A 51-year-old woman presented with dyspnea on exertion, dry cough, dyslipidemia, type 2
diabetes, and liver steatosis. Twenty years prior, she had undergone hysterectomy and
unilateral oophorectomy because of uterine leiomyomas.A chest X-ray showed a solitary pulmonary nodule in the right upper lobe. The nodule was
oval in shape, being approximately 24 mm × 30 mm. A CT scan of the chest confirmed that
the lesion was a solitary, well circumscribed-nodule that had regular borders and was
located in the posterior segment of the right upper lobe. As can be seen in Figures 1A and 1B, there was delayed contrast enhancement (50 HU before contrast injection,
55 HU within 25 s after contrast injection, and 100 HU within 5 min after contrast
injection). Contrast-enhanced magnetic resonance imaging was performed, and the nodule
showed slightly high signal intensity on T1-weighted images and homogeneous enhancement
(Figures 1C and 1D). The lesion showed signal intensity similar to that of muscle on
T2-weighted images. In-phase and out-of-phase imaging, fat-saturated imaging, and
diffusion-weighted imaging provided no additional findings. A chest X-ray performed
three years earlier had shown no lesions.
Figure 1
CT scans and magnetic resonance imaging of the chest. In A and B, chest CT
scans (lung window, in A, and mediastinal window, in B) showing an oval nodule
with homogeneous density, well-defined margins, and contrast enhancement. In C
and D, fat-suppressed T1-weighted images (before injection of a paramagnetic
contrast agent, in C, and after injection of a paramagnetic contrast agent, in
D), on which the nodule is slightly hyperintense and homogeneously
enhanced.
Because the imaging findings were inconclusive and because of the risk of malignancy,
the patient underwent video-assisted thoracoscopic surgery for nodule resection.
Pathological examination revealed a nodular proliferation composed of smooth muscle
cells without atypia and areas of hyalinization, a finding that was consistent with
leiomyoma (Figure 2A). Immunohistochemical
analysis of the lesion showed that estrogen receptors and progesterone receptors were
positive, and a diagnosis of benign metastasizing leiomyoma (BML) was made despite the
atypical presentation, i.e., a solitary pulmonary nodule (Figures 2B and 2C).
Figure 2
Photomicrographs of the pulmonary nodule. In A, note that the nodule
consisted of smooth muscle tissue arranged in multidirectional bundles, without
atypia or mitosis (H&E; magnification, ×400). In B, note progesterone
receptor positivity (immunohistochemistry; magnification, ×100). In C, note
estrogen receptor positivity (immunohistochemistry; magnification,
×100).
BML is a rare neoplastic process in which leiomyomas of the uterus metastasize to
distant sites, the most common of which are the lungs.(
,
) BML is usually asymptomatic, and the diagnosis is based on incidental
imaging findings of multiple pulmonary nodules or, more rarely, a single nodule. The
term metastasizing fibroleiomyoma of the uterus was introduced by Steiner in 1939 to
described multiple nodules of proliferating smooth muscle cells in the lung of women
with a history of hysterectomy.(
) Different mechanisms of spread of uterine leiomyomas have been proposed. It
has been suggested that smooth muscle cells spread to the lungs after uterine extension
into pelvic venous channels; that tumors gain venous access from surgical trauma during
hysterectomy; and that the lesions represent metastatic foci arising from low-grade
leiomyosarcomas.(
,
)In cases of BML, pulmonary nodules can be seen 3-240 months after hysterectomy or even
before the procedure. They can vary in size from millimeters to centimeters and be
randomly distributed in the lung parenchyma.(
,
) A solitary nodule, as seen in our patient, is a very rare presentation of
BML. In general, pulmonary nodules do not calcify and can remain unchanged or even
regress spontaneously. Both CT and magnetic resonance imaging can be used in order to
characterize pulmonary nodules in patients with BML; such nodules have a nonspecific
appearance and usually show homogeneous contrast enhancement.(
,
) The efficacy of 18F-fluorodeoxyglucose positron emission tomography with CT
