sensação de isolamento profissional imposto pelas distâncias geográficas e propicia aos pacientes de municípios pequenos e remotos o acesso a atenção básica mais qualificada e resolutiva, especialmente na América Latina e Caribe. Os enfermeiros, seguidos dos ACS, foram os profissionais mais ativos nas solicitações de teleconsultorias. Pesquisas de diversos Núcleos de Telessaúde no Brasil mostram ampla participação dos enfermeiros nas teleconsultorias, com aumento gradativo ao longo dos anos, como em Pernambuco (26), Minas Gerais (3) e Rio Grande do Sul (23). Na pesquisa de Schmitz e Harzheim (9), que analisaram todas as teleconsultorias realizadas pelos Núcleos de Telessaúde brasileiros em funcionamento, os enfermeiros destacaram-se tanto no número absoluto de solicitações quanto no percentual de usuários ativos. É importante ressaltar que a educação em saúde representa uma parte do processo de trabalho do enfermeiro da atenção básica. Esses profissionais, ao desenvolverem tais ações, buscam melhorar as condições de vida e saúde da população, a fim de prevenir doenças, melhorar as condições de vida e saúde e, consequentemente, promover a saúde da população (27). Os assuntos mais questionados nas teleconsultorias no Maranhão foram categorizados no Capítulo A - Geral e inespecífico da CIAP 2, sobretudo no título de Educação em saúde/aconselhamento/dieta. Tendo em vista que a CIAP 2 é centrada no paciente, e não na doença ou diagnóstico etiológico, essa tendência de poucos diagnósticos, ou mesmo classificações sem um sistema-alvo definido, representa um importante contingente da demanda na atenção básica, já registrada em outro estudo. Além disso, ressalta a importância do atendimento generalista na atenção básica como filtro para a rede de saúde (28). Indicadores de satisfação são imprescindíveis para a avaliação da qualidade do serviço. É importante apontar, neste estudo, para o considerável percentual de avaliações realizadas, apesar de seu caráter opcional. Também foi marcante o percentual elevado de satisfação e resolução das teleconsultorias, como também se verifica em outros estudos nacionais (22, 23, 29). A partir desses dados, entende-se que esse serviço contribui para a educação permanente, a autonomia e a resolutividade no processo de trabalho dos profissionais que utilizaram o serviço. Quanto à teleducação, apesar da diminuição na oferta do serviço no ano de 2016, gerando redução do número absoluto de pontos conectados e participantes nas webpalestras naquele ano, é importante destacar que houve ampliação na área de abrangência dos pontos conectados nos estados e cidades brasileiras. No Brasil, país de grandes dimensões territoriais e contrastes sociais, econômicos e culturais, a oferta da teleducação é um importante instrumento de difusão de conhecimentos, proporcionando o protagonismo, a participação ativa e a interação entre acadêmicos e profissionais da saúde de diferentes instituições, contribuindo para a melhoria da qualidade do atendimento e do ensino em saúde (30, 31). A incorporação da telessaúde contribui para potencializar os programas de educação permanente, possibilitando o desenvolvimento de profissionais de saúde com postura crítica e reflexiva e comprometidos com a qualidade no desenvolvimento das práticas de saúde (32, 33). De acordo com Godoy et al. (34), a utilização das ferramentas e instrumentos da informática é uma estratégia positiva para capacitar os profissionais em suas práticas assistenciais, pois possibilita a troca de informações entre profissionais e instituições de ensino e pesquisa, auxilia os trabalhadores no exercício de sua profissão e facilita o atendimento, contribuindo para maior resolutividade em nível local. Torna-se fundamental incentivar a participação crescente, não só da equipe de enfermagem, mas de todos os profissionais que compõem a equipe assistencial. Uma limitação deste estudo foi a dificuldade de comparar efetivamente a utilização dos diferentes serviços de telessaúde, pois não se encontram facilmente na literatura indicadores e números precisos de produção. O pouco detalhamento de informações encontradas nas publicações e a aplicação de diferentes metodologias para construção de indicadores dificultaram a análise. Apesar disso, os resultados produzidos trouxeram informações importantes para o Núcleo de Telessaúde no Maranhão. Em conclusão, os dados aqui apresentados apontam para a necessidade de mais pesquisas sobre telessaúde no que diz respeito aos fatores associados à utilização da telessaúde no Maranhão e no Brasil. Tais estudos possibilitariam maior compreensão das dificuldades no uso dos serviços de telessaúde com vistas à formulação de estratégias para superá-las.
  13 in total

Review 1.  Systematic review of factors influencing the adoption of information and communication technologies by healthcare professionals.