(FDG-PET/CT) in detecting uterine leiomyomas is controversial. In the few reports
available in the literature, FDG-PET/CT was unable to detect BML.(
) In the case reported here, FDG-PET/CT was not performed.Macroscopically, pulmonary nodules are ovoid, well circumscribed, and homogeneously
white. Microscopic examination reveals proliferation of well-differentiated,
benign-appearing spindle cells with eosinophilic cytoplasm, moderate degree of
vascularization, insignificant nuclear atypia, mitotic activity, anaplasia, necrosis,
vascular invasion, or inflammatory host tissue response. The presence of estrogen
receptors and progesterone receptors in cases of BML has been well documented and
constitutes evidence that BML originates from uterine smooth muscle. Extrauterine
leiomyomas are uniformly estrogen receptor negative. In contrast, most BMLs are estrogen
receptor positive.(
) The disease course varies and seems to depend on the estrogen status of the
patient. In postmenopausal women, the disease is indolent, patient mortality being
commonly due to an unrelated disease process, whereas, in premenopausal women, the
progression of the disease can result in death.(
,
)Because BML is a rare disease, with few reported cases, there is no established
treatment protocol. Given that BML is a hormonally responsive tumor, the prognosis is
favorable.(
,
) Treatment includes hysterectomy, bilateral oophorectomy, and long-term
hormone therapy. Expectant management and pulmonary nodule resection are also
therapeutic options. Menopause has been associated with lesion regression.
Ao Editor:
Uma mulher de 51 anos de idade apresentou dispneia aos esforços, tosse seca,
dislipidemia, diabetes tipo 2 e esteatose hepática. Vinte anos antes, a paciente
havia sido submetida a histerectomia e ooforectomia unilateral por causa de
leiomiomas uterinos.A radiografia de tórax mostrou um nódulo pulmonar solitário no lobo superior direito.
O nódulo era oval e media aproximadamente 24 mm × 30 mm. A TC de tórax confirmou que
a lesão era um nódulo solitário bem circunscrito, com margens regulares, localizado
no segmento posterior do lobo superior direito. Como se pode observar nas Figuras 1A e 1B, o realce da lesão após a administração do contraste tardou (50 UH
antes da injeção do contraste, 55 UH 25 s após a injeção do contraste e 100 UH 5 min
após a injeção do contraste). Na ressonância magnética com contraste, o nódulo
apresentou sinal de intensidade levemente alto e realce homogêneo nas imagens
ponderadas em T1 (Figuras 1C e 1D). A lesão mostrou sinal de intensidade
semelhante à intensidade muscular nas imagens ponderadas em T2. As sequências de
imagem in-phase e out-of-phase, com saturação de
gordura e ponderada em difusão não propiciaram achados adicionais. A radiografia de
tórax realizada três anos antes não revelou nenhuma lesão.
Figura 1
TC e ressonância magnética de tórax. Em A e B, TC de tórax (em A, janela
para o pulmão; em B, janela para o mediastino) mostrando um nódulo oval com
densidade homogênea, margens bem definidas e realce após a administração de
contraste. Em C e D, imagens ponderadas em T1 com supressão de gordura (em
C, antes da injeção de contraste paramagnético; em D, após a injeção de
contraste paramagnético), nas quais o nódulo está ligeiramente hiperintenso
e homogeneamente realçado.
Como os achados de imagem foram inconclusivos e havia risco de malignidade, a
paciente foi submetida a videotoracoscopia para a resseção do nódulo. O exame
anatomopatológico revelou uma proliferação nodular composta por células musculares
lisas sem atipia e áreas de hialinização, um achado consistente com leiomioma (Figura 2A). A análise imuno-histoquímica da lesão
revelou positividade para receptores de estrógeno e progesterona; fez-se o
diagnóstico de leiomioma metastático benigno (LMB), não obstante a apresentação
atípica, isto é, um nódulo pulmonar solitário (Figuras
2B e 2C).
Figura 2
Fotomicrografias do nódulo pulmonar. Em A, nota-se que o nódulo consiste
em tecido muscular liso disposto em feixes multidirecionais, sem atipia ou
mitose (H&E; aumento: 400×). Em B, nota-se positividade para receptores
de progesterona (imuno-histoquímica; aumento: 100×). Em C, nota-se
positividade para receptores de estrógeno (imuno-histoquímica; aumento:
100×).