Authors:  Marie-Pierre Gagnon; Marie Desmartis; Michel Labrecque; Josip Car; Claudia Pagliari; Pierre Pluye; Pierre Frémont; Johanne Gagnon; Nadine Tremblay; France Légaré
Journal:  J Med Syst       Date:  2010-03-30       Impact factor: 4.460

2.  Provider utilization of telemedicine: the elephant in the room.

Authors:  Pamela Whitten; Bree Holtz
Journal:  Telemed J E Health       Date:  2008-11       Impact factor: 3.536

3.  Cost-benefit of the telecardiology service in the state of Minas Gerais: Minas Telecardio Project.

Authors:  Mônica Viegas Andrade; Ana Carolina Maia; Clareci Silva Cardoso; Maria Beatriz Alkmim; Antônio Luiz Pinho Ribeiro
Journal:  Arq Bras Cardiol       Date:  2011-07-29       Impact factor: 2.000

4.  Factors associated with the use of a teleconsultation system in Brazilian primary care.

Authors:  Maria B M Alkmim; Milena S Marcolino; Renato M Figueira; Lidiane Sousa; Mariana S Nunes; Clareci S Cardoso; Antonio L Ribeiro
Journal:  Telemed J E Health       Date:  2015-03-18       Impact factor: 3.536

Review 5.  Telemedicine across borders: a systematic review of factors that hinder or support implementation.

Authors:  Vanessa Saliba; Helena Legido-Quigley; Riina Hallik; Ain Aaviksoo; Josip Car; Martin McKee
Journal:  Int J Med Inform       Date:  2012-09-11       Impact factor: 4.046

6.  The practice of telehealth by nurses: an experience in primary healthcare in Brazil.

Authors:  Luiz M P Sanches; Danielle S Alves; Maria Helena B M Lopes; Magdala A Novaes
Journal:  Telemed J E Health       Date:  2012-10-09       Impact factor: 3.536

Review 7.  Technologies for global health.

Authors:  Peter Howitt; Ara Darzi; Guang-Zhong Yang; Hutan Ashrafian; Rifat Atun; James Barlow; Alex Blakemore; Anthony M J Bull; Josip Car; Lesong Conteh; Graham S Cooke; Nathan Ford; Simon A J Gregson; Karen Kerr; Dominic King; Myutan Kulendran; Robert A Malkin; Azeem Majeed; Stephen Matlin; Robert Merrifield; Hugh A Penfold; Steven D Reid; Peter C Smith; Molly M Stevens; Michael R Templeton; Charles Vincent; Elizabeth Wilson
Journal:  Lancet       Date:  2012-08-01       Impact factor: 79.321

8.  [Telehealth support for primary health care in remote municipalities in the state of Minas Gerais, Brazil].

Authors:  Milena Soriano Marcolino; Maria Beatriz Alkmim; Tati Guerra Pezzini Assis; Lidiane Aparecida Pereira de Sousa; Antonio Luiz Pinho Ribeiro
Journal:  Rev Panam Salud Publica       Date:  2014 May-Jun

9.  Morbidity in users of family health teams in the northeast of Minas Gerais based on the International Classification of Primary Care.

Authors:  Valquiria M Silva; Ivelisa V S Pereira; Maria de Jesus L Rocha; Antônio P Caldeira
Journal:  Rev Bras Epidemiol       Date:  2014-12

10.  Telemedicine service use: a new metric.

Authors:  Maurice Mars; Richard Scott
Journal:  J Med Internet Res       Date:  2012-12-19       Impact factor: 5.428

View more
  1 in total

1.  Qualitative and Quantitative Analysis of Definitions of e-Health and m-Health.

Authors:  David Hallberg; Narges Salimi
Journal:  Healthc Inform Res       Date:  2020-04-30
  1 in total

北京卡尤迪生物科技股份有限公司 © 2022-2023.