O LMB é um processo neoplásico raro no qual há metástase de leiomiomas do útero para
sítios distantes, mais comumente os pulmões.(
,
) O LMB é geralmente assintomático, e o diagnóstico baseia-se em achados
incidentais de imagem de múltiplos nódulos pulmonares ou, mais raramente, de um único
nódulo. O termo fibroleiomioma metastático do útero foi introduzido por Steiner em
1939 para descrever múltiplos nódulos de células musculares lisas que se proliferavam
no pulmão de mulheres com história de histerectomia.(
) Foram propostos diferentes mecanismos de disseminação de leiomiomas
uterinos. Sugeriu-se que as células musculares lisas disseminam-se para os pulmões
após a extensão do útero para os canais venosos pélvicos; que tumores ganham acesso
venoso a partir de trauma cirúrgico durante a histerectomia e que as lesões
representam focos metastáticos provenientes de leiomiossarcomas de baixo
grau.(
,
)Em casos de LMB, nódulos pulmonares podem ser vistos de 3 a 240 meses após a
histerectomia ou mesmo antes do procedimento. O tamanho dos nódulos pode variar (de
milímetros a centímetros), e eles podem estar aleatoriamente distribuídos no
parênquima pulmonar.(
,
) Um nódulo solitário, como o que foi encontrado em nossa paciente, é uma
apresentação muito rara de LMB. Em geral, os nódulos pulmonares não calcificam e
podem permanecer inalterados ou até mesmo regredir espontaneamente. Tanto a TC como a
ressonância magnética podem ser usadas para caracterizar nódulos pulmonares em
pacientes com LMB; tais nódulos têm aparência inespecífica e geralmente apresentam
realce homogêneo após a administração de contraste.(
,
) A eficácia da tomografia por emissão de pósitrons com 18F
fluordesoxiglicose (FDG-PET, do inglês 18F-fluorodeoxyglucose positron
emission tomography) com TC (FDG-PET/TC) no que tange à detecção de
leiomiomas uterinos é controversa. Nos poucos relatos existentes na literatura, a
FDG-PET/TC não detectou LMB.(
) No caso aqui relatado, a FDG-PET/TC não foi realizada.Macroscopicamente, os nódulos pulmonares são ovoides, bem circunscritos e
homogeneamente brancos. O exame microscópico revela proliferação de células
fusiformes bem diferenciadas e de aparência benigna, com citoplasma eosinofílico e
grau moderado de vascularização, atipia nuclear insignificante, atividade mitótica,
anaplasia, necrose, invasão vascular ou resposta inflamatória do tecido hospedeiro. A
presença de receptores de estrógeno e progesterona em casos de LMB está bem
documentada e é prova de que o LMB provém da musculatura lisa uterina. Leiomiomas
extrauterinos são uniformemente negativos para receptores de estrógeno. Por outro
lado, a maioria dos LMB é positiva para receptores de estrógeno.(
) O curso da doença varia e parece depender do estado estrogênico de cada
paciente. Em mulheres na pós-menopausa, a doença é indolente (e o óbito comumente se
dá em virtude de um processo de doença não relacionado), ao passo que em mulheres na
pré-menopausa a progressão da doença pode resultar em óbito.(
,
)Como o LMB é uma doença rara, com poucos casos relatados, não há nenhum protocolo de
tratamento estabelecido. Como o LMB é um tumor que reponde a hormônios, o prognóstico
é favorável.(
,
) O tratamento inclui histerectomia, ooforectomia bilateral e terapia
hormonal em longo prazo. A conduta expectante e a resseção dos nódulos pulmonares
também são opções terapêuticas. Há uma relação entre a menopausa e a regressão da
lesão.
Authors: Najla Fasih; Alampady K Prasad Shanbhogue; David B Macdonald; Margaret A Fraser-Hill; Demetrios Papadatos; Ania Z Kielar; Geoffrey P Doherty; Cynthia Walsh; Matthew McInnes; Mostafa Atri Journal: Radiographics Date: 2008 Nov-Dec Impact factor: 5.